Entrevista: Symphony X celebra 25 anos de carreira com shows no Brasil

Michael Romeo (guitarra) e Michael LePond (baixo) recordam as várias turnês pelo país, refletem sobre passado e comentam planos futuros em bate-papo exclusivo

Poucas são as bandas que chegam a completar 25 anos de carreira, com uma discografia consistente e ainda soando relevantes. Pode-se dizer que a banda de power metal progressivo Symphony X é um desses raros exemplos.

Com uma formação praticamente estável desde o disco “V” (2000) composta por Michael Romeo (guitarra), Russell Allen (vocal), Michael LePond (baixo), Michael Pinella (teclados) e Jason Rullo (bateria), o grupo retorna ao Brasil nesta semana para uma série de quatro shows, a serem realizados:

Em entrevista exclusiva ao site IgorMiranda.com.br, Romeo e LePond refletiram sobre a longevidade do Symphony X e a relação duradoura com o Brasil. Sobre o primeiro tópico, Romeo, único remanescente original da banda criada em 1994, diz:

“Acho que são algumas coisas, mas principalmente, é o fato de que todos nós gostamos de fazer o que fazemos e ainda nos importamos com a música. Outra coisa é que todos nos damos bem uns com os outros e tentamos nos divertir com tudo.”

Na visão do baixista, a razão mais importante para a banda chegar aos 25 anos é a integridade da música feita.

“O Symphony X nunca lançará um álbum a menos que todas as músicas sejam ótimas. Por isso, nossos fãs nos apreciam e permanecem leais.”

Surpresa logo na primeira tour

Os primeiros shows da carreira do Symphony X foram realizados para divulgar aquele que já era seu quarto álbum de estúdio, “Twilight in Olympus” (1998). O período marcou a entrada de Michael LePond na formação, no lugar de Thomas Miller.

Em 2000, foi lançado o disco que seria o divisor de águas da banda – “V, The New Mythology Suite”, que também contou com a volta de Jason Rullo à banda e o início das turnês de divulgação. O Brasil fez parte desse início: no mesmo ano, os americanos vieram para suas primeiras apresentações no país no Cia. Do Brasil, em São Paulo – com casa cheia, público apaixonado e muito calor.

Inclusive, Romeo conta que essas são seus shows favoritos já feitos em território nacional até hoje.

“Eu me lembro da nossa primeira vez lá e daquela recepção dos fãs… foi incrível! Eu também me lembro de nós chegando no hotel e vendo MUITOS fãs lá fora! Certamente não estávamos esperando por isso! Foi incrível ver uma resposta tão entusiasmada e será algo que sempre lembraremos.”

Para LePond, essas duas apresentações foram igualmente especiais por serem as primeiras como integrante oficial do Symphony X.

“Eu não tinha ideia do que esperar. Quando começamos a tocar, fiquei encantado com a paixão da torcida brasileira. Foi uma das maiores experiências da minha vida.”

Longo intervalo – e Metal Open Air

Embora os shows na Cia. do Brasil tenham sido memoráveis, houve um hiato considerável até a próxima apresentação em São Paulo, realizada em 2007 num Via Funchal com bom público – e esta apresentação é a favorita de Michael LePond no país.

“Em 2007, eu não esperava tocar em uma casa grande, principalmente porque os shows de 2000 foram em uma casa menor. Ficamos impressionados ao ver 3 mil pessoas no show! Foi o maior show como headliner de toda a nossa carreira.”

Na ocasião, o grupo ainda tocou em Porto Alegre, Belo Horizonte e Manaus.

Por outro lado, um dos pontos que não foram tão positivos na trajetória brasileira da banda foi a passagem pelo Metal Open Air em 2012. O festival em São Luís anunciou 47 shows de artistas nacionais e internacionais, mas apenas 14 se apresentaram em estrutura longe do prometido a músicos e fãs. LePond explica:

“À nossa chegada, vimos que as coisas não estavam a correr bem. Uma gestão muito ruim do festival levou o Symphony X a subir ao palco muito tarde. Felizmente, tocamos no primeiro dia porque ouvi dizer que foi cancelado no segundo dia.”

