Exclusivo: Hank Shermann comenta toda a discografia do Mercyful Fate

Guitarrista e fundador do grupo elege seus álbuns de estúdio favoritos e aponta de qual menos gosta

Uma das atrações mais aguardadas da próxima edição do Summer Breeze Brasil é o Mercyful Fate. A banda dinamarquesa foi criada em Copenhague, no ano de 1981, a partir das cinzas do grupo punk Brats, pelo vocalista King Diamond e pelo guitarrista Hank Shermann.

Após passar por algumas mudanças de pessoal, a formação clássica foi estabelecida com a chegada do guitarrista Michael Denner, do baixista Timi “Grabber” Hansen e do baterista Kim Ruzz.

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A banda lançou três trabalhos que solidificaram seu status no heavy metal europeu e na emergente cena black metal daquele continente. Em 1985, citando diferenças musicais, os cinco se separaram.

Uma celebrada reunião aconteceu em 1992. Com algumas mudanças na formação, álbuns foram gravados e turnês foram realizadas durante os anos 1990, sempre que havia espaço na agenda de King.

Após quase 20 anos de hibernação, o Mercyful Fate se reuniu mais uma vez em 2019, estreando novas músicas e prometendo um novo álbum ainda não oficialmente anunciado. Por ora, aqui estão os comentários de Shermann sobre a discografia de estúdio da banda até agora.

As declarações fazem parte de uma entrevista com o guitarrista, a ser publicada em breve em IgorMiranda.com.br.

A discografia do Mercyful Fate, por Hank Shermann

“Mercyful Fate” (1982)

Embora um compacto de quatro faixas não se qualifique como um álbum, o impacto do EP homônimo do Mercyful Fate (também chamado de “Nuns Have No Fun”) foi tamanho à época de seu lançamento. Shermann recorda-se:

“Fomos para a Holanda de Kombi, com nossos cabeçotes Marshall em cima e tivemos uma das melhores experiências. Talvez tenhamos obtido o som de guitarra mais cru de todos os tempos. Acho o som da guitarra muito, muito legal.”

O guitarrista, é claro, menciona as duas principais faixas do EP.

‘Doomed by the Living Dead’ e ‘A Corpse Without Soul’ são duas músicas que ainda tocamos nos shows. Lembro que elas foram feitas muito rapidamente, muito mesmo.”

“Melissa” (1983)

Quando de seu lançamento, o álbum de estreia do Mercyful Fate soou bastante diferente de qualquer coisa ouvida antes no heavy metal. Como o Metallica mais tarde confirmaria ao regravar um medley com “Satan’s Fall”, “Curse of the Pharaohs”, “Into the Coven” e “Evil” em “Garage Inc” (1998), “Melissa” possui um caráter único e irresistível. Não surpreendentemente, é o álbum do Mercyful Fate favorito de Shermann.

“Acho que é realmente um álbum fantástico. São apenas sete músicas e todas se tornaram clássicos.”

Entre essas músicas está aquela que o guitarrista considera a definitiva do Mercyful Fate.

‘Black Funeral’, por sua simplicidade. Tem um ritmo legal. É melódica, mas também tem alguns acordes meio malignos no meio. É uma música curta, menos de três minutos. Então eu diria que ‘Black Funeral’ também é uma das minhas favoritas para tocar ao vivo. Acho que é a canção marca registrada do Mercyful Fate.”

Ainda assim, para Shermann, há uma música que se destaca, não de uma maneira boa.

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“Acho que ‘At the Sound of the Demon Bell’ está um pouco aquém das outras.”

“Don’t Break the Oath” (1984)

O segundo e altamente influente álbum do Mercyful Fate se resume a uma palavra-chave para Shermann: “camadas”.

“É audível que mais tempo foi dedicado à produção, e acho que isso acabou dando um resultado único também. ‘Melissa’ é um pouco mais simples no espectro sonoro. ‘Don’t Break the Oath’ tem mais camadas.”

O guitarrista também enaltece o fato de King Diamond ter mostrado a que veio como compositor.

“Ele criou algumas músicas fantásticas. ‘Gypsy’, ‘The Oath’, ‘Come to the Sabbath’; todas elas demonstram suas habilidades de composição e agregaram ao que ficou conhecido como nosso estilo característico.”

“In the Shadows” (1993)

O primeiro álbum do Mercyful Fate após sua reunião em 1992 foi um retorno e tanto. Por isso, é citado por Shermann como seu favorito entre todos os álbuns lançados pela banda na década de 1990.

“Estávamos com uma nova mentalidade. Todos estavam tão empolgados que o Mercyful Fate estava de volta que essa energia e empolgação definitivamente se refletiram nas composições.”

Entre essas composições, o guitarrista destaca uma: “The Old Oak”.

“Essa é minha música favorita do álbum. Você pode ouvir a empolgação na performance de todos.”

“Time” (1994)

Shermann vai direto ao ponto ao justificar por que este é o álbum do Mercyful Fate de que menos gosta.

