Foto: Tallee Savage / divulgação

Ronnie Atkins lança “One Shot”, seu primeiro álbum solo e um grande registro AOR

Você não sabia que precisava de um álbum solo de Ronnie Atkins até ouvi-lo. “One Shot”, primeiro trabalho assinado apenas pelo vocalista do Pretty Maids, aposta na força de um bom gancho harmônico e em uma orientação AOR/melodic rock interessante.

Ronnie Atkins, vocalista conhecido por seu trabalho com a banda dinamarquesa de hard n’ heavy Pretty Maids, lançou seu primeiro álbum solo nesta sexta-feira (12). Intitulado “One Shot“, o trabalho chega a público por meio da gravadora Frontiers Music Srl.

Você não sabia que precisava de um álbum solo de Ronnie Atkins até ouvi-lo. Como apontado nos parágrafos a seguir, nem o veterano vocalista, hoje com 56 anos, sabia que necessitava desse disco, que soa incrível em diversas instâncias.

Ouça “One Shot” a seguir, via Spotify:

Em material de divulgação, Atkins contou que, inicialmente, não tinha intenção de gravar um álbum solo. Porém, mudou de ideia por diversas razões, ligadas especialmente à sua própria saúde.

Em 2019, o cantor foi diagnosticado com câncer no pulmão. Após o tratamento, os médicos disseram, no início de 2020, que ele estava livre da doença. Porém, seis semanas depois, o tumor retornou – e em estágio 4, o mais grave, quando já se espalha por outros órgãos.

Ele comenta:

“Descobrir que o câncer estava em estágio 4 e era incurável foi algo devastador. Foi algo que mudou minha situação. Entrei em pânico por um tempo, mas quando a poeira abaixou, percebi que havia duas formas de abordar isso: eu poderia aceitar e sentir pena de mim mesmo ou poderia me reerguer, definir algumas metas, seguir meus sonhos e continuar vivendo. Com apoio fantástico de minha família e amigos, optei pela segunda alternativa.”

Além disso, a pandemia do novo coronavírus freou qualquer atividade de Atkins que pudesse ser retomada. O Pretty Maids lançou o álbum “Undress Your Madness” em 2019, mas não conseguiu fazer turnê para divulgá-lo.

Era o cenário ideal para a gravação de um álbum solo. Nasceu, assim, “One Shot”, cujas músicas já vinham sendo criadas, só que não para um trabalho solo.

O grande parceiro de Ronnie nesse trabalho é Chris Laney, tecladista do Pretty Maids desde 2016. O músico assumiu a produção e tocou guitarra e teclado, além de ter guiado, à distância, as gravações da banda de apoio e de convidados como Kee Marcello (ex-Europe), Allan Sørensen (ex-Royal Hunt e Pretty Maids), Morten Sandager (ex-Pretty Maids) Pontus Egberg (King Diamond), Pontus Norgren (Hammerfall), Björn Strid (Soilwork / The Night Flight Orchestra), entre outros.

Ronnie destaca:

“Musicalmente e liricamente, o álbum passou por um diferente processo, considerando tudo que aconteceu comigo. […] É, basicamente, um álbum de melodic rock com um toque de peso. Liricamente, também traz uma abordagem diferente. Achei difícil compor sobre sexo, drogas e rock and roll devido à minha situação, então as letras são um pouco mais pessoais e até melancólicas, mas refletem meus pensamentos no tempo em que foram escritas.”

O resultado impressiona pelo bom gosto. De fato, o vocalista buscou uma orientação artística mais próxima de seu trabalho recente com o Pretty Maids, ainda que seja mais melódica e mais hard rock que o habitual. Há, porém, momentos em que a pegada foge desse formato – e essas faixas são, no geral, as mais atrativas.

A abertura “Real”, já conhecida do público, é uma delas. Além de explorar vertentes mais suaves do AOR, a canção aposta nas transições vocais de Ronnie, que vai do grave ao agudo com maestria. Outro destaque é “Scorpio”, que traz um toque adicional de peso, mas surpreende com alguns ganchos harmônicos menos convencionais.

Entre outras músicas dignas de menção, há “Subjugated”, quase um pop rock que chama atenção pela condução rítmica diferente; “I Prophesize”, cujas linhas vocais reforçam que a voz de Atkins envelheceu como vinho; e “When Dreams Are Not Enough”, com melodia que gruda na cabeça de forma instantânea.

Até os momentos menos ousados são satisfatórios. “One Shot”, por exemplo, abusa do clássico formato que vai de balada no piano a um legítimo arena rock. “Frequency of Love” e “Before the Rise of an Empire”, cada uma a seu modo, poderiam entrar em álbuns do Pretty Maids – o que nunca é ruim.

Além da sempre elogiável performance vocal de Ronnie Atkins, há de se destacar o capricho no instrumental, bem arranjado e com camadas densas. Nem sempre fui convencido pelo padrão de produção da Frontiers, mas dessa vez eles acertaram – talvez por trazer um músico tão próximo de Ronnie assumindo a função.

“One Shot” é um daqueles discos que vale a pena parar pra ouvir, dando atenção às letras, aos arranjos instrumentais, aos vocais, às transições melódicas e tudo o mais. Promete ser um dos grandes álbuns de hard rock melódico em 2021. Definitivamente, não pode ser o canto do cisne de Atkins.

O álbum está representado em minha playlist de lançamentos, atualizada semanalmente. Siga e dê o play:

Ronnie Atkins – “One Shot”

1. Real
2. Scorpio
3. One Shot
4. Subjugated
5. Frequency Of Love
6. Before The Rise Of An Empire
7. Miles Away
8. Picture Yourself
9. I Prophesize
10. One By One
11. When Dreams Are Not Enough

Formação:

Ronnie Atkins (vocal)
Chris Laney (guitarra, teclados e backing vocals)
Pontus Egberg (baixo)
Allan Sørensen (bateria)
Morten Sandager (teclados)
Anders Ringman (violão)

Convidados para guitarra solo: Pontus Norgren, Kee Marcello, Olliver Hartmann, John Berg

Backing vocals adicionais: Linnea Vikström Egg, Olliver Hartmann, Bjørn Strid

* Foto da matéria: Tallee Savage / divulgação

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