Geezer Butler abre o jogo sobre problemas com depressão: “ninguém entendia”

Baixista do Black Sabbath enfrentou doença por anos e só melhorou quando médico entendeu o que ele tinha e receitou medicamentos adequados

Geezer Butler se abriu a respeito de sua luta contra a depressão ao longo dos anos, inclusive no período de auge do Black Sabbath. O baixista original do grupo aborda esse e outros temas em sua nova autobiografia, “Into the Void”, e em entrevistas para divulgar a obra.

À revista Uncut, Butler revelou que chegou a se automutilar, sintoma não raro em quadros depressivos severos e não controlados. A época – os anos 70 – também não o ajudou a lidar com a situação. Naqueles tempos, a questão da saúde mental era bem menos aberta e comentada na mídia e pelas pessoas de um modo geral, o que tornava tudo mais difícil.

“Você ia ao médico e ele dizia: ‘vá e tome algumas cervejas’ ou ‘vá passear com o cachorro’. Ninguém falava sobre isso, ninguém entendia. No fim das contas, eu só pensava que estar deprimido era uma coisa normal e comecei a me cortar para me aliviar. Um dia eu me cortei tão profundamente que não conseguia estancar o sangue. As pessoas costumavam pensar que eu estava mal humorado, mas era quando a depressão batia e eu não conseguia sair dela, não conseguia falar com as pessoas.”

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De acordo com o baixista, mesmo ao compor e lançar de uma música que fala sobre o tema, a depressão ainda o atormentava. A situação só mudou quando ele começou a tomar antidepressivos, que começaram a fazer efeito em algumas semanas.

“Compus a música ‘Paranoid’, que é sobre saúde mental, e só muito tempo depois fui ao médico e me deram os remédios. Tive um surto mental, fui a um médico nos Estados Unidos e ele me receitou. Depois de cerca de seis semanas tomando, a depressão começou a desaparecer. Tomei vários antidepressivos desde então.”

Qualquer um está sujeito – até Geezer Butler

O relato de Geezer Butler, como o próprio afirma, mostra que a depressão e outras condições relacionadas à saúde mental não escolhem pessoas. Sua descrição da doença é a de um “buraco negro” em seu interior, que suga tudo o que existe em volta para dentro de si.

“As pessoas diziam: ‘você tem todo esse dinheiro entrando, você tem um álbum número 1, o que você tem para te causar depressão?’. É como uma doença – não há nada que você possa fazer a respeito, não importa quanto dinheiro você tenha ou o quanto está feliz com seu trabalho.”

** No Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV), associação civil sem fins lucrativos, oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, 24 horas por dia. Qualquer pessoa que queira e precise conversar, pode entrar em contato com o CVV, de forma sigilosa, pelo telefone 188, além de e-mail, chat e Skype, disponíveis no site www.cvv.org.br.

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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