O diferencial do Black Sabbath ao citar Lúcifer, segundo Tobias Forge

Presente no álbum de estreia dos pais do heavy metal, a música humaniza a figura demoníaca, o atribuindo sentimentos amorosos

Quando o Black Sabbath lançou seu primeiro álbum, o mundo foi pego de surpresa. O rock já era considerado “a música do diabo” por fundamentalistas. Mas os pais do heavy metal foram além, incorporando figuras de linguagem explícitas como não se havia visto até então, além da temática inspirada por filmes de terror.

Uma das canções que aborda a presença demoníaca abertamente é “N.I.B.”. Não à toa, Tobias Forge a incluiu em sua lista de “hinos satânicos”, a pedido da revista britânica Metal Hammer.

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O líder do Ghost falou sobre a canção em matéria publicada no ano de 2018. Durante sua reflexão, apontou o grande diferencial do Sabbath ao fazer esse tipo de referência.

“O Black Sabbath tem tantas músicas com referências a Lúcifer, mas geralmente havia um tom bastante humano, triste e romântico nas letras de Geezer Butler. Eles são uma grande inspiração para mim e para o que fazemos. Não tanto os dois primeiros álbuns, mas certamente o ‘Sabotage’ e o ‘Sabbath Bloody Sabbath’. Muitas das bandas de sludge and doom reivindicam uma influência do Sabbath, mas elas estão apenas pegando emprestadas certas músicas, então elas são bastante unidimensionais, é sempre ‘Symptom of the Universe’ ao invés de, digamos, ‘Laguna Sunrise’. ‘N.I.B.’ é uma ótima música e ‘Meu nome é Lúcifer, por favor, pegue minha mão’ é um trecho de letra memorável.”

Geezer Butler e o significado de “N.I.B.”

Música presente no álbum de estreia do Black Sabbath, “N.I.B.” é uma declaração de amor de Lúcifer para uma mulher, a convidando a desfrutar dos prazeres de seu reino. Porém, ao contrário do que muitos fãs pensam – e o tributo oficial à banda, “Nativity in Black”, lançado em dois volumes, tenta reforçar –, o significado do nome é muito mais simplório que o imaginado.

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A canção teve título inspirado na barba do baterista Bill Ward, já que parecia curta e pontiaguda como uma “ponta de caneta” (“pen nib”). Em entrevista à revista Bass Player, o baixista Geezer Butler revelou:

“Quando escrevi ‘N.I.B.’, não consegui pensar em um título para a música, então apenas a chamei de Nib, em homenagem à barba de Bill, que parecia uma ponta de caneta, porque era pontiaguda.”

O álbum de estreia do Black Sabbath

Lançado em 13 de fevereiro de 1970, o primeiro disco do Black Sabbath é considerado precursor do que viria a ser conhecido como heavy metal. Embora vários artistas já estivessem se aventurando por sonoridades pesadas nos anos anteriores, a fórmula foi definida aqui.

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As gravações ocorreram em apenas 12 horas, no dia 16 de outubro de 1969. Exceção aos efeitos na faixa de abertura, algumas dobras de guitarra e passagens acústicas, tudo foi gravado com os músicos tocando juntos. Além das músicas autorais, o tracklist conta com versões para “Evil Woman”, do Crow (lançada como single) e “Warning”, do The Aynsley Dunbar Retaliation.

“Black Sabbath”, o álbum, ganhou disco de platina nos Estados Unidos, além de ouro na Inglaterra e Canadá.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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