PJ Harvey mistura folk com realismo mágico no ótimo “I Inside the Old Year Dying”

Cantora demonstra compreender em novo álbum como esse tipo de música possui nuances e terror inerente às canções

Ao contrário do que a indústria musical possa tentar caracterizar, folk de verdade consegue ser belo e aterrorizante ao mesmo tempo. Afinal, trata-se da memória coletiva de povos, histórias sendo passadas ao longo das gerações, fantasmas e lendas capturados com notas e acordes.

Tendo crescido numa fazenda em Dorset, sudoeste da Inglaterra, Polly Jean Harvey sempre teve esse tipo de música ao seu redor. Mesmo no auge de seu sucesso como rockstar, a compreensão inata dela sobre esse aspecto do folk a tornou capaz de fazer uma música calcada no blues americano, repleta de terror e sexualidade.

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Desde que assumiu uma sonoridade mais folk em seus álbuns, PJ Harvey tem explorado cada vez mais a história e herança musical de sua terra natal. E em “I Inside the Old Year Dying”, ela entrega mais um capítulo fascinante dessa jornada.

Baseado em grande parte num poema épico escrito por Harvey intitulado “Orlam” – lançado como livro em 2022 –, o disco é ambientado numa versão da terra natal dela de Dorset influenciada por realismo mágico. Várias letras apresentam vários dialetos locais. Elas contam histórias de ciclos, seja crescimento e amadurecimento, as estações do ano ou até mesmo morte. E sexualidade, é claro, como fica evidente na faixa-título de “I Inside the Old I Dying”:

“Slip from my childhood skin, I sing
I’m singing through the forest
I hover in the hallway
Laugh into the leaves

Oh Wyman, oh Wyman
Unray I, unray I for en”

[“Desfaço-me de minha pele infantil, eu canto
Eu canto pela floresta
Eu flutuo no corredor
Rio entre as folhas

Ó guerreiro, ó guerreiro
Me dispo, me dispo para você”]

A voz espectral de Harvey é embalada por uma instrumentação esparsa, porém bastante eficaz, cortesia de improvisações da cantora e compositora no estúdio junto com os dois produtores e colaboradores de longa data, Flood e John Parish. As guitarras são sujas o suficiente para fazer os arranjos pastorais carregarem a ameaça presente nas sombras da natureza. Os ritmos da percussão são elegantes e recatados, com bumbos e surdos aplicando texturas graves ao som.

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Após a decepcionante impessoalidade de “The Hope Six Demolition Project” (2016), “I Inside the Old Year Dying” simboliza uma volta por cima de Harvey. Reafirma seu talento como uma das principais compositoras britânicas vivas, senão a principal.

Ouça “I Inside the Old Year Dying” a seguir, via Spotify, ou clique aqui para conferir em outras plataformas digitais.

PJ Harvey – “I Inside the Old Year Dying”

  1. Prayer at the Gate
  2. Autumn Term
  3. Lwonesome Tonight
  4. Seem an I
  5. The Nether-edge
  6. I Inside the Old Year Dying
  7. All Souls
  8. A Child’s Question, August
  9. I Inside the Old I Dying
  10. August
  11. A Child’s Question, July
  12. A Noiseless Noise
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Pedro Hollanda
Pedro Hollanda
Pedro Hollanda é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso e cursou Direção Cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Apaixonado por música, já editou blogs de resenhas musicais e contribuiu para sites como Rock'n'Beats e Scream & Yell.

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