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Nergal diz que rock pode ser perigoso ao citar chute de Josh Homme em fotógrafa



Nergal, frontman do Behemoth, falou em entrevista à revista Kerrang! sobre o atual estado comportamental do rock como um todo. De acordo com o músico, o estilo perdeu o seu senso de liberdade e está se tornando “seguro demais”. Como exemplo, destacou que o chute dado por Josh Homme, líder do Queens Of The Stone Age, em uma fotógrafa durante um show representa o lado “caótico” e “perigoso” do gênero.

“Para mim, rock é liberdade. Significa fazer o que quiser. Estamos perdendo isso. Parece que o rock está se tornando seguro demais. Assisti ao Queens Of The Stone Age em Berlim e eles foram fantásticos. Naveguei online alguns dias depois e vi esse drama sobre Josh Homme ter chutado uma fotógrafa no rosto. Parece que todos estavam contra ele, como ele foi destruído! Por um lado, claro que foi algo ruim, que não deveria ser feito. Por outro lado, penso: gente, isso é rock and roll! Pode ser perigoso, caótico, estúpido. Pode sair do controle, tem seu próprio conjunto de direitos e regras”, afirmou.

Ainda segundo Nergal, o rock parece ter ficado reacionário e politicamente correto demais. “No passado, as pessoas sofriam overdose o tempo todo, morriam, matavam umas às outras. Somos uma cultura de uso de drogas e álcool e você tem que aceitar que, ocasionalmente, podemos usar demais. Você olha para Sid Vicious com uma suástica na camiseta e precisa entender que não significa que ele é um fascista. Significa que ele está chateado, chapado de heroína e fora de controle”, disse.

O músico citou sua própria condição com o Behemoth para justificar seu ponto de vista. “Sofri tantos boicotes e processos na Polônia por ter rasgado uma bíblia, me vestido de clero ou pela camiseta que lembra o brasão da Polônia. Essas piadas se tornaram manchetes e perdi muito por isso. Não tenho intenções, não sou político, sou uma pessoa do palco. Gosto de cutucar as coisas – é inspirador. Quando as pessoas compartilham pontos de vista, quanto mais radicais são, melhor é a discussão. Mas não há discussão por lá”, afirmou.

Por fim, Nergal pediu mais honestidade aos músicos de rock. “Não se trata de provocação, mas de honestidade. Amo GG Allin e Jack White igualmente, mas não quer dizer que Jack White precisa tirar o pênis para fora no palco e se cortar. Eles fazem parte do cânone mais amplo do rock e os respeito igualmente. Vejo bandas como o Prayers, cujos integrantes são ex-membros de gangues latinas. Há histórias malucas guardadas e você pode ouvi-las na música deles. São muito honestos e estou esperando por isso. Esse estilo é sobre liberdade, honestidade. Às vezes, o rock and roll pode te machucar. Se você não quer se machucar, você deveria ouvir Justin Bieber”, disse.

Relembre o caso de Josh Homme

Em dezembro do ano passado, o líder do Queens Of The Stone Age, Josh Homme, chutou a câmera da fotógrafa Chelsea Lauren durante um show da banda em Los Angeles. O impacto fez a profissional parar no hospital devido ao ferimento causado em seu rosto.

Minutos após o chute, Josh Homme pegou uma lâmina e começou a cortar o próprio rosto. O músico também chamou as pessoas na plateia “retardadas” e ofendeu a banda Muse, que seria a atração principal do evento.

“Não se sabe se Homme, de 44 anos, estava sob influência de álcool ou drogas no sábado. Em certo ponto, ele chamou a plateia de ‘retardada’ antes de insultar a atração principal da noite, o Muse. ‘F*da-se o Muse’, disse ele. […] Ele também incentivou a plateia a vaiá-lo e pediu para que todos tirassem suas respectivas calças, dizendo: ‘quero dar a vocês uma noite que vocês nunca vão se lembrar'”, diz uma publicação do site da revista Variety.

Inicialmente, Homme disse que não viu a fotógrafa e que estava “perdido na performance”, mas, devido à reação negativa, o músico pediu desculpas e admitiu que foi uma atitude de um “c*zão total”. “Não tenho nenhuma desculpa ou razão para justificar o que fiz. Fui um c*zão total, estou realmente arrependido e espero que você esteja bem. […] Quero ser um homem bom, mas acho que na última noite eu falhei. E isso significa que falhei com minha família e meus amigos. Não quero que eles fiquem envergonhados por estar próximos de mim ou por me conhecerem. Também peço desculpas aos meus colegas de banda, à minha mãe, ao meu pai, à minha esposa, ao meu irmão e aos meus filhos”, afirmou.

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Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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