Paul Stanley concorda com Gene Simmons sobre rock estar morto?

Chefes do Kiss têm opiniões bem diferentes a respeito do tema, com um Starchild muito mais otimista em relação ao futuro

Não é de hoje que Gene Simmons crava a morte do rock e culpa um “assassino” diferente a cada vez. Mas o Kiss é comandado por duas cabeças, então como será que Paul Stanley encara a questão?

Menos verborrágico e com um perfil sempre mais conciliador, o vocalista e guitarrista tem uma opinião bem diferente do colega sobre o assunto, como já era de se esperar.

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Em conversa com a Classic Rock, Stanley foi perguntado sobre a insistente declaração de Simmons e discordou veementemente. Ele também tentou desfazer a ideia do colega de que precisa haver um “novo Beatles”, sempre com o quarteto de Liverpool como régua de medida.

“É uma grande frase de efeito, mas não passa disso. Meu filho Evan está tocando por Los Angeles com uma banda de rock que detona e está tendo grandes públicos, com belas modelos indo e isso é a prova para mim de que o rock não está morto.

A música mais popular para o gosto mainstream muda com o tempo e isso vai e vem. Tem muito rock sendo feito agora e alguns podem ser derivativos demais para realmente marcar presença e levar a coisa a outro nível, mas vai acontecer. Mas a próxima grande banda de rock não vai ser enorme porque soa como uma banda do passado, ela vai ter sua própria voz.”

O coveiro do rock

Pelo menos desde 2014, Gene Simmons diz em entrevistas que o rock está morto. A única coisa que muda é o culpado pelo “assassinato”: inicialmente era a internet, depois os serviços de streaming. Ultimamente, o vocalista e baixista tem culpado os próprios fãs do estilo por sua morte.

Em 2021, em fala à rádio Q104.3 transcrita pelo Blabbermouth, Simmons explicou como os fãs, especialmente os mais jovens, cravaram a estaca de madeira no coração do rock.

“O rock morreu em todos os sentidos. E os culpados são os jovens fãs. Você matou aquilo que ama. Assim que o streaming chegou, você tirou a chance das boas bandas novas que estão nas sombras, que não podem largar seus empregos porque não ganham dinheiro com suas músicas. Quando você baixa algo, isso rende um centésimo ou milésimo de um centavo. Você precisa ter milhões ou até bilhões de downloads antes de ganhar alguns milhares de dólares. Os fãs mataram.”

Fã irredutível dos Beatles, o linguarudo também coloca parte da culpa na tecnologia. Apesar de gostar de artistas mais jovens, como Lady Gaga e Billie Eilish, ele compara os rappers do presente com o trabalho que os Fab Four faziam no passado.

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“Os Beatles faziam as próprias músicas, criavam os arranjos, produziam, tocavam. Sem correções digitais. Os artistas atuais dependem muito da tecnologia. Não dá para reconhecer o artista se ele estiver cantando no chuveiro. Nenhum dos rappers toca instrumentos. Eles não compõem músicas. Eles escrevem palavras, não acordes, melodias e harmonias. Isso não significa que o rap não seja importante. É muito importante. Mas não é como os Beatles.”

Paul Stanley e as diferenças com Gene Simmons

A despeito das mudanças na guitarra solo e bateria, o Kiss conseguiu um feito histórico que é manter metade de sua formação intacta por 50 anos. Gene Simmons e Paul Stanley chegaram a ter divergências, momentos de distanciamento, mas jamais romperam laços.

Durante sessão de perguntas e respostas na recente edição do Kiss Kruise, o Starchild foi convidado a refletir sobre o relacionamento com o colega e amigo. Ele declarou, de acordo com transcrição do Blabbermouth:

“Sim, somos muito diferentes, mas certamente compartilhamos um orgulho no que fazemos, uma ética de trabalho. Talvez porque nossos pais vieram da Europa, onde acho que isso é importante, é esse orgulho do trabalho duro que você faz pelo seu dinheiro. Fora isso, acho que uma das coisas que levei muito tempo para aprender – e acho que Gene também, a propósito… é que somos uma família. Ele é um irmão para mim.”

Como é tradicional entre irmãos, nem sempre há harmonia. Paul admite, mas conta como fez para contornar a situação.

“Lembro que havia coisas sobre ele que costumavam me deixar louco. Então percebi que isso não é problema dele, é problema meu. Quando as pessoas fazem algo e isso te incomoda, você precisa descobrir por que isso te incomoda, não esperar que eles mudem. Não é sobre eles. E as coisas que costumavam me incomodar sobre Gene, eu só tive que descobrir, ‘Espere um minuto. Esse é o meu problema que me incomoda. E por que isso me incomoda?’ Porque ele só pode ser o melhor que ele pode ser. Ele nunca vai ser eu, e eu nunca vou ser ele. Então é apenas uma questão de colocar um monte de coisas de lado. Não vamos mudar ninguém, então precisamos descobrir por que isso nos incomoda.”

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André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes
André Luiz Fernandes é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Interessado em música desde a infância, teve um blog sobre discos de hard rock/metal antes da graduação e é considerado o melhor baixista do prédio onde mora. Tem passagens por Ei Nerd e Estadão.

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