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A Day to Remember enterra nevasca e reforça conexão com fãs em Curitiba

Após compromisso cancelado em BH, show da última quinta-feira (29) enfim deu início a turnê nacional da banda que funde metalcore e pop punk

*Por Jessica Valentim | A passagem do A Day to Remember por Curitiba carregava contexto particular. Inicialmente escalado para abrir o show do Avenged Sevenfold em São Paulo, marcado para 4 de outubro de 2025, o grupo teve sua participação impactada pelo adiamento da turnê — motivado por problemas de saúde de M. Shadows, vocalista da atração principal. Com a remarcação, a banda notória por fundir metalcore e pop punk acabou expandindo sua presença no país: além de manter a data no Allianz Parque neste sábado (29), anunciou apresentações solo em Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.

A forte nevasca que atingiu os Estados Unidos na semana do embarque inviabilizou a chegada para tocar na capital mineira, na última terça-feira (27). Assim, Curitiba tornou-se, na prática, o destino inicial nesta nova passagem de Jeremy McKinnon (voz), Kevin Skaff (guitarra), Neil Westfall (guitarra) e Alex Shelnutt (bateria), junto do músico de apoio Bobby Lynge (baixo), pelo Brasil.

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Por se tratar de uma ocasião solo, o compromisso da noite de quinta-feira (29) na Live Curitiba reuniu não curiosos ou público ocasional, mas uma plateia essencialmente fiel. Em olhar superficial, pareceu formada em sua maioria por fãs que acompanham A Day to Remember desde os anos 2000, quando a banda chegou ao mainstream.

Foto: Clovis Roman @clovis_roman

Situações assim evidenciam um elemento geracional: músicas que marcaram a adolescência dessa geração retornam sob outra perspectiva, menos associadas a rótulos e mais à permanência de uma identidade. Mesmo para quem nunca havia assistido ao A Day to Remember ao vivo — caso desta repórter —, a apresentação reforçou a impressão de uma banda madura, confortável no palco e genuinamente conectada com sua audiência, não apenas pela interação constante, mas pela clareza com que executa e sustenta sua proposta sonora.

Casa não tão cheia, repertório equilibrado

Mesmo operando com sua capacidade para 5 mil pessoas reduzida — parte da pista comum foi bloqueada e compradores de ingressos de mezanino tinham opção de circular pela pista —, a Live Curitiba apresentou um ambiente adequado à proposta da noite. O caso reforça uma constatação frequente: quando se reúne o público certo, nem sempre casa lotada é sinônimo de experiência superior.

Foto: Clovis Roman @clovis_roman

A abertura com “The Downfall of Us All”, responsável por arrancar reações imediatas, cumpriu seu papel de estabelecer o tom do show desde os primeiros minutos. A partir daí, o setlist deixou clara a intenção de equilibrar diferentes fases da carreira. “Big Ole Album Vol. 1” (2025) foi o álbum mais representado, assumindo protagonismo no repertório com oito faixas. Dele, “Bad Blood” e “Make It Make Sense” apareceram entre os momentos de maior participação vocal do público. “Miracle”, apesar do andamento mais contido, funcionou como ponto de respiro emocional.

Já o best-seller “Homesick” (2009) apareceu logo atrás, com seis músicas, preservando seu peso histórico dentro do catálogo. “What Separates Me From You” (2010) e “For Those Who Have Heart” (2007) completaram a base do set, enquanto os demais discos tiveram presença pontual.

Destaques positivos — e outros nem tanto assim

Ao vivo, A Day to Remember soa coeso e tecnicamente preciso, a ponto de suas execuções se aproximarem bastante das gravações de estúdio, com poucos deslizes perceptíveis. Tal consistência ajuda a sustentar uma proposta musical de contrastes, mas que virou marca registrada do grupo: riffs e quebras típicos do metalcore convivem com refrães melódicos e diretos, herdados do pop punk, além de elementos do post-hardcore.

Clássicos como a desafiadora “I’m Made of Wax, Larry, What Are You Made Of?”, a vulnerável “Have Faith in Me”, a angustiada “All I Want” e a agressiva “Mr. Highway’s Thinking About the End” (que recentemente ultrapassou a marca de 100 milhões de streams no Spotify) figuraram entre os momentos de maior envolvimento coletivo da noite, ao menos no sentido de cantar e pular.

Foto: Clovis Roman @clovis_roman

Já durante “Paranoia”, do álbum “Bad Vibrations” (2016), o vocalista Jeremy McKinnon não conseguiu puxar o que descreveu como “a maior roda que já tinha visto”. A resposta foi tímida e o momento acabou destoando do restante da noite. As tentativas seguintes de interação física por parte do público também foram discretas e McKinnon passou a conduzir a participação mais pelos já mencionados pulos e cantoria.

Curiosamente, após cerca de uma hora de show, repetiu-se o que já havia ocorrido antes do grupo subir no palco: uma leve queda de energia, durante “Silence”, cujo título acabou funcionando como um trocadilho involuntário àquela altura. Ainda assim, a banda conseguiu recuperar o ritmo nos momentos seguintes.

Foto: Clovis Roman @clovis_roman

Simples, mas efetivo

A produção seguiu uma linha simples, porém criativa. Sem recorrer à pirotecnia, o show apostou em elementos visuais e interações lúdicas: papel picado, bolas gigantes de praia, rolos de papel higiênico arremessados ao público e até um personagem vestido de Super Mario distribuindo camisetas durante “All My Friends”, também do último álbum. São recursos modestos, mas que ajudam a manter o ritmo e reforçam o caráter descontraído da apresentação.

Entre os momentos mais curiosos da noite esteve o relato de um encontro na tarde do show com um fã que, ao reconhecer a banda enquanto pedalava pela cidade, quase foi atropelado ao tentar cumprimentá-los. O episódio foi resgatado no palco antes de “NJ Legion Iced Tea”, canção que o próprio admirador havia pedido na ocasião — acabou atendido, afinal, ele arriscou a vida pelo encontro com a banda.

Foto: Clovis Roman @clovis_roman

Ao longo da apresentação, ficou evidente o quanto A Day to Remember parece confortável e grata por ainda estar ali, mais de duas décadas após sua formação e em sua quinta passagem pelo Brasil. O quinteto fez questão de agradecer repetidamente aos fãs por continuarem presentes. Essa gratidão não ficou apenas no discurso: refletiu-se na performance e na entrega ao longo de toda a noite. A sensação final é a de uma banda que sabe exatamente quem é seu público — e que aparenta estar genuinamente feliz em continuar compartilhando esse caminho com ele.

Foto: Clovis Roman @clovis_roman

A Day to Remember — ao vivo em Curitiba

  • Local: Live Curitiba
  • Data: 29 de janeiro de 2026
  • Turnê: Latin America 2026
  • Produção: 30e

Repertório:

  1. The Downfall of Us All
  2. I’m Made of Wax, Larry, What Are You Made Of?
  3. Right Back at It Again
  4. 2nd Sucks
  5. Bad Blood
  6. Make It Make Sense
  7. Paranoia
  8. Miracle
  9. Mr. Highway’s Thinking About the End
  10. All My Friends
  11. Have Faith in Me
  12. Flowers
  13. LeBron
  14. NJ Legion Iced Tea
  15. Resentment
  16. Silence
  17. All I Want
  18. The Plot to Bomb the Panhandle
    Bis:
  19. If It Means a Lot to You
  20. Closer Than You Think
  21. Monument
  22. All Signs Point to Lauderdale
Foto: Clovis Roman @clovis_roman

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