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Para Dave Mustaine, metal de verdade nunca dominou o mainstream



O vocalista e guitarrista do Megadeth, Dave Mustaine, refletiu sobre a popularidade do heavy metal como um todo em entrevista à uDiscover Music, com transcrição do Ultimate Guitar. O músico destacou que o estilo nunca foi famoso de verdade, no que diz respeito ao mainstream – as principais paradas de sucesso, por exemplo.

“Não acho que o metal de verdade, com credibilidade, tenha dominado o mainstream em algum momento, porque foi justamente isso que matou o metal: a exposição ao mainstream. Acho que essa é uma das coisas que nos manteve relevantes”, afirmou.

Em seguida, Mustaine disse que o Megadeth nunca tentou “seguir tendências”. “Foi isso que nos manteve. Não diria que melhor ou acima de qualquer outro, mas ter nossos padrões e não tentar nos encaixar foi o que nos deu longevidade”, disse.

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O músico destacou, ainda, que sua percepção de público colaborou bastante para que a banda seguisse com sua força em meio aos fãs. “Não sei o que nos diferencia de outras bandas – acho que, provavelmente, tentar ser normal e ser apenas um dos caras. Você ficaria surpreso: eu como em redes de fast-food, gosto de coisas normais que as pessoas fazem”, afirmou.

Mustaine comentou que certas celebridades “tentam compensar o tempo perdido e compram todo tipo de coisa ao ficarem ricas rapidamente”. “Você vê isso no mundo dos esportes. Eles ensinam os atletas a não se deixarem levar pelos desejos da família. Eu nunca tive nada que não precisasse porque eu comecei abaixo do zero. Tudo era uma benção. Olho para essa forma que nos conectamos aos fãs e percebo que não há diferença socioeconômica entre nós. Eu já fui morador de rua, não tinha o que comer. Sei como é. Nunca me coloquei acima dos fãs”, disse.

Em outras entrevistas, Dave Mustaine já deu demonstrações de que se preocupa com o público. Ao canal The Metal Voice, por exemplo, ele disse que deixou de trabalhar com um promotor de eventos no Brasil devido ao preço cobrado por ingressos para shows do Megadeth.

“Se estou cantando uma música sobre um problema, você, que me ouve de Catmandu (Nepal), pensa: ‘eu nem sei o que é ter um carro, então, não me importo com esses problemas com carros’. Minha compaixão pelos garotos da Índia, porque eles se sacrificam para nos ver tocar. Tocamos no Brasil uma vez e um promotor maldoso cobrava US$ 275 (cerca de R$ 1 mil, na cotação atual) para um ingresso, só para sentar em um pequeno ponto ali. Fiquei irritado, demitimos o cara e nunca mais trabalhamos com ele. No custo de vida de lá, eram três meses de trabalho para pagar isso”, disse.


Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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