Quando Michael Jackson se aventurou nos games com a Sega

Rei do Pop era fã dos jogos da empresa e contribuiu com diversos títulos lançados

MIchael Jackson revolucionou o mercado musical de uma forma que deixou seu nome marcado para sempre na história. Mas se há algo sobre o astro que muitas pessoas podem nem saber é que ele já se aventurou no mundo dos videogames, mais especificamente com a desenvolvedora Sega.

O cantor firmou uma parceria de anos com a empresa e participou de alguns títulos desenvolvidos por ela, seja como personagem principal ou fazendo alguma participação especial. Além disso, ele se envolveu com a produção de um dos títulos mais queridos entre os fãs da Sega.

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Michael Jackson, um fã da Sega

A parceria teve início durante o fim dos anos 1980. Em 1988, Michael Jackson passou a morar em Neverland, rancho que servia tanto como casa quanto como parque de diversões particular. Era no local que o astro poderia aproveitar o tempo de diversão que não teve na infância.

Um de seus desejos era que o local contasse com diversos arcades para ele se divertir nas horas vagas. O cantor queria os melhores e mais populares disponíveis no mercado, independente do preço.

No fim das contas, o astro acabou comprando diversos arcades da Sega para o rancho. Por conta disso, se tornou fã declarado dos games da desenvolvedora — e também assumiu ser um verdadeiro gamer.

“Michael Jackson Moonwalker”

Também em 1988, o Rei do Pop lançou o filme experimental “Moonwalker”, que ganhou este nome por conta da famosa técnica de dança do cantor. Foi aí que ele teve a ideia de procurar a Sega para tentar lançar um game baseado na produção.

A Sega topou o convite e deu início a essa parceria com o astro. Em 1990, foi lançado o game “Michael Jackson’s Moonwalker”, que contou com diferentes versões.

A empresa foi a responsável pelo desenvolvimento e lançamento das versões para arcade e Mega Drive. Os games eram do gênero beat’ em up, mas jogados de maneiras completamente distintas.

Já a versão para computadores não foi desenvolvida pela Sega, mas sim pela U.S. Gold. Neste caso, o game era composto por quatro níveis diferentes, cada um com seu estilo de gameplay.

Com relação à história, ela era a mesma para todas as versões: era parcialmente baseada no segmento “Smooth Criminal” do filme, em que Jackson tinha de resgatar um grupo de crianças de um vilão chamado Mr. Big.

Claro, “Michael Jackson’s Moonwalker” contava com versões sintetizadas de diversos sucessos do Rei do Pop, como “Beat It”, “Billie Jean”, “Bad” e “Smooth Criminal”.

O game acabou se tornando apenas o início desta parceria entre Michael Jackson e a Sega.

Trilha sonora de “Sonic 3”

Em 1993, a Sega estava desenvolvendo “Sonic the Hedgehog 3”, o terceiro game de sua principal franquia. Foi aí que a empresa teve de ideia de procurar Michael Jackson e, em segredo, o convidou para ajudar a compor a trilha sonora do game.

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Apenas em 2005 que esta história veio à tona. Em uma entrevista, o então vice-presidente da Sega, Roger Hector, revelou este envolvimento de Michael Jackson com trilha sonora de “Sonic the Hedgehog 3” e explicou por que, segundo ele, o game não contou com nenhum música do astro.

“Michael Jackson foi originalmente convidado para compor todas as músicas do jogo, mas no final das contas, tudo foi descartado por conta dos escândalos que foram revelados (as primeiras alegações de pedofilia contra o cantor). Isso nos causou muitos problemas e exigiu muito retrabalho. Mas acabou sendo um ótimo jogo, no final das contas.”

Pouco tempo depois, quem deu outra versão para o envolvimento de Jackson no projeto foi Brad Buxer, diretor musical das turnês do cantor e colaborador do o game. Ele revelou que algumas das composições do Rei do Pop foram utilizadas no game, mas que não houve crédito pelo astro ter questionado a qualidade do trabalho.

“Nunca joguei o game, então não sei quais são as músicas que Michael e eu compomos que os desenvolvedores mantiveram, mas nós realmente compomos músicas para o jogo. Michael me ligou dizendo que precisava de minha ajuda para este projeto e foi o que eu fiz. E se ele não foi creditado pela trilha sonora, é porque ele não estava feliz com o resultado do som reproduzido pelo videogame. Michael se frustrou. Ele não queria estar associado a um produto que desvalorizava sua música.”

