Foto: Ben Wolf

Deep Purple critica invasão russa à Ucrânia; cada integrante se manifesta

Banda também fez citação à música “Child in Time”, composição que versa sobre os medos da Guerra Fria, à época assolando o planeta

O Deep Purple usou suas redes sociais para se manifestar contra a invasão russa à Ucrânia. A banda se apresentaria em Kiev dia 31 de maio e em Moscou no dia 4 de junho. Obviamente, assim como tem acontecido com vários outros artistas, os shows foram cancelados.

Cada músico realizou uma manifestação oficial individual, acompanhada da letra da música “Child in Time”. Presente no álbum “In Rock”, a canção versa sobre os medos da Guerra Fria, que assolava o planeta à época.

O baixista Roger Glover foi o primeiro:

“Como muitos artistas, ocasionalmente realizamos concertos privados para fãs em vários países. Somos uma banda apolítica e de forma alguma nossa intenção foi política. Era música. Hoje em dia é diferente. Condenamos os militares de Putin pelas atrocidades cometidas contra homens, mulheres e crianças inocentes na Ucrânia. Pedimos desculpas aos nossos fãs russos e ucranianos pelos shows que foram cancelados. Vivemos na esperança de poder cumprir essas datas no futuro.”

O tecladista Don Airey veio a seguir:

“Assisti às notícias de que mísseis russos acabaram de destruir a Opera House, na Praça da Liberdade de Kharkiv, onde o Deep Purple tocou há quase exatamente 20 anos. Foi memorável ver Ian Gillan vestindo um tutu que encontrou em um armário de camarim e se proclamando ‘Deep Purple in Frock’. O equipamento chegou às 19h e de alguma forma o show começou às 20h. Havia um velho apparatchik (termo usado para funcionários do governo) sozinho tentando fazer o público jovem sentar durante o set com tanto zelo que ele teve uma convulsão. No dia seguinte, no caminho de volta para o aeroporto, minha pergunta sobre uma estátua ‘Aquele é Lenin?’ e Roger Glover respondendo ‘Bem, definitivamente não é McCartney’. Um dia diferente. Hoje eu acabei de escrever para Dmitri Medvedev, ex-presidente e agora chefe do Conselho de Segurança Russo devolvendo o autógrafo que ele me deu no jantar do Deep Purple no Palácio Gorky em março de 2011, em protesto contra suas várias declarações após a invasão.”

O vocalista Ian Gillan foi enfático:

“Se nos posicionarmos significa que nunca veremos nossos amigos russos novamente, então isso é um grande sacrifício. Mas nada comparado a nunca mais ver nossos amigos ucranianos que estão sendo mortos para satisfazer as ambições psicopáticas do líder russo. Eu gostaria de ver os russos nas ruas aos milhões, para mostrar seu desgosto com a invasão ucraniana. Gostaria de sonhar que, muito rapidamente, a Rússia pode encontrar alguma liderança moderna que os traga de volta ao mundo como amigos. Temos muito em comum.”

Único membro original da banda, o baterista Ian Paice declarou:

“O que está acontecendo é além de angustiante. É criminoso e deve ser tratado como tal. Espero que a invasão do exército de Putin na Ucrânia resulte em sua queda final. E que alguém que esteja ‘funcionando mentalmente no século 21’ possa trazer o povo russo de volta à realidade.”

O guitarrista Steve Morse finalizou:

“Sempre pensei que a música deveria ser apolítica e cruzar todas as fronteiras como a linguagem universal. Como cidadão de um país profundamente dividido, uma coisa aqui com a qual todos concordam é: pare com esse ataque em um país que voluntariamente desarmou suas armas nucleares para satisfazer todos os grandes jogadores. Parem, baixem suas armas, voltem, ajudem os outros no caminho de volta!” 

Deep Purple e “Turning to Crime”

Em novembro do ano passado, o Deep Purple lançou o álbum “Turning to Crime”. Produzido por Bob Ezrin, o trabalho é composto apenas por covers de artistas que influenciaram o grupo. Chegou ao top 10 em seis paradas europeias.

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