A história da morte de Heath Ledger, pouco após ter gravado como Coringa

Ator morreu tragicamente em seu apartamento; sua preparação para viver o vilão é apontada como principal causa

A morte de Heath Ledger, que ocorreu em 22 de janeiro de 2008, ainda desperta a curiosidade de muitas pessoas. O ator foi encontrado sem vida em seu apartamento meses antes da estreia de “Batman: O Cavaleiro das Trevas”, ocasião em que interpretou o vilão Coringa, que lhe rendeu até mesmo um Oscar póstumo de ator coadjuvante.

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Sua chocante, prematura e repentina morte, com apenas 28 anos de idade, esteve cercada de inúmeras circunstâncias. Elas envolvem sua famosa preparação para viver o personagem no filme, as consequências que ela teve em seu corpo e mente e alguns problemas pessoais que viveu.

Abaixo, lembre todos os acontecimentos que culminaram na morte do ator.

A preparação para viver o Coringa

As circunstâncias que resultaram na morte de Heath Ledger tiveram início justamente na época em que iniciou sua preparação para viver o Coringa em “Batman: O Cavaleiro das Trevas”.

Como já foi amplamente divulgado na época de sua morte, o ator tomou a decisão drástica de se trancar em um quarto de hotel durante um mês para se preparar. Ele também escreveu um diário para documentar todo o processo.

O próprio Heath Ledger disse que passava boa parte do tempo tentando encontrar a voz que seria perfeita para o personagem.

“Fiquei sentado em um quarto de hotel em Londres por um mês, me tranquei nele, escrevi um diário e testei várias vozes. Era importante tentar encontrar uma que fosse icônica e uma risada. Acabei parando no lado da psicopatia. (O Coringa) é alguém com pouca consciência dos seus atos. Ele é um sociopata absoluto, um palhaço assassino de sangue frio.”

Kim Ledger, pai do ator, revelou em um documentário o que encontrou no diário escrito pelo filho. O caderno continha imagens de hienas, uma foto do personagem Alex DeLarge, de “Laranja Mecânica” e alguns diálogos escritos à mão.

A página final foi o que mais assustou Kim: ela tinha a palavra “bye bye” (“tchau”, em português), escrita em letras grandes.

“Foi difícil ter lido aquilo. Ele entrou na pele do personagem, era algo típico do Heath. Ele fazia isso, ele gostava de viver seus personagens, mas neste caso, foi além do limite.”

Christopher Nolan, diretor de “Batman: O Cavaleiro da Trevas”, revelou um detalhe perturbador da preparação de Heath Ledger: ele chegou a estudar bonecos de ventriloquismo para o papel, pois eles assustavam o ator.

A separação da namorada e da filha

Na mesma época em que estava gravando “Batman: O Cavaleiro da Trevas”, Heath Ledger também passou por alguns problemas familiares.

Em setembro de 2007, ele se separou da atriz Michelle Williams. Os dois começaram a namorar em 2004, após se conhecerem no set de “Brokeback Mountain”, outro filme de renome da carreira do ator.

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O casal havia comprado uma casa no bairro do Brooklyn, em Nova York, onde moravam com a filha, nascida em 2005.

No entanto, após o término, Ledger deixou o local e se mudou para o SoHo, em Manhattan. Já Michelle e a menina continuaram na residência.

O motivo exato do término nunca foi revelado por Michelle Williams, mas informações divulgadas na época diziam que a separação ocorreu por conta do estilo de vida de Ledger e uso de drogas.

Gerry Grennell, amigo e técnico de voz de Ledger que viveu com o ator em suas últimas semanas de vida, acredita que a separação pode ter contribuído para sua morte.

“Ele sentia falta da família, sentia falta da filha. Ele queria vê-la desesperadamente, segurá-la e brincar com ela. Ele estava desesperadamente infeliz e triste.”

A insônia persistente de Heath Ledger

Se não bastassem todos esses problemas pessoais, Heath Ledger logo começou a sentir os efeitos de sua preparação extrema para viver o Coringa em “Batman: O Cavaleiro das Trevas”.

Ainda durante as gravações, o ator começou a sofrer de insônia e passou a tomar medicamentos por conta própria para conseguir dormir. O próprio Heath Ledger confirmou o fato, em entrevista para o jornal The New York Times, após o término das gravações.

