Wayne Shorter, ícone da música mundial, morre aos 89 anos

Músico se destacou em parcerias com nomes como Miles Davis, Joni Mitchell, Weather Report, Steely Dan e Santana, além de ter gravado com Milton Nascimento

Wayne Shorter, um dos maiores saxofonistas da história da música popular, morreu em um hospital de Los Angeles aos 89 anos. Seu publicitário confirmou o falecimento ao New York Times sem entrar em detalhes na causa.

Ele foi uma força central em três dos grandes grupos de jazz do século passado:

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  • o Jazz Messengers, liderado pelo baterista Art Blakey, que estabeleceu o estilo “Hard Bop” de meados do século;
  • a segunda formação do quinteto de Miles Davis, em meados do final da década de 1960, que levou Davis ao seu período elétrico;
  • e o bem-sucedido grupo fusion Weather Report, formado em 1970.

Além de mais de 20 discos solo, também teve uma parceria longa e frutífera com Joni Mitchell, aparecendo em 10 de seus álbuns e colaborou com músicos de rock como Carlos Santana e Steely Dan. Foi 11 vezes vencedor do Grammy, além de ter ganhado outra estatueta pelo conjunto de sua obra.

O músico também possuía uma ligação especial com o Brasil. Além de ter gravado o álbum “Native Dancer” (1975) com Milton Nascimento e ser admirador confesso da música local, era casado com Carolina dos Santos Shorter desde 1999, três anos após perder sua segunda esposa, a portuguesa Ana Maria Shorter em um desastre aéreo.

Seu último álbum de estúdio foi “Emanon”, lançado em 2018. No mesmo ano, foi homenageado no tradicional Kennedy Center Honors, sendo condecorado por suas contribuições à arte. Wayne deixa duas filhas, Miyako e Iska.

Wayne Shorter e Milton Nascimento

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Lançado em janeiro de 1975, “Native Dancer” se tornou um dos trabalhos mais aclamados das carreiras de Wayne Shorter e Milton Nascimento. O álbum foi gravado no estúdio Village Recorder, em Los Angeles, onde o Steely Dan havia feito “Aja” pouco tempo antes.

Em entrevista ao jornal Estado de Minas, no ano passado, Shorter exaltou o talento de Milton.

“A voz de Milton não é Frank Sinatra, não é Nat King Cole, é um som completamente diferente. Um som que o chama de volta à natureza. As melodias dele nos remetem à Antiguidade. Passam pela Amazônia, mas também por Egito, Mongólia, México, Cuba e países da África, lugares distantes. O jeito como ele canta faz com que você queira pegar carona e viajar com ele por esses lugares.”

Ao jornal O Estado de S. Paulo, o americano revelou como surgiu a ideia de trabalhar com o brasileiro.

“Minha mulher me falava muito de Milton, e eu o tinha encontrado no Rio. Eu o chamei e ele não hesitou, veio com sua banda. As sessões de gravação foram em Santa Mônica, na Califórnia, no mesmo estúdio onde o Steely Dan gravou ‘Aja’. Foi tudo uma grande festa. Havia muita gente lá. A atriz Rachel Welch acompanhou. O cara dono do estúdio era casado com a atriz Leslie Caron, que fez ‘Um Americano em Paris’ com o Gene Kelly. O engenheiro de som era casado com uma filha do Ingmar Bergman, e ela também estava lá. Essa era a atmosfera.

Nós começamos a tocar e logo estabelecemos amizade e confiança mútuas. O Herbie Hancock estava gravando naquele momento a trilha de ‘Death Wish’, com o Charles Bronson, e o Herbie toca no disco. Foi um momento muito especial. O disco é importante porque mostra como aproximar duas visões da música sem que nenhuma delas seja submissa à outra. Nós não queríamos que Milton imitasse o jazz, e eu não conseguiria imitar o Milton. Conseguimos fazer algo muito complementar.”

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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