Como o Kiss ficou marcado pelo visual tosco e por shows vazios na fase “Asylum”

Trajes da época incomodavam aos integrantes e até ao público, que não comparecia com regularidade às apresentações da turnê do álbum

Poucos fãs de Kiss citam “Asylum” como um de seus álbuns favoritos. Lançado em setembro de 1985, o 13° disco de estúdio da banda traz uma aposta ainda mais clara no hard rock oitentista, com visual glam bem exagerado e músicas menos pesadas.

O guitarrista Bruce Kulick, que fez seu primeiro trabalho completo com o Kiss em “Asylum” – em “Animalize” (1984), ele gravou apenas algumas faixas -, relembrou esse período em entrevista ao podcast Three Sides of the Coin. As falas foram transcritas pelo Ultimate Classic Rock.

Inicialmente, Kulick revelou por que a turnê de “Asylum” foi uma das poucas do Kiss a não ter ao menos um show filmado profissionalmente. A série de 91 shows que promoveu o álbum foi realizada entre novembro de 1985 e abril de 1986, somente nos Estados Unidos – com exceção de uma apresentação no Canadá e outra em Porto Rico.

De acordo com o guitarrista, o principal single de “Asylum”, “Tears are Falling”, estava tocando bastante na MTV naquele período. Ainda assim, os shows não traziam grande público.

Em algumas apresentações, a variação na plateia poderia ser brusca. Por isso, a banda não arriscou pagar uma equipe de filmagem para captar shows vazios – que, claro, não seriam lançados.

O visual exagerado em Asylum

Há quem diga que o visual do Kiss na capa e no encarte de “Asylum” está bastante exagerado. Bruce Kulick relembra que o figurino da turnê era ainda pior.

O principal integrante a sofrer com isso foi o vocalista e baixista Gene Simmons, que estava claramente desconfortável com tudo aquilo. Kulick relembra:

“Ele (Gene) estava desconfortável. Ele tentou fazer o que achava que poderia funcionar. Era um sofrimento. Se você olhar as fotos de divulgação do ‘Asylum’, ele não parecia tão louco. Agora, na turnê, enlouquecemos. Foi quando introduzimos os strass e as lantejoulas e tudo o mais.”

Houve, ainda, uma situação peculiar envolvendo Gene Simmons: a criação de uma capa iluminada que custou uma fortuna, mas durou só um dia.

“Foi um desastre. Custou uns US$ 5 mil para criar. Ele a usou um dia e só. Obviamente, não era a zona de conforto dele.”

Kiss voltando aos eixos

Após a turnê de “Asylum”, o Kiss começou a rever a questão relacionada a seu visual. O álbum “Crazy Nights” (1987) traz uma sonoridade ainda mais exagerada, no que diz respeito à estética do hard rock oitentista, mas as roupas já eram mais “comuns”, conforme Bruce Kulick relembra.

“Para o ‘Crazy Nights’, as coisas ficaram mais fáceis, as roupas eram de couro e mais resistentes. Em ‘Revenge’ (1992), realmente ajustamos o visual. Paul (Stanley, vocalista e guitarrista) consegue se safar ao vestir-se como uma stripper no palco, com todas aquelas cores, e ainda assim conseguir ser um frontman incrível. Ele mandava bem.”

Paul Stanley e Gene Simmons sobre “Asylum”

As memórias de Paul Stanley e Gene Simmons com relação a “Asylum” não são das melhores. No livro “Kiss Por Trás das Máscaras”, os músicos fizeram críticas ao trabalho.

Paul Stanley definiu “Asylum” como “uma tentativa de sequência do ‘Animalize'” que “não ficou boa”. O resultado só o agradou em “Tears Are Falling” e algumas outras músicas.

Gene Simmons, por sua vez, foi direto ao ponto:

“A capa do álbum ficou horrorosa. Eu provavelmente sinto a mesma coisa que senti com o álbum ‘Animalize’. Da mesma forma que o ‘Rock and Roll Over’ (1976) e o ‘Love Gun’ (1977) são álbuns-irmãos, nós tentávamos desesperadamente recuperar o que tínhamos sido nos anos 1970, mas não queríamos também ter o mesmo som daquela época. Por isso conseguimos um guitarrista mais acelerado e tentamos algumas coisas diferentes nas produções. Mas, quando o ‘Revenge’ saiu, acho que paramos de brincar e deixamos as coisas serem como elas são, sem tentar entender o que funcionava ou não.”

A capa de “Asylum”, vale lembrar, foi desenvolvida por Dennis Woloch, com base na arte de um disco da banda de new wave Motels. Sugestão de Paul Stanley.

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