A pressão que William DuVall sentiu ao substituir Layne Staley no Alice in Chains

Apesar da responsabilidade, vocalista foi aprovado até mesmo pela família de Layne Staley ao assumir a vaga

O vocalista e guitarrista do Alice in Chains, William DuVall, falou sobre a pressão que sentiu ao substituir o frontman original, Layne Staley, na banda. Staley faleceu em 2002 e o grupo, que estava em hiato, encerrou atividades de imediato. Porém, os integrantes remanescentes resolveram retomar os trabalhos em 2005, anunciando DuVall para a vaga no ano seguinte.

Em entrevista de 2020 à Kerrang!, William apontou que a pressão para o novo trabalho era imensa – e não vinha apenas do público, já que ele mesmo se cobrava muito. O que deixou o cantor tranquilo foi o fato de estar trabalhando com o guitarrista Jerry Cantrell, em sua carreira solo, por 5 anos.

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“Havia muita história entre nós, uma estrada longa levou a tudo isso. Mesmo assim, quando você chega ao ponto de ter que lidar com o público, a pressão é imensa. Além da pressão que faço sobre mim e a que nós quatro da banda nos exercemos, havia muita pressão inerente à situação. Junte isso com todo o barulho causado, especialmente na época, em 2006. Foi inacreditável.”

O cantor destaca que precisou olhar para frente e seguir, sem muita escolha.

“Eu já tinha 5 ou 6 anos de história com Cantrell. Nos conhecíamos em todo estado de espírito. Passamos por situações que mudaram nossas vidas, tocando em tantos shows juntos.”

O entrevistador, então, cita o primeiro álbum do Alice in Chains gravado com William DuVall: “Black Gives Way to Blue” (2009). Na época, segundo o jornalista, muitos críticos especializados apontaram que era assustador como a voz de DuVall lembrava a de Layne Staley.

“Sempre terei minha personalidade própria na voz, mas quando trabalho no contexto do Alice in Chains, há certas áreas que se sobrepõem naturalmente em termos de influências, gostos e até tonalidades de vocais, bem como abordagens a riffs e harmonias. Você deve explorar o estilo ao máximo e, ao mesmo tempo, habitar as músicas com seu espírito.”

O vocalista concluiu descrevendo o aprendizado que obteve ao interpretar músicas de Layne Staley nos shows.

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“É algo muito poderoso, especialmente com um mar de gente na sua frente. Lidei por muitos anos com o material antigo, com letras em que Layne descreve um estado de coisas com ele. Aprendi muito. Ouvi inúmeras histórias dos colegas de banda sobre como Layne era legal, engraçado, e como eles se davam bem. Conheci a família toda de Layne. Ele tentava fazer o que todos tentamos enquanto compositores: dizer sua própria verdade. Quando isso toca alguém, é algo incrível. Transcende o espaço, o tempo e até a vida.”

Família de Layne Staley aprova William DuVall

A menção de William DuVall à família de Layne Staley é particularmente interessante. O pai de Layne, Phil, revelou em uma entrevista à Komo, em 2018, que aprova o trabalho do sucessor do filho na banda.

“Ótimo trabalho. Um grande vazio para se ocupar. Sou muito tendencioso. No que me diz respeito, não há ninguém que o substitua, mas a banda tem feito um trabalho incrível. William fez um trabalho incrível e eu não poderia estar mais orgulhoso da banda ainda estar em atividade. Amo todos aqueles caras. Ainda troco mensagens de texto com Jerry e Sean (Kinney, baterista) na estrada, então, somos bem próximos, como família.”

Próximos planos do Alice in Chains

Em quase 40 anos de carreira, o Alice in Chains lançou apenas 6 álbuns completos de estúdio. Portanto, não é de se surpreender que a banda demore para trabalhar em novidades e não sinta nenhum remorso em relação a isso.

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Durante entrevista no início de 2023 à rádio 105.5 WDHA (transcrita pelo Blabbermouth), William DuVall foi questionado sobre a possibilidade de o público ter novidades em um futuro próximo. No fim das contas, a recomendação é que todo mundo pegue uma cadeira para não cansar.

“Eu suponho que haverá algo no futuro. Mas não há planos em andamento agora, porque todos nós estamos fazendo outras coisas. Mas, inevitavelmente, acontecerá em algum momento.”

Último membro da formação atual a ter entrado, o músico também refletiu sobre os 17 anos desde que faz parte do grupo.

“De certa forma, às vezes parece 7 minutos e, em outros momentos, parece 37 anos. (risos) É muito interessante analisar as percepções de tempo. Mas, sim, há certas memórias que percebemos como vidas passadas e outras que aconteceram talvez 15 anos atrás, mas parece que foi ontem. É muito estranho. Mas é ótimo. Estou muito orgulhoso de tudo o que conseguimos realizar nesse tempo.”

Alice in Chains e “Rainier Fog”

Lançado em 24 de agosto de 2018, “Rainier Fog” é o sexto e mais recente disco de inéditas do Alice in Chains. Chegou ao 12º lugar na Billboard 200, além de ter entrado no Top 10 de seis paradas europeias. O título é uma homenagem ao Monte Rainier, estratovulcão que pode ser visto de qualquer parte da área metropolitana de Seattle.

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Igor Miranda
Igor Miranda
Igor Miranda é jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital. Escreve sobre música desde 2007. Além de editar este site, é colaborador da Rolling Stone Brasil. Trabalhou para veículos como Whiplash.Net, portal Cifras, revista Guitarload, jornal Correio de Uberlândia, entre outros. Instagram, Twitter e Facebook: @igormirandasite.

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