O Raimundos ganhou uma série documental exclusiva no Globoplay. Intitulada “Andar na Pedra – A História do Raimundos”, a produção, dirigida por Daniel Ferro, estreou na última quinta-feira (19) e, por meio de entrevistas, traz revelações inéditas.
Até mesmo Rodolfo Abrantes aceitou participar. No quinto e último episódio, o ex-vocalista surpreendeu ao anunciar que vendeu a sua parte dos direitos autorais do catálogo do grupo, que abrange os lançamentos entre o disco de estreia “Raimundos” (1994) e “Só no Forevis” (1999).
Conforme transcrição do Whiplash, o cantor explicou:
“Aí vem aquele negócio: ‘É, tu vive dos direitos autorais do Raimundos’. Cara, ninguém sabe porque eu não fico bradando: vendi os direitos autorais do Raimundos (…). Eu quero uma vida nova, canções novas, uma forma nova de trabalhar, sabe? É um treco que eu não vejo como um peso que eu carregava, mas eu vejo como algo que simplesmente eu, pra mim mesmo, diante de Deus, eu… cara, vou deixar isso pra trás. Daqui pra frente é outra coisa.”
Ricardo Queirós, ex-empresário do Raimundos, confirmou a informação. Os valores e os detalhes da negociação não foram divulgados.
Vale mencionar que, após provocação de Digão em 2014, Rodolfo publicou um texto sobre o dinheiro advindo dos direitos autorais (via Guitar). À época, o artista destacou que ainda recebia royalties pelas canções que havia composto na banda, mas que não vivia “às custas do Raimundos”:
“Desde 1994 recebo royalties pelas canções que escrevi ou tive alguma participação. Sou compositor e essa é minha principal fonte de renda. É lícito, é digno, me permite pagar tributos e me permite servir à igreja voluntariamente, por amor e sem precisar cobrar altos cachês.
Nesses vinte anos lancei, se não me falha a memória, onze CDs. Seis com o Raimundos, dois com o Rodox, quatro do meu ministério, além de várias participações nos projetos de bandas como Charlie Brown Jr., Natiruts, Strike, Pregador Luo. Artistas como Nengo Vieira e Lucas Souza também regravaram algumas canções de minha autoria. A instituição que arrecada os valores que tenho direito como autor, repassa mensalmente o que me é devido, num só depósito. Portanto, eu não vivo às custas do Raimundos, mesmo porque eu não toco nenhuma música deles. Eu recebo os direitos autorais por toda obra que escrevi durante minha vida.”
Rodolfo Abrantes e as músicas da banda
Rodolfo deixou o Raimundos em 2001, quando se converteu ao protestantismo. Durante participação no programa “The Noite com Danilo Gentili”, no SBT, em 2020 (via Rolling Stone Brasil), o cantor explicou que a falta de conexão atual com as músicas da banda não envolve diretamente a religião, mas sim, a lembrança do estilo de vida que levava:
“Não é Deus que tem algo contra as músicas. Muitas pessoas tendem a pensar que um cara era de uma banda legal e saiu porque entrou para a Igreja, mas é bem mais profundo. Eu tinha uma vida e eu vivia de acordo com o que eu acreditava. Cantava exatamente o que eu vivia. Colocava nomes de pessoas nas loucuras que eu vivia, expunha muita gente. A música era a trilha sonora desse estilo de vida […]. Eu me recuso a cantar algo que não jorre do meu coração […]. Deixei essas músicas de lado. Não é por Deus ser contra as músicas do Raimundos e, sim, de minha vida não ser mais compatível com a que eu tinha. É algo muito pessoal.”
Sobre o Raimundos
Com influências do punk rock e da música nordestina, o Raimundos se consolidou com Rodolfo Abrantes nos vocais, Digão na guitarra, Fred Castro na bateria e Canisso, falecido em março de 2023, no baixo.
Ao longo da década de 1990, o Raimundos se tornou uma das maiores bandas de rock do Brasil. Discos como a estreia homônima de 1994, “Lavô Tá Novo” (1995) e “Só no Forévis” (1999) venderam milhões de cópias, rendendo hits como “Mulher de Fases”, “A Mais Pedida”, “Me Lambe”, “Eu Quero Ver o Oco”, “I Saw You Saying (That You Say That You Saw)”, “Selim” e “Puteiro em João Pessoa”.
A formação atual conta com Digão (vocal e guitarra), Marquim (guitarra e backing vocals), Caio Cunha (bateria) e Jean Moura (baixo).
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