Elegant Weapons apresenta sintomas de “banda de um só dono” em “Horns for a Halo”

Sem sair do quadrado metálico tradicional, estreia de grupo liderado por Richie Faulkner (Judas Priest) escora-se em paredão de riffs e letras subjetivas

Por mais que não esteja dando sinais de que vai parar por agora, em algum momento a idade há de pesar pra valer fazendo o vocalista Rob Halford e o baixista Ian Hill, ambos septuagenários, darem por encerrada a trajetória do Judas Priest. Com isso em mente, é natural que o guitarrista Richie Faulkner, 43, já esteja planejando o que fará em seguida. Sua primeira grande aposta é o Elegant Weapons, e ele não poderia estar mais bem ladeado na empreitada.

Embora os nomes de Dave Rimmer (Uriah Heep) e Christopher Williams (Accept), que farão a vindoura turnê, apareçam nos créditos, sabe-se que quem gravou o baixo e a bateria em “Horns for a Halo” foram, respectivamente, Rex Brown — atualmente viajando o mundo com o tributo ao Pantera — e o colega de Faulkner no Priest, Scott Travis.

- Advertisement -

Outro “da família” que dá as caras é Andy Sneap, produtor que vem substituindo o guitarrista Glenn Tipton nas apresentações do Judas após este ter sido diagnosticado com doença de Parkinson.

Os vocais ficaram a cargo de Ronnie Romero. Talvez o maior “ame ou odeie” da presente geração de cantores do hard e metal, o chileno de 41 anos cuja voz lembra muito a do saudoso Steve Lee (Gotthard) faz bonito à frente de grupos menores (The Ferrymen, Lords of Black), mas enfrenta resistência dos fãs no mais estabelecido Sunstorm (no qual substituiu ninguém menos que Joe Lynn Turner) e no Rainbow, pelo qual passaram lendas do gabarito de Ronnie James Dio, Graham Bonnet e o próprio Turner.

Leia também:  Bruce Dickinson desafia o ouvinte em “The Mandrake Project”

Em entrevista a este jornalista, publicada no site IgorMiranda.com.br, Richie afirmou que todas as músicas do repertório começaram com um riff. É ouvir o disco para se ter essa certeza, pois a guitarra se insinua da mesma forma que o faz em “Firepower” (2018), a mais recente entrega do Judas: como um paredão, uma muralha sonora em que, vez ou outra, nota-se uma ênfase maior do que a necessária para conferir o peso desejado. Trocando em miúdos, o instrumento vira e mexe engole todos os demais na mixagem; sintoma de banda de um só dono.

Não obstante Faulkner elenque uma miríade de fontes de inspiração, citando até Alice in Chains, “Horns for a Halo” não pisa muito fora do quadrado metálico tradicional. Nem musical, nem tematicamente.

Leia também:  Keith Richards regrava Velvet Underground para coletânea dedicada a Lou Reed

É lógico que uma letra como a de “Blind Leading the Blind” permite associações imediatas com a ascensão da extrema direita em todo o mundo. No geral, porém, os versos são mais subjetivos, não compelindo o ouvinte a investigar seu significado; tanto que “Ghost of You”, o mais próximo de uma balada que temos por aqui pode ser entendida tanto como uma canção de amor quanto como uma ode ao desamor.

O tracklist de “Horns for a Halo” inclui ainda uma versão calibrada de “Lights Out”, do UFO. Aposta certa, segura e precisa. Dentro do quadrado.

*“Horns for a Halo” será lançado em todas as plataformas digitais, nesta sexta-feira (26), pela Nuclear Blast. Também ganhará edição física em CD nacional pela Shinigami Records. Clique aqui para fazer o pré-save do álbum em seu streaming preferido.

Elegant Weapons – “Horns for a Halo”

  1. Dead Man Walking
  2. Do Or Die
  3. Blind Leading The Blind
  4. Ghost Of You
  5. Bitter Pill
  6. Lights Out
  7. Horns For A Halo
  8. Dirty Pig
  9. White Horse
  10. Downfall Rising

Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Twitter | Facebook | YouTube.

ESCOLHAS DO EDITOR
InícioLançamentosElegant Weapons apresenta sintomas de “banda de um só dono” em “Horns...
Marcelo Vieira
Marcelo Vieirahttp://www.marcelovieiramusic.com.br
Marcelo Vieira é jornalista graduado pelas Faculdades Integradas Hélio Alonso (FACHA), com especialização em Produção Editorial pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Há mais de dez anos atua no mercado editorial como editor de livros e tradutor freelancer. Escreve sobre música desde 2006, com passagens por veículos como Collector's Room, Metal Na Lata e Rock Brigade Magazine, para os quais realizou entrevistas com artistas nacionais e internacionais, cobriu shows e festivais, e resenhou centenas de álbuns, tanto clássicos como lançamentos, do rock e do metal.

DEIXE UMA RESPOSTA (comentários ofensivos não serão aprovados)

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimas notícias

Curiosidades