“Acho que todos experimentaram demais. King fez alguns experimentos. Tentamos ir para outros lugares. Também criei algumas músicas, talvez uma ou duas, que eram um pouco diferentes do que costumava fazer. Mas também tivemos ‘The Mad Arab’, né? Ela é a prova de que há algumas boas músicas no disco, com certeza. Mas é meu álbum menos querido do Mercyful Fate.”

“Into the Unknown” (1996)

Apesar do que seu título sugere, a maioria dos fãs concorda que “Into the Unknown” foi a bola de segurança do Mercyful Fate nos anos 1990. O terceiro álbum após a reunião em 1992 manteve a fórmula clássica sem lançar mão de nada que os admiradores de longa data já não conhecessem.

O fato de Shermann não citar nenhuma faixa em específico denota esse caráter de mera continuidade.

“Acho que algumas das músicas definitivamente têm partes vocais muito legais e alguns bons riffs de guitarra. A única coisa de que não gosto no álbum é a capa. Creio que estivéssemos sem tempo para fazer uma capa adequada. Pelo que me lembro, foi um ex-membro do King Diamond que trouxe essa imagem de um horizonte com um sol nascendo ou se pondo, e nós apenas a viramos de cabeça para baixo. Então, realmente, não é lá uma capa de álbum das mais geniais.”

“Dead Again” (1998)

O primeiro álbum após a saída do guitarrista e fundador Michael Denner introduziu um novo compositor no Mercyful Fate ao ter o baixista Sharlee D’Angelo contribuindo com a música de encerramento, “Crossroads”. Mas o disco é muito mais lembrado pela imponente faixa-título de 14 minutos.

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“Começamos a ficar um pouco ambiciosos; pelo menos nas músicas que eu compus. Eu impus esse desafio louco para mim mesmo de compor uma música que fosse mais longa do que ‘Satan’s Fall’ [11:23] apenas pelo simples fato de ser mais longa do que ‘Satan’s Fall’. Essa não é exatamente a melhor maneira de começar a compor uma música. [Risos.]”

A banda também voltou a um estilo de capa de álbum mais “old school” — o qual o guitarrista aprova.

“Usamos a silhueta do álbum ‘Don’t Break the Oath’. E dentro dessa silhueta, havia muitas cenas que representavam parte das letras de algumas das músicas. Por fim, também gosto do som de bateria em ‘Dead Again’. Era um som bem legal. Lembro-me de que foi obra de um cara que costumava trabalhar com o Pantera na época [o produtor Sterling Winfield].”

“9” (1999)

Talvez o Mercyful Fate estivesse contando com os apanhados de sobras e raridades “The Beginning” (1987) e “Return of the Vampire” (1992) quando batizou seu sétimo e, até o momento, último álbum de estúdio de “9”. Lançado pouco mais de um ano após “Dead Again”, ele foi amplamente aclamado como um aceno às antigas.

“Tínhamos essa mentalidade, ou pelo menos eu tinha, de que queríamos soar mais metal, mais na linha de por onde começamos, e você definitivamente pode ouvir isso. É o puro heavy metal acontecendo. Talvez um pouco mais até do que costumávamos ser.”

Shermann destaca duas músicas do repertório: “Insane” e “Church of Saint Anne”.

“‘Insane’ tem partes de bateria totalmente insanas. [Risos.] E as guitarras de ‘Church of Saint Anne’, hein? Normalmente tocamos em E (mi), a afinação padrão. Em ‘Church of Saint Anne’, afinamos a corda E (mi) em C# (dó sustenido). Talvez você não note, mas definitivamente tem um tipo de vibe mais pesado. E afinamos apenas a corda E (mi) em C# (dó sustenido). Isso significa que não dá para realmente montar acordes. Se quiser montar acordes, precisa afinar as outras cordas um tom e meio abaixo, também.”

Por fim, o guitarrista elogia a capa — embora não se lembre do nome do artista responsável.

“A arte do álbum realmente se assemelha em estilo à dos primeiros álbuns. Não tenho certeza se é o mesmo que fez, mas pode ter sido.”

Pode ter certeza, Hank: o artista, Thomas Holm, é o mesmo das capas de “Melissa” e “Don’t Break the Oath”.

*O Mercyful Fate se apresenta no terceiro e último dia de Summer Breeze Brasil, festival que acontece nos dias 26, 27 e 28 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Ingressos seguem à venda no Clube do Ingresso.

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Marcelo Vieira
Marcelo Vieirahttp://www.marcelovieiramusic.com.br
Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Há mais de dez anos atua no mercado editorial como editor de livros e tradutor freelancer. Escreve sobre música desde 2006, com passagens por veículos como Collector's Room, Metal Na Lata e Rock Brigade Magazine, para os quais realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais, cobriu shows e festivais, e resenhou centenas de álbuns, tanto clássicos como lançamentos, do rock e do metal.

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