Quando Don Dokken salvou o Scorpions após Klaus Meine perder a voz

Cantor alemão precisou passar por cirurgia nas cordas vocais que colocou sua carreira em risco

O sucesso do Scorpions veio a conta-gotas, especialmente nos Estados Unidos. A banda teve início ainda nos anos 1960, na Alemanha. A sorte começou a virar na metade da década seguinte, com um som mais elaborado, pontuado pelas mentes criativas do guitarrista solo Michael Schenker e seu substituto, Uli Jon Roth.

A seguir, o grupo passou para uma abordagem mais direta do hard rock, efetivando Matthias Jabs nas seis cordas e centralizando as ações nas ideias do guitarrista base Rudolf Schenker e do vocalista Klaus Meine. A consagração definitiva começou a reluzir no horizonte. Porém, uma situação de saúde quase pôs tudo a perder.

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Em 1982, o cantor desenvolveu nódulos e um pólipo nas cordas vocais. A condição causou estragos em sua performance e o forçou a se afastar das atividades durante um ponto crucial dos planos, que era justamente a gravação do disco que seria a virada definitiva.

Durante entrevista ao site Noisecreep realizada em 2011, o próprio recordou o momento, além do que o levou à situação.

“Durante os primeiros dias dos Scorpions – quando Michael Schenker estava na banda – minha voz soava muito bonita e limpa. Mas o problema é que estávamos tocando todos esses covers de rock ‘n’ roll e eu queria soar mais ‘sujo’. Então, comecei a bagunçar tudo gritando por horas.”

Demorou, mas a conta veio, com os danos se tornando irreparáveis de modos não invasivos.

“Você tem que entender, nos dias em clubes na Alemanha, não fazíamos o set habitual de 90 minutos. Estávamos apresentando covers e às vezes tocávamos de cinco a seis horas por noite, com pequenos intervalos. A agenda pesada de turnês e estúdios finalmente me pegou, minha voz ficou em péssimo estado, eu não conseguia cantar e pensei que minha carreira havia acabado.”

Don Dokken salvando o dia

A turnê de “Animal Magnetism” (1980) foi um sucesso. Quando chegou a hora de registrar “Blackout”, Klaus não consegui performar. A solução foi chamar um amigo americano que já tinha uma carreira relativamente conhecida na Alemanha.

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“Eu não conseguia cantar. Era simples assim. Então, nosso bom amigo Don Dokken veio para a Alemanha e trabalhou com o resto dos Scorpions no estúdio. gravou algumas músicas com a banda. Fiz algumas cirurgias e descansei minha voz por cerca de seis meses ou algo assim. Quando finalmente voltei, estava em ótima forma, até fiz os backing vocals agudos, como nos discos mais antigos [risos].”

As performances de Don teriam sido usadas em algum momento no produto final? O próprio Meine não sabe responder de forma certeira.

“Sabe, acho que uma ou duas músicas ainda têm Don em algum lugar nos vocais de fundo, mas eu realmente não tenho certeza. Ninguém conseguiu descobrir, inclusive eu [risos].”

Ao The Metal Voice, em 2020, o vocalista do Dokken – que foi creditado no disco como colaborador – minimizou suas contribuições. Conforme transcrição do BraveWords, ele disse:

“Eu cantei apenas algumas músicas, um rascunho bem rápido de 20 minutos, só para gravar a melodia e mostrar a Klaus depois.”

Scorpions e “Blackout”

Oitavo disco de estúdio do Scorpions, “Blackout” marcou o estouro comercial definitivo da banda em território estadunidense, chegando ao 10º lugar no The Billboard 200 e atingindo premiação de platina, feito repetido no Canadá.

As músicas “Now!”, “No One Like You” e “Can’t Live Without You” foram lançadas como single. A faixa-título e “Dynamite” também se tornaram grandes sucessos. “When the Smoke is Going Down” é usada até hoje como trilha de encerramento dos shows.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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