Arctic Monkeys mostram que não precisam de guitarras para serem eles mesmos em “The Car”

Sétimo álbum do quarteto inglês continua a mudança para uma sonoridade mais orquestral, soando mais confiantes e superiores do que no disco anterior

Quatro anos se passaram desde o álbum mais polêmico da carreira do Arctic Monkeys. O grupo se estabeleceu como uma das mais importantes bandas inglesas do século 21 com uma sonoridade calcada em guitarras, mas em “Tranquility Base Hotel & Casino” (2018) eles abandonaram isso em favor de músicas lounge com temática sci-fi.

Muitos fãs desejavam que “The Car” fosse um retorno às origens. Portanto, se o ouvinte chegar querendo os riffs do passado, pode ficar decepcionado. Contudo, enquanto “Tranquility Base…” era uma revolta do Arctic Monkeys contra si mesmo, esse novo disco é uma evolução saudável.

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A banda soa muito mais coesa nesse álbum do que no anterior, com os integrantes demonstrando um conforto maior dentro dos arranjos mais orquestrais. A influência de Scott Walker – geralmente relegada ao projeto paralelo do vocalista e guitarrista Alex Turner – é incorporada naturalmente, aproveitando o talento do grupo. 

Dos ganchos às letras introspectivas

O Arctic Monkeys sempre foi um grupo com riffs excelentes porque Alex Turner e o também guitarrista Jamie Cook têm um senso de melodia apuradíssimo. As guitarras em “The Car” adotam um papel mais encarregado de texturas; ainda assim, há ganchos de piano memoráveis que embalam as letras mais introspectivas da carreira do frontman.

Em entrevistas, Turner tem dito que as novas músicas não retratam situações da vida real, porém emoções inerentes à sua experiência. O Arctic Monkeys foi uma das primeiras bandas a adquirir fama pela internet e embora todos os integrantes tenham passado quase metade de suas vidas sob os holofotes, o vocalista tem o peso adicional de ser considerado desde os 19 anos um dos maiores rockstars do Reino Unido.

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Nos anos 2010, ele tentou encontrar refúgio em personas roqueiras para se esconder. O conceito por trás de “Tranquility Base Hotel & Casino” é o ápice disso. Já em “The Car”, Turner soa como alguém confortável consigo, consciente de seu lugar no panteão e decidido a seguir seu próprio instinto.

Início de algo novo

“The Car” é o começo de algo novo para o Arctic Monkeys. Por mais que não soe como os trabalhos responsáveis por elevar o grupo à sua posição, existe muita qualidade no disco.

Os singles “There’d Better Be A Mirrorball” e “Body Paint” são baladas cheias de drama e romance, mas vale apontar também “Sculptures of Anything Goes” com seu arranjo lúrido e “Hello You”, que tem talvez o melhor gancho de piano do álbum.

Isso é música para dançar agarrado, sussurrando besteira no ouvido da pessoa amada pra fazer rir antes de um beijo. Pode não ser o esperado de um grupo como o Arctic Monkeys, mas é bem-vindo do mesmo jeito.

Ouça “The Car” a seguir, via Spotify, ou clique aqui para conferir em outras plataformas digitais.

O álbum está na playlist de lançamentos do site, atualizada semanalmente com as melhores novidades do rock e metal. Siga e dê o play!

Arctic Monkeys – “The Car”

  1. There’d Better Be A Mirrorball
  2. I Ain’t Quite Where I Think I Am
  3. Sculptures Of Anything Goes
  4. Jet Skis On The Moat
  5. Body Paint
  6. The Car
  7. Big Ideas
  8. Hello You
  9. Mr Schwartz
  10. Perfect Sense

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Pedro Hollanda
Pedro Hollanda
Pedro Hollanda é jornalista formado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso e cursou Direção Cinematográfica na Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Apaixonado por música, já editou blogs de resenhas musicais e contribuiu para sites como Rock'n'Beats e Scream & Yell.

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