A música de Syd Barrett recusada pelo Pink Floyd por ser “perturbadora”

Canção acabou ganhando lançamento oficial pelas mãos de outra banda, que se tornaria famosa posteriormente

O single de estreia do The Jesus and Mary Chain, “Upside Down” (1984), traz no lado B um cover de uma música de Syd Barrett que nunca havia sido lançada nem pelo Pink Floyd nem pelo próprio em carreira solo. Trata-se de “Vegetable Man”, cuja versão original só ganharia registro público quase meio século após o registro.

Como observa a Classic Rock, o amor pela canção foi uma das poucas concordâncias entre os irmãos William e Jim Reid durante a adolescência. Mas eles não foram os primeiros a regravá-la.

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O The Soft Boys a incluiu no EP “Near the Soft Boys”, assim como no álbum “Underwater Moonlight”, ambos de 1980. O The Mothmen também a incluiu na versão em CD do disco “Pay Attention” (1981).

Tudo isso se deu de forma bastante curiosa, visto que, como já destacado, a faixa sequer havia sido lançada oficialmente pelo grupo ou seu compositor. Era conhecida apenas por bootlegs.

Pink Floyd, Syd Barrett e “Vegetable Man”

O Pink Floyd gravou “Vegetable Man” em outubro de 1967. A ideia era aproveitá-la no segundo álbum, “A Saucerful of Secrets”.

Sua primeira execução ao vivo ocorreu em 20 de dezembro de 1967, no programa de rádio “Top Gear”, da BBC. Porém, ela não foi incluída no disco, que saiu em junho do ano seguinte.

Em entrevista de 1994 à Mojo, o ex-empresário do grupo, Peter Jenner, revelou que Roger Waters decidiu removê-la do tracklist por a considerar “muito sombria”. Contou o manager, conforme resgate da Classic Rock:

“Foi muito estressante esperar Syd criar as músicas para o segundo álbum. Todo mundo estava olhando e ele simplesmente não conseguia. ‘Jugband Blues’, a faixa de encerramento, é muito triste, o retrato de um colapso nervoso. ‘Vegetable Man’ foi a última feita para essas sessões… Foi escrita na minha casa. Era apenas uma descrição do que ele estava vestindo. É muito perturbadora. Roger tirou do álbum porque era muito dark, e era mesmo. É como um flash psicológico.”

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Ao livro “Saucerful of Secrets: The Pink Floyd Odyssey” (2005), Jenner foi ainda mais longe nas impressões ao citar o material derradeiro.

“Eu sabia que nem Roger Waters nem David Gilmour deixaria aquele material ser lançado. Eles de alguma forma se sentiram um pouco constrangidos. Seria como publicar fotos nuas de uma atriz famosa: simplesmente não era imaginável. Mas eu pensei que eram boas músicas e grandes obras de arte. São perturbadoras e não muito divertidas, mas também alguns dos melhores trabalhos de Syd.”

Após tantos anos sendo pirateada, uma versão de “Vegetable Man” foi remixada para inclusão em “Opel”, álbum de raridades de Syd Barrett disponibilizado em 1988. Porém, seu lançamento foi vetado pela banda.

A gravação do Pink Floyd finalmente recebeu um lançamento oficial em “The Early Years 1965-1972”, box set que saiu em 11 de novembro de 2022.

Sobre a faixa, o baterista Nick Mason disse em 2019 à Rolling Stone:

“Uma música maravilhosa. Parece relativamente simples, mas na verdade é um pouco mais complicada e quase punk. São quatro batidas de caixa no compasso, o que é um jeito bem punk de tocar bateria. Tantas músicas foram escritas por Syd em tão pouco tempo. Faltavam menos de dois anos para o nosso primeiro show público, em outubro de 1967. Naquela época, tínhamos apenas duas ou três músicas originais. E quase um ano depois, ele já estava meio saturado.”

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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