Foto: divulgação

Como o Helloween renasceu com nova formação em “Master of the Rings”

Sangue novo de Andi Deris e Uli Kusch era exatamente o que a banda precisava depois de passar anos em guerra interna com Michael Kiske

Após as duas partes do clássico “Keeper of the Seven Keys”, lançadas em 1987 e 1988, o Helloween entraria em uma espiral descendente que só mudaria de direção com as chegadas do vocalista Andi Deris e do baterista Uli Kusch.

A nova formação gravou o álbum “Master of the Rings” (1994), que se tornou o símbolo do renascimento da banda alemã – agora com um frontman que compensava o fato de não ser uma unanimidade com muito carisma.

A situação do vocalista anterior, Michael Kiske, na banda ficou insustentável após o lançamento do experimental e criticado “Chameleon” (1993), onde os membros trabalharam de forma praticamente individual em algumas faixas.

Antes de Kiske, foi demitido o baterista Ingo Schwichtenberg, devido a problemas com abuso de drogas e álcool. Tais complicações levariam ao seu suicídio em 1995.

Unindo o útil ao agradável

Sem vocalista e sem baterista, o guitarrista Michael Weikath decidiu repetir uma oferta que ele já havia feito em 1991, quando as coisas já não iam bem no Helloween. A opção era Andi Deris, então vocalista do Pink Cream 69 – que, coincidentemente, não estava em boa fase com sua banda.

O próprio Deris, em entrevista ao site IgorMiranda.com.br relembrou como o convite se encaixou como uma luva.

“Ele (Weikath) me disse: ‘agora você finalmente vai para Hamburgo, encontre-se conosco e entre para essa banda agora, senão eu acabo com essa banda’. Essas foram suas palavras. Eu falei: ‘uh, ok’. Como sempre, ele sentiu que havia algo de errado com o Pink Cream 69. Tivemos muitos problemas exatamente ao mesmo tempo. Eu falei: ‘sabe de uma coisa… estou indo para Hamburgo, amanhã pego o trem e mostro minhas demos, aí eu decido’.”

A vaga de Schwichtenberg na bateria foi preenchida antes mesmo da saída de Kiske por um músico contratado, Ritchie Abdel-Nabi. Ele terminou a turnê de “Chameleon”, mas foi dispensado logo em seguida.

Uli Kusch, vindo do Gamma Ray – banda chefiada pelo ex-membro Kai Hansen -, chegou para ocupar o lugar de forma definitiva. A essa altura, a produção do novo disco já estava a todo vapor e ele seria importante para o futuro do Helloween.

Uma pitada de hard rock refrescante

Depois de passar alguns anos em guerra, o Helloween ganhou um bom refresco com a entrada dos novos membros. As sessões de gravação do que viria a ser “Master of the Rings” fluíram muito bem e foram relativamente rápidas, com as ideias se encaixando bem.

Deris trouxe ideias novas, temperadas pelo hard rock com o qual estava acostumado e a banda ganhou muito com isso, como relatou o baixista Markus Grosskopf em entrevista ao Metal Rules.

“Foi muito rápido porque haviam algumas músicas de Weiki (Michael Weikath) e Roland (Grapow, guitarrista) tinha algumas coisas e então combinamos com coisas que Andi trouxe para a banda e funcionou muito bem e de forma incrível, porque foi muito rápido. Tivemos uns 3 meses para ensaiar e então o estúdio foi agendado e… Foi uma sessão muito rápida e eu gostei. Houve também uma mudança de baterista porque trouxemos Uli Kusch, mas ainda fizemos tudo em três meses.”

A chegada de Andi Deris, oriundo do Pink Cream 69, deu ao Helloween um esperado tempero hard rock, mas que esteve longe de descaracterizar a banda.

Em termos sonoros, o power metal de contornos épicos e aura descontraída ainda estava lá, mas agora em momentos em que tirava um pouco o pé do acelerador e ganhava força em refrãos poderosos. A banda definitivamente saiu ganhando.

Bons resultados para o Helloween

A substituição de um vocalista do calibre de Michael Kiske sempre vai dividir opiniões. Aqui não foi diferente.

As características vocais de Deris são muito diferentes de seu antecessor, mas até mesmo para os seus detratores – que foram ficando cada vez mais raros com o passar dos anos – era difícil negar que “Master of the Rings” era um bom disco do Helloween.

Quatro singles foram lançados para divulgar o álbum: “Mr. Ego (Take Me Down)” é uma boa composição de Roland Grapow, enquanto “Where the Rain Grows”, “Perfect Gentleman” e a paulada “Sole Survivor” são bons exemplos de como Deris e Weikath funcionaram bem compondo juntos.

Nas paradas, o melhor resultado de “Master of the Rings” foi um ótimo 6º lugar no Japão, mercado que pareceu gostar mais da nova fase do grupo do que a chamada era clássica.

A partir dali, o Helloween partiria para fechar a década com uma boa sequência de álbuns, agora com mais confiança e entrosamento. Uli Kusch ficaria na banda até 2001, saindo junto com Grapow para formar o Masterplan.

Enquanto isso, Andi Deris seguiria sendo de extrema importância até os dias de hoje, permanecendo na formação mesmo com a volta de seus dois antecessores, Michael Kiske e Kai Hansen.

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