Living Colour também era ignorado por premiações de música negra, diz Corey Glover

Texto do vocalista do grupo, postado nas redes sociais, apoia e concorda com recente declaração de Lenny Kravitz sobre o assunto

A representatividade negra no rock sempre foi um assunto polêmico. Não apenas o estilo é diretamente ligado à — e derivado da — música negra, como muitos artistas de tal origem foram e são importantes em diversos subgêneros. Ainda assim, o reconhecimento disso ainda é muito baixo, e não só entre brancos.

Lenny Kravitz, um dos artistas que mais carregam essa representatividade, fez uma crítica dura a premiações de música negra em entrevista para a revista Esquire. Na ocasião, o cantor e multi-instrumentista disse que sempre foi ignorado por eventos do tipo pois seus realizadores consideram que seu som não é “negro o bastante”. Em comunicado posterior, ele ainda deixou claro que não atacou a cena musical ou os fãs, somente as instituições responsáveis.

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Diante disso, o Living Colour também se manifestou. Por meio do vocalista Corey Glover, a lendária banda de hard rock afirmou que também foi ignorada pelas premiações voltadas à música negra pelos mesmos motivos de Kravitz — ao mesmo tempo em que foi ignorada pela cena rock and roll “branca”. Eles emitiram um comunicado nas redes sociais, citando respostas dos responsáveis à fala de Kravitz.

“Chegou à minha atenção o fato de que pessoas responderam à declaração de Lenny Kravitz, de que as organizações negras na indústria do entretenimento nunca o procuraram.
Responderam que eles se esforçaram para contata-lo, mas seu ‘pessoal’ disse que o Sr. Kravitz não tinha interesse. Isso é falso. Se o pessoal dele declarou isso, eu não posso dizer. Mas o Living Colour fez esforços conscientes para nos colocarmos disponíveis a lugares como o BET, o Source, etc. Lembre-se de que isso estava acontecendo para nós simultaneamente no mundo do rock.
A resposta deles para nós geralmente era de que nós não nos encaixávamos no formato deles. Ironicamente, essa era a mesma resposta que recebíamos das organizações do rock and roll/brancas.”

Glover deixa claro que o Living Colour concorda e apoia totalmente a declaração de Kravitz, se vendo em situação parecida ao longo da carreira.

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“Lenny estava certo. Nenhum de nós foi premiado e muito menos reconhecido pelas nossas conquistas.”

Próprio povo jogando contra

O frontman termina seu texto citando o impacto negativo que essa falta de reconhecimento aos artistas negros do rock causa. Sua última frase é ainda mais forte.

“Tem sido nossa experiência ver que a maioria das pessoas de cor não tem ideia do quão profunda e abrangente é a influência dos negros no rock and roll moderno, muito menos o impacto no R&B e hip hop. O que ouvimos é que ‘isso é coisa de brancos’, quando na verdade, não é!
Já é difícil o suficiente viver em lugares em que você espera ver supremacia branca, mas não de seu próprio povo.”

A declaração de Lenny Kravitz

Como já destacado, Lenny Kravitz fez um desabafo sobre o tema durante entrevista à revista Esquire. Ele revelou acreditar que, mesmo tendo uma carreira bem-sucedida e até revolucionária, não conseguiu o reconhecimento merecido do Bet Awards (que consagra talentos negros de áreas diversas) e do Source Awards (voltado ao hip-hop), por exemplo.

“Até hoje, não fui convidado para premiações como BET ou Source Awards. E aqui estou eu, um artista negro que reintroduziu muitas formas de arte negra, que quebrou barreiras, assim como os que vieram antes de mim quebraram. Isso é positivo. E eles não têm nada a dizer sobre isso?”

Após a publicação da entrevista, as declarações de Lenny Kravitz a respeito das premiações de música negra repercutiram na internet. Com os comentários a respeito, o músico resolveu postar um comunicado nas redes sociais, para justificar seu posicionamento durante o bate-papo. 

Segundo o cantor, a crítica foi completamente direcionada aos eventos mencionados e não à comunidade de maneira geral. Sua maior preocupação é que artistas negros, categorizados em gêneros musicais tidos como “música negra não tradicional”, obtenham posições de relevância. Para exemplificar, citou o rock.

“É importante para mim deixar claro as recentes declarações veiculadas com base em uma entrevista que fiz. Minha herança musical negra significa muito para mim e eu devo meu sucesso aos meus apoiadores que fizeram parte dessa jornada comigo ao longo da minha carreira. O comentário que eu fiz não foi sobre a comunidade negra ou sobre a mídia negra. Eu estava me referindo especificamente às premiações de música negra.
Meu comentário foi feito para expressar minha preocupação sobre garantir que artistas negros estejam sendo reconhecidos por seu trabalho no que está sendo chamado agora de música negra ‘não tradicional’, o que não é. Fomos essenciais na criação do rock and roll e isso é parte da nossa história. Devemos manter nossa herança e celebrar isso juntos. O BET e inúmeras outras premiações abriram caminho para esse tipo de reconhecimento. Espero que, ao compartilhar minha preocupação, uma luz apareça nessa questão.”

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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