Ainda de acordo com Buxer, uma das composições feitas para “Sonic 3” serviu de base para a canção “Stranger in Moscow”, faixa do álbum “HIStory” (1995).

Não há um consenso entre as fontes sobre o desenrolar desta história — tanto que, por anos, ela foi encarada mais como uma lenda entre gamers. Mas podemos te garantir que sim, Michael Jackson esteve mesmo envolvido com a trilha sonora do game — e ela foi utilizada.

Apenas em junho de 2022 que Yuji Naka, o criador do Sonic, confirmou de vez esta história — mesmo que sem querer.

Em seu perfil no Twitter, Naka questionou uma mudança na música de Sonic 3 para “Sonic Origins”, uma compilação com versões remasterizadas dos jogos antigos do personagem. Foi neste momento que fez a revelação.

“Sonic 3 de Sonic Origins tem uma canção diferente? Meu Deus, a música de Sonic 3 mudou, apesar de a Sega ter usado a música de Michael Jackson.”

Após a revelação, Naka ainda contou que a equipe da Sega foi até o rancho Neverland e mostrou uma foto aérea do local para provar a história.

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“Scramble Training” e outros games da Sega

Nem mesmo esses problemas de Sonic 3 — independente do que as fontes afirmam — botaram um fim na parceria entre Michael Jackson e Sega. Também em 2022, foi descoberta uma fita perdida de “Scramble Training”, título lançado para o AS-1 – um dispositivo da Sega que rodava filmes interativos – e tinha justamente a presença do Rei do Pop.

Originalmente, a ideia era lançá-lo com o nome “Michael Jackson in Scramble Training”. No entanto, as primeiras acusações de pedofilia contra o cantor fizeram a Sega remover sua participação no título por completo, que foi rebatizado apenas de “Scramble Training”.

O responsável pela descoberta foi o britânico Ben Bizley, que comprou a fita de um homem em um bazar.

“Ele (o vendedor) tinha algumas coisas da Sega que conseguiu de outra pessoa. O pai dessa pessoa era um antigo empregado da Sega e havia falecido recentemente. Tinha comprado alguns pôsteres e brinquedos, mas depois que fui embora, me mandou as fotos de uma fita que ele comprou por um preço maior.”

Em 1999, a Sega procurou novamente o Rei do Pop e apresentou a ele o game “Space Channel 5”, franquia de dança da desenvolvedora. Michael logo se apaixonou pelo título e perguntou se ele não poderia fazer uma participação especial.

Inicialmente, a equipe de desenvolvimento não queria incluir o cantor, pois faltava apenas um mês para encerrar os trabalhos. No entanto, o time logo mudou de ideia e deu um jeito de colocar o astro no game. Seu personagem ganhou o nome de “Space Michael”.

A equipe de desenvolvimento, inicialmente, ficou receosa com a reação inicial de Jackson, mas ele aprovou o personagem, ciente do pouco tempo que tiveram para criá-lo. O cantor ainda se ofereceu para dublar algumas falas do “Space Michael.”

O personagem também retornou para sequência “Space Channel 5: Part 2”, em que teve um papel de maior destaque.

Games de outras empresas

Por fim, é importante te lembrar que o Rei do Pop também participou de games que não foram desenvolvidos pela Sega.

Um exemplo é o título de boxe “Ready 2 Rumble Boxing: Round 2”, em que Michael Jackson podia ser desbloqueado como personagem jogável.

Em 2010, um ano após a morte do astro, a desenvolvedora Ubisoft lançou “Michael Jackson: The Experience”, game de dança que contava com diversos sucessos do cantor e foi disponibilizado para diversas plataformas.

E por último, vale mencionar que a desenvolvedora SEE Digital Studios anunciou o MMORPG “Planet Michael”, que seria baseado na carreira e vida de Michael Jackson. O game seria lançado em 2011, mas tudo indica que o projeto foi abandonado, apesar da falta de um anúncio oficial de cancelamento.

Fontes: Wikipedia, Sega Retro, Eurogamer, Forbes e Express.

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Augusto Ikeda
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Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Atua no mercado desde 2013 e já realizou trabalhos como assessor de imprensa, redator, repórter web e analista de marketing. É fã de esportes, tecnologia, música e cultura pop, mas sempre aberto a adquirir qualquer tipo de conhecimento.

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