“Semana passada, provavelmente dormi uma média de duas horas por noite. Não conseguia parar de pensar. Meu corpo estava exausto, mas minha mente não parava.”

Gerry Grennell confirmou que o amigo, de fato, não conseguia dormir à noite.

“Eu o escutava andando pelo apartamento, me levantava e dizia: ‘vamos, cara, volte pra cama, você tem que trabalhar amanhã’. E ele me dizia: ‘eu não consigo dormir, irmão’.”

Os problemas de insônia de Ledger persistiram enquanto gravava “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”, o último filme de sua carreira.

Seus colegas de elenco afirmaram que ele “sofria” de pneumonia andante – termo informal usado para pneumonias leves que não necessitam de repouso –, já que ele não conseguia dormir e misturava remédios para tentar pegar no sono.

A trágica morte de Heath Ledger

Não demorou muito para a família de Heath Ledger logo se preocupar com seu estado. Kim Ledger revelou que na noite anterior a sua morte, o ator conversou pelo telefone com a irmã, Kate, que estava preocupada com os remédios que o irmão tomava para dormir.

“A irmã falou com ele pelo telefone na noite anterior e pediu para ele não misturar remédios com comprimidos para dormir. Ele disse: ‘Katie, Katie, estou bem, sei o que estou fazendo.”

No dia seguinte, 22 de janeiro de 2008, Heath Ledger foi encontrado morto em seu apartamento. Inicialmente, sua empregada não estranhou o sumiço do ator, pois acreditava que ele estava apenas dormindo – ela afirmou que o escutou roncando por volta de 12h30 naquele dia.

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No entanto, a situação se tornou preocupante quando a massagista de Ledger, com quem havia marcado um horário às 15h, notou que ele não abria a porta do quarto.

Ela e a empregada entraram no local à força e encontraram Ledger inconsciente e nu no chão do quarto. Elas tentaram acordá-lo, sem sucesso, e chamaram ajuda.

Era tarde demais: Heath Ledger já estava morto.

Causa da morte, rumores e opinião da família

A causa oficial da morte de Heath Ledger, segundo a perícia, foi uma “overdose acidental de remédios prescritos”. A autópsia encontrou analgésicos, comprimidos para dormir e remédios antidepressivos no corpo do ator.

Mais especificamente, Ledger sofreu uma intoxicação aguda das seguintes substâncias: oxidocona, hidrocona, diazepam, alprazolam, temazepam e doxilamina.

Segundo especialistas, esta combinação faz o tronco cerebral “desligar”, e por consequência, o coração e pulmões param de funcionar.

Apesar de as autoridades terem declarado que a morte do ator foi acidental, logo surgiram rumores de que a atriz Mary-Kate Olsen, amiga próxima de Heath Ledger, poderia ter fornecido a ele o coquetel fatal de medicamentos.

Mary-Kate Olsen (foto: David Shankbone / CC BY 3.0)

O motivo é que a massagista de Ledger ligou para Olsen assim que o encontrou morto. No entanto, ao invés de chamar a polícia, a atriz optou por enviar seguranças particulares ao apartamento, informação que gerou suspeitas assim que foi divulgada.

Além disso, Mary-Kate Olsen só aceitou cooperar com as investigações da morte se ficasse imune de qualquer processo judicial. Apesar destes rumores, nunca foi comprovado que a atriz forneceu os medicamentos para Heath Ledger.

Após tudo ter sido esclarecido pelas autoridades, a opinião pública logo passou a considerar que a preparação extrema de Heath Ledger para viver o Coringa foi o principal fator que causou a sua morte.

No entanto, sua irmã, Kate, já revelou que pensa o contrário.

“Honestamente, eu penso o oposto. Ele tinha um grande senso de humor e acho que apenas sua família e amigos mais próximos sabiam disso. Mas ele estava se divertindo. Ele não estava depressivo com o Coringa.”

Já Kim Ledger acredita que o filho foi o grande responsável pela sua morte.

“Foi totalmente culpa dele. Não foi de mais ninguém. Ele só colocou essas pessoas em sua vida. Não há como culpar mais ninguém por essa situação. É difícil aceitar isso porque eu o amava demais e era muito orgulhoso dele.”

Assim como outros artistas famosos, Heath Ledger acabou partindo tragicamente e cedo demais por conta de uma overdose de remédios. No entanto, podemos dizer que deixou um enorme legado na sétima arte.

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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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