Arjen Lucassen mata saudade do Star One e satisfaz fãs com “Revel in Time”

Terceiro álbum do projeto criado pelo líder do Ayreon reúne convidados como Tony Martin, Joe Lynn Turner e Jeff Scott Soto, Floor Jansen, Russell Allen, Roy Khan e Damian Wilson

O holandês Arjen Lucassen surgiu na cena com a banda de hard rock Vengeance. O grupo alcançou certo sucesso na cena europeia, mas não atendia os anseios artísticos do guitarrista, que resolveu partir para uma aventura diferente. Assim surgiu o Ayreon, projeto que desencadeou uma série de variações. Uma delas é o Star One, que após mais de uma década lança seu terceiro disco, “Revel in Time”, divulgado pela InsideOut Music.

Ao contrário do Ayreon, projeto principal de Arjen onde histórias são criadas e ditam o conceito dos discos, as músicas do Star One são inspiradas em obras sci-fi, prioritariamente filmes e séries televisivas. Embora não haja uma história ligando as faixas, todas abordam o tema da manipulação do tempo como ponto em comum. Em declaração promocional, o criador estabeleceu parâmetros comparativos.

“O Ayreon é a nave-mãe da minha música. Ele contém todos os diferentes estilos musicais que gosto de ouvir e adoro criar. Mas estou sempre em busca de desafios, tentando criar algo novo e original. Trabalhar dentro de um conjunto de restrições força você a fazer isso, então às vezes gosto de me limitar a apenas um componente.

Por exemplo, com o Star One eu foco no lado metálico do Ayreon. Isso significa que você não ouvirá o uso exuberantemente liberal de instrumentos acústicos que são tão frequentemente apresentados em outros álbuns meus, como violino, instrumentos de sopro, violoncelo, trompas, dulcimer, bandolim, etc.”

O criador da obra gravou guitarra, baixo e teclados, além de vocais. Seu fiel escudeiro Ed Warby registrou a bateria. Os convidados podem ser conferidos na tracklist ao final do texto.

De cara, “Revel in Time” chama atenção pela maneira como Arjen distribuiu a tracklist. São 11 faixas, cada uma ganhando duas versões com diferentes vocalistas. Aliás, interessante notar o prestígio adquirido pelo músico, que com o passar dos anos pôde escalar um cast muito mais amplo de intérpretes, fugindo da cena power/prog europeia. Aqui há espaço para nomes históricos, como Tony Martin (Black Sabbath), Joe Lynn Turner (Rainbow, Deep Purple) e Jeff Scott Soto (mais bandas que o espaço comporta) juntos aos velhos conhecidos como Floor Jansen, Russell Allen, Roy Khan e Damian Wilson.

Quando o assunto é guitarristas, Arjen também se cercou de um time de craques, como Steve Vai, Adrian Vandenberg, Ron “Bumblefoot” Thal (Sons of Apollo) e Michael Romeo (Symphony X), entre outros. Corais e sintetizadores também fazem parte da composição do time que entrega uma obra cheia de climas e ambientes sonoros.

Não dava para esperar algo diferente, mas é bom avisar: não se trata de um disco que você absorve por completo em uma ou duas escutadas. Cada faixa possui diferentes camadas que vão sendo absorvidas à medida que o ouvinte vai se acostumando e descobrindo novidades.

Também é interessante citar que, em vários aspectos, o álbum funciona como uma dramatização. Dá para comparar com um filme, uma série ou até mesmo uma peça teatral pela maneira como a coisa se desdobra musicalmente. Sendo assim, não é de se espantar que o clímax seja alcançado na última música: tanto na versão com Roy Khan quanto na com Tony Martin, “Lost Children of the Universe” é de uma grandiosidade assombrosa. Candidata a figurar em playlists de melhores músicas do ano com todos os méritos.

Ainda vale citar a ótima “Back From The Past”, em uma das melhores performances de Jeff Scott Soto nos últimos tempos e “Bridge of Life”, com o sempre ótimo Damian Wilson, o homem que obteve o feito de melhorar uma música originalmente gravada por Bruce Dickinson (“Into the Black Hole”, do Ayreon, interpretada por ele em “Live on Earth”, trabalho ao vivo do Star One).

“Space Metal”, debut do projeto, ainda é o melhor disco da empreitada. Mas “Revel in Time” merece ser conferido e apreciado. Talvez seja meio cansativo escutar em sequência, especialmente pelo fato de as canções se repetirem. Mas dá para contornar alternando com outros plays e até mesmo guardando um pouco para mais tarde. O fato é que o talento de Arjen Lucassen merece ser reconhecido e louvado.

Ouça “Revel in Time” a seguir, via Spotify, ou clique aqui para conferir em outras plataformas digitais.

O single está na playlist de lançamentos do site, atualizada semanalmente com as melhores novidades do rock e metal. Siga e dê o play!

Arjen Anthony Lucassen’s Star One – “Revel in Time”

CD 1

  1. “Fate Of Man” (Vocais: Brittney Slayes, solo de guitarra: Michael Romeo)
  2. “28 Days (Till The End Of Time)” (Vocais: Russell Allen, solo de guitarra: Timo Somers)
  3. “Prescient” (Vocais: Michael Mills e Ross Jennings)
  4. “Back From The Past” (Vocais: Jeff Scott Soto, solo de guitarra: Ron “Bumblefoot” Thal)
  5. “Revel In Time” (Vocais: Brandon Yeagley, solo de guitarra: Adrian Vandenberg)
  6. “The Year Of ’41” (Vocais: Joe Lynn Turner, Vocalizações: Will Shaw, solo de guitarra: Joe Hoekstra, solo de sintetizador: Jens Johansson)
  7. “Bridge Of Life” (Vocais: Damian Wilson)
  8. “Today Is Yesterday” (Vocais: Dan Swanö, sintetizadores Mood: Lisa Bella Donna, solo de guitarra: Marcel Singor)
  9. “A Hand On The Clock” (Vocais: Floor Jansen, solo de Hammond: Joost van den Broek
  10. “Beyond The Edge Of It All” (Vocais: John Jaycee Cuijpers, solo de guitarra: Arjen Lucassen)
  11. “Lost Children Of The Universe” (Vocais: Roy Khan, Coral: Hellscore Choir, solo de guitarra: Steve Vai)

CD 2

  1. “Fate Of Man” (Vocais: Marcela Bovio)
  2. “28 Days (Till The End Of Time)” (Vocais: John Jaycee Cuijpers)
  3. “Prescient” (Vocais: Will Shaw)
  4. “Back From The Past” (Vocais: John Jaycee Cuijpers)
  5. “Revel In Time” (Vocais: John Jaycee Cuijpers)
  6. “The Year Of ’41” (Vocais e solo de sintetizador: Alessandro Del Vecchio)
  7. “Bridge Of Life” (Vocais: Wilmer Waarbroek)
  8. “Today Is Yesterday” (Vocais: Arjen Lucassen)
  9. “A Hand On The Clock” (Vocais: Marcela Bovio e Irene Jansen)
  10. “Beyond The Edge Of It All” (Vocais: Mike Andersson)
  11. “Lost Children Of The Universe” (Vocais: Tony Martin)

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