Andreas Kisser reflete sobre Carnaval ser mais violento que show de metal

Guitarrista do Sepultura diz que desrespeito e brutalidade atribuídos a apresentações de música pesada são estereotipados e errados

Por fatores que vão desde a música agressiva aos mosh pits, existe a concepção de que shows de metal são violentos. Para Andreas Kisser, a ideia não só é errônea, como também mostra-se uma mentira ainda maior quando comparada a outro evento nacionalmente popular: blocos de Carnaval.

Durante participação no podcast Vozes da Vez, transcrita pelo site, o guitarrista do Sepultura refletiu sobre o assunto. Tudo começou quando a jornalista Fabiane Pereira comentou que esteve presente no dia do metal no Rock in Rio 2001 (que incluiu Iron Maiden, Rob Halford e o próprio Sepultura no lineup) e que, apesar das preocupações de sua mãe, acabou sendo uma das datas mais tranquilas do festival.

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Foi a deixa para que o artista fizesse uma reflexão sobre o estereótipo relacionado às apresentações de música pesada:

“É incrível que o heavy metal tenha esse estereótipo de violência e desrespeito, pois é totalmente ao contrário. Você vai a qualquer show de heavy metal e vê que as pessoas se respeitam, tem gente de tudo quanto é idade. Está todo mundo ali para gritar ‘six six six’ com o Bruce Dickinson. Não está ali para azarar mulher dos outros ou testar um golpe de jiu-jitsu que aprendeu na semana [risos].”

Então, ele traçou um paralelo com o Carnaval de rua, que, na sua opinião, traz muito mais perigos a quem frequenta.

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“Com todo o respeito ao Carnaval, mas o Carnaval é brutal. É violento, tem casos de estupro, tem gente fazendo xixi na rua, andando armado, briga… e todo mundo vê o Carnaval como alegria – o que é mesmo. Mas isso passa despercebido. No metal não tem isso.”

Em seguida, mais uma vez, destacou o aspecto inofensivo da comunidade headbanger. Inclusive, mencionou a lealdade e dedicação dos fãs, que fazem questão de comprar produtos oficiais e prestigiar as bandas.

“O cara do metal não compra produto pirata. Ele quer o produto oficial, com o selo da banda. Olha a força que a cena tem por causa disso. O dinheiro vai para a gravadora, para a banda, para o empresário, para a estrutura que mantém essa cena viva e forte. É muito responsável nesse aspecto, pois o fã quer a qualidade. Quer a qualidade visual e sonora das coisas. É bem exigente. Por isso, sempre que vamos ao estúdio, procuramos fazer o nosso melhor.”

Andreas Kisser e o Carnaval

Em sua antiga coluna publicada no portal Yahoo!, Andreas Kisser já havia opinado sobre o Carnaval e relatado algumas de suas experiências. Num texto de 2010 (via Whiplash), escreveu:

“O Carnaval no Brasil é uma festa única, não se vê nada parecido em nenhum lugar do mundo. Apesar de não gostar muito, – sempre curti o Carnaval meio de longe, assim como meus colegas colunistas Regis Tadeu e Kid Vinil – eu costumava ver a ala dos ritmistas e a bateria nos desfiles das escolas de samba.

Nos tempos de escola fui em alguns bailes nos clubes do ABC Paulista, por duas vezes fui assistir ao desfile das escolas de samba, uma vez no Rio e outra em São Paulo, e foram experiências espetaculares, mas, fora isso, nesta época eu procuro fugir de tudo.”

Sepultura: celebrando a vida através da morte

Após 40 anos de atividades, o Sepultura se prepara para seu encerramento. A banda brasileira começa em março de 2024 a turnê “Celebrating Life Through Death”, que promete ser a despedida dos palcos. A ideia é rodar o Brasil e a América do Sul nessa primeira parte do giro, que vai até abril.

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A partir de setembro, o Sepultura faz mais algumas datas no Brasil antes de seguir para a Europa, onde deve ficar até o fim de novembro. A turnê de despedida deve durar cerca de um ano e meio, com mais datas a serem anunciadas.

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 22 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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