A história de “I’ll Be There for You”, a música-tema de “Friends”

Canção que embala a abertura do show tem diversas curiosidades — como o fato de ter sido gravada de última hora

Friends” é um dos seriados televisivos mais populares da história e mesmo tanto tempo após ser encerrado, ainda continua muito lembrado. Se não bastasse o programa ter feito grande sucesso, outra coisa que caiu no gosto dos fãs foi “I’ll Be There for You”, sua música-tema.

O hit foi gravado pelo duo de pop rock The Rembrandts e está cercado de vários fatos curiosos. Um deles, por exemplo, é que a canção foi gravada poucos dias antes da estreia do show na TV americana. Isso sem contar que uma das suas características mais marcantes também foi incluída de última hora.

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Abaixo, vamos contar todos os detalhes da história por trás de “I’ll Be There for You”.

Como “I’ll Be There for You” foi criada para “Friends”

Durante a produção da primeira temporada de “Friends”, a ideia original era utilizar outra música para a abertura: “Shiny Happy People”, do R.E.M. No entanto, o grupo rejeitou a proposta e não houve outra escolha a não ser procurar uma alternativa.

Foi aí que a Warner Bros Television voltou seus olhos para o duo The Rembrandts. Inicialmente, a dupla de pop rock também não estava muito disposta a ajudar, mas por conta do contrato que tinha com a Warner Bros Records — justamente a divisão musical da Warner Bros —, acabou aceitando gravar uma canção para a abertura de “Friends”.

Foi aí que nasceu “I’ll Be There for You”, que teve seus versos escritos por David Crane e Marta Kaufmann, criadores e produtores do show, e a compositora Ailee Willis. A música- tema foi concebida, primeiramente, para durar apenas um minuto, que era o tempo gasto com a introdução.

Com os versos prontos, chegou a hora de trabalhar na parte musical do hit. Os Rembrandts ganharam uma ajudinha de Michael Skloff, marido de Marta Kaufmann e que ajudou a desenvolver a trilha sonora de outros shows. 

Skloff tinha em mente fazer algo parecido com o single “Paperback Writer”, dos Beatles. Para a Buzzfeed News, Phil Solem, um dos integrantes do duo, afirmou que ele e o parceiro Danny Wilde até toparam, mas que também queriam dar seu toque para a abertura.

“Ele (Skloff) tinha uma ideia para a direção que a música seguiria, então nos sentamos juntos e apresentamos algumas ideias. Nós a ‘Rembrandtizamos’.”

Solem também lembrou de como o trabalho foi feito em cima da hora — a gravação da primeira versão foi feita em 17 de setembro de 1994, apenas cinco dias antes da estreia de “Friends” na TV, com direito a alguns versos modificados aos 45 do segundo tempo por Ailee Willis.

“A Ailee nos mandava faxes com novos versos, como: ‘aqui está um novo verso! Tentem este aqui! E o que acham desse aqui?’. No final do dia, tínhamos uma versão bruta. Foi durante um período de três dias que nós trabalhamos nela (a canção). E, no que pareceu apenas uns cinco segundos depois, já estava na TV.”

As palminhas

Phil Solem também afirmou que as palmas escutadas no final do primeiro verso foram uma adição de última hora — e que as considera a melhor parte de toda a canção.

“Quando pensávamos que tínhamos terminado, fomos escutar o mix final e as palmas estavam lá. Eu disse: ‘quem pensou nisso?’ É a melhor parte!”

Segundo o parceiro Danny Wilde, os próprios criadores de “Friends”, mais o produtor executivo Kevin Bright, foram os responsáveis por bater as palmas no trecho.

“Kevin Bright (produtor executivo do show), Marta Kaufmann e o David Crane queriam ser parte da gravação, então eles quiseram tentar gravar a parte das palmas.”

Para o livro “Music for Prime Time: A History of American Television Themes and Scoring” (via Variety), que conta a história da relação entre as séries de TV americanas e suas trilhas sonoras, Michael Skloff lembrou de como as palmas pegaram entre o público.

“O que pareceu ser algo tão insignificante se tornou a marca registrada da canção.”

Nasce a versão longa da música-tema

Pouco meses após a estreia do show na TV, uma rádio da cidade americana de Nashville — conhecida justamente por ser um polo da indústria musical no país —, decidiu lançar uma “versão longa” do hit, que consistia em um loop da abertura do seriado com duração de três minutos. 

Nem seria preciso dizer que o público adorou a versão longa improvisada e ela passou a ser requisitada com frequência nas rádios americanas. A Warner Bros Records logo tomou ciência do que estava acontecendo e pediu para os The Rembrandts regravarem a canção.

Para a regravação, a dupla optou por inserir mais alguns versos inéditos e “I’ll Be There for You” acabou ficando com três minutos e nove segundos de duração. 

A versão longa — e agora, oficial — da música-tema começou a ser executada nas rádios americanas em 23 de maio de 1995 e, claro, também caiu no gosto dos fãs e se espalhou para outros países do mundo. Para se ter uma ideia do sucesso feito pela música, ela chegou a ocupar o topo das paradas da Billboard por algumas semanas.

O The Rembrandts não deixou a oportunidade passar batida e incluiu “I’ll Be There for You” de última hora no álbum “L.P.”, também lançado em 23 de maio de 1995. Além disso, a canção ganhou um clipe, em que a dupla contracena junto de todo o elenco principal de “Friends”.

“I’ll Be There for You” ajudou a salvar uma tradição

Segundo o livro “Music for Prime Time: A History of American Television Themes and Scoring” (via Variety), se não bastasse seu sucesso, “I’ll Be There for You” em “Friends” ainda ajudou a salvar uma tradição da TV americana, mesmo que temporariamente: o fato de as séries televisivas sempre contarem com uma vinheta de abertura.

A obra aponta que no verão do hemisfério norte de 1994, o presidente da divisão de entretenimento do canal americano ABC, Ted Harbert, afirmou que queria eliminar as aberturas de séries. O motivo? Para ganhar tempo e não perder a atenção da audiência.

“Acho essa uma prática antiquada. Ela dá à audiência uma oportunidade de pegar o controle remoto e trocar os canais. Realmente precisamos encontrar uma forma de isso não acontecer. Aberturas de 60 segundos, ou de 90 segundos em alguns casos, que eles veem semana após semana dão muitas opções, elas não fazem mais sentido para mim.”

O canal rival CBS, por exemplo, já vinha adotando aberturas de poucos segundos para seus shows. E a própria ABC de Ted Harbert colocou em prática o costume de não exigir as vinhetas para suas séries, salvo algumas poucas exceções.

Claro, a declaração e o início dessa prática ganharam diversas críticas do público e produtores de shows televisivos. No entanto, o livro afirmou que receio de perder esta tradição foi esquecido por conta da popularidade de “Ill Be There for You” em “Friends”.

Ainda assim, é importante lembrar que com o passar dos anos, a ideia de ter aberturas de poucos segundos voltou com força e muitos shows passaram a adotá-la de alguns anos para cá. 

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Augusto Ikeda
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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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