Há todo um “culto” em torno da mão de palhetada de James Hetfield, responsável pelos riffs e bases do Metallica. Ao que parece, a idolatria é justificada. O produtor Flemming Rasmussen gravou três dos quatro discos da banda na década de 1980 — “Ride the Lightning” (1984), “Master of Puppets” (1986) e “…And Justice For All” (1988) — e garante: Kirk Hammett simplesmente não tocava nada das guitarras base, nem mesmo quando estava solando.
Em conversa de 2022 com a Total Guitar (via Ultimate Guitar), Rasmussen revelou este interessante detalhe sobre a criação desses discos. De acordo com o produtor, que exaltou o talento de Hetfield como guitarrista base, é “Papa Het” o responsável por toda a parte dos riffs que se ouve nos álbuns dos anos 1980. Hammett só aparecia, mesmo, para solar e fazer arranjos.
Ele explicou:
“Nos álbuns que fiz, James tocou todas as guitarras base. Kirk não toca uma única guitarra base em ‘Master of Puppets’. Nós montávamos o equipamento do James e o do Kirk, e James alternava entre eles para fazer as partes. A maioria das guitarras principais começava na Firebird do James, e depois trocávamos de guitarra o tempo todo.”
Flemming acrescenta, sobre o processo:
“Na maioria das vezes, começávamos com a guitarra base do James, com duas faixas em estéreo, para termos a guitarra principal. Depois, dobrávamos isso em uma faixa, tocando no equipamento do Kirk, que às vezes era um amplificador de potência e um pré-amplificador da Marshall. Então, tínhamos duas guitarras base dobradas fazendo a parte do James, e depois ele tocava a parte do Kirk na guitarra do Kirk.”
Sobre a capacidade de Hetfield em explorar a parte rítmica em estúdio, o produtor afirmou:
“James consegue tocar base para qualquer coisa. Ele é o mestre do ritmo. Ele é preciso pra c***lho. Isso nunca foi um problema. Considero James o melhor guitarrista base do planeta. Ele é inacreditável.”
A máquina do Metallica
James Hetfield cuidava das bases poderosas do Metallica, mas o resto da banda também tinha sua importância. Flemming Rasmussen elogiou o conhecimento do baterista Lars Ulrich, que frequentemente fazia sugestões sobre o som, e destacou o talento de Kirk Hammett com os solos.
“Alguns dos solos são muito longos. Lars, especialmente, tinha ideias de como deveria ser, tipo: ‘queremos algo no estilo Ritchie Blackmore aqui’. Lars tem um conhecimento musical gigantesco. O solo do Kirk, do começo ao fim, nós gravávamos em trechos. Ele fazia pedaço por pedaço – para que conseguisse a performance que ele queria e que nós queríamos. Kirk é um excelente guitarrista.”
Em “Ride the Lightning” e “Master of Puppets”, Rasmussen teve a chance de trabalhar com o saudoso Cliff Burton. O produtor, falando do processo de gravação, comentou também a abordagem do baixista e como ele se encaixava na engrenagem do Metallica daquele período:
“Você gravava a bateria e, quando terminava, começava a fazer as guitarras base. Eu sempre esperava para colocar o baixo depois das guitarras base, o que é muito importante no metal, que é baseado em riffs de guitarra. O baixista tem que se ajustar ao riff que a guitarra está tocando – e não o contrário. Então, não gravávamos o baixo até depois das guitarras base, o que era bom no caso do Cliff, porque ele era um músico que tocava em resposta ao que ouvia.”
Flemming Rasmussen chamou a atenção de Lars Ulrich ao produzir o álbum “Difficult to Cure” (1981), do Rainbow. Depois do Metallica, trabalhou com bandas como Artillery, Pretty Maids, Morbid Angel, Blind Guardian e Ensiferum, entre outras.
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