(Michael Romeo não quis comentar sobre o festival)

Desde então, o grupo tem feito pelo menos uma apresentação no país a cada lançamento, sempre com boa repercussão em todas elas e inclusive com “mais alguns rostos mais jovens aqui e ali”, na visão de Romeo, em um sinal de renovação do público.

Apesar da chegada de novos fãs, LePond aponta que “nunca houve mudanças na paixão e amor que os fãs têm” pelo Symphony X.

“As únicas mudanças foram os tamanhos das plateias. Acho que depende de quantas turnês estão acontecendo ao mesmo tempo.”

“The Odyssey” e “Paradise Lost”

O ano de 2022 também registra dois marcos importantes na carreira do Symphony X: os 20 anos de lançamento do álbum “The Odyssey” (5 de novembro de 2002) e os 15 anos de “Paradise Lost” (26 de junho de 2007).

Segundo Michael Romeo, cada álbum do Symphony X exige muito trabalho e com “The Odyssey” não foi diferente, “especialmente decidindo fazer uma música tão longa como a faixa-título”.

“Mais uma vez, muito trabalho, mas gostamos de cada passo do caminho.”

No caso de Michael LePond, as lembranças envolvendo o álbum são um pouco mais específicas – uma vez que foi ele quem deu a ideia de experimentar o conceito da Odisseia.

“Ele (Romeo) adorou o conceito e o tornou vivo com seu gênio musical. Também me lembro de ter que gravar o baixo na faixa-título. Foi como uma prova de faculdade!”

No caso de “Paradise Lost”, o fato do disco ser um pouco mais direto foi citado por Michael Romeo, que queria voltar às suas primeiras influências quando se trata de guitarra.

“Lembro de pensar em como fiquei empolgado, quando criança, quando aquele novo álbum do Judas Priest, Iron Maiden ou Black Sabbath saiu. Eu queria revisitar essa ideia e mantive isso em mente enquanto escrevia coisas para ‘Paradise Lost’… um pouco mais no lado ‘metal’ e com muitos riffs de guitarra, é claro.”

O baixista compartilha da mesma percepção.

“Lembro de ouvir as faixas pela primeira vez e pensar: ‘esse álbum será incrível’. Também foi o único álbum que gravei meu baixo com Russell Allen como engenheiro de som em vez de Michael Romeo.”

Projetos paralelos

O Symphony X esteve praticamente inativa desde 2017, por conta dos compromissos de Russell Allen com o projeto Adrenaline Mob – existia inclusive o plano de que os trabalhos do sucessor de “Underworld” (2015) fossem iniciados em 2018.

Contudo, em julho de 2017 a banda envolveu-se em um sério acidente de carro, na região da Flórida, que vitimou o baixista David Z e a tour manager Jane Train.  Russell sofreu ferimentos graves e precisou de algum tempo de recuperação. Mais tarde, o vocalista excursionou com o Trans-Siberian Orchestra.

Mas isso não quer dizer que os músicos estiveram completamente parados. Pelo lado de Romeo, ele retomou o conceito do livro “Guerra dos Mundos” (H.G.Wells) com o lançamento do álbum “War of the Worlds pt.2”, no último mês de março.

Ressaltando que a obra de Wells era o ponto básico, tanto musical como ocasionalmente nas letras, o guitarrista comentou:

“A banda estava dando um tempo por volta de 2017 / 18, e eu tinha algumas ideias para um álbum solo. Musicalmente, eu queria fazer algo mais cinematográfico / orquestral. Ainda com muita guitarra, mas também incorporando mais elementos orquestrais, eletrônicos e híbridos. Compus muito material para ele na época e decidi apenas dividi-lo em duas partes… parte I e II. Eu me diverti muito trabalhando e a resposta foi ótima!”

No caso de Michael LePond, ele tem tocado com outros músicos além do Symphony X, como o guitarrista Ross the Boss tanto na banda do ex-Manowar como no projeto Death Dealer.

“O Manowar sempre foi uma das minhas bandas favoritas, então tocar com Ross é muito divertido quando o Symphony X está fora da estrada. Às vezes, organizar todas as minhas gravações e turnês é difícil, mas sempre há uma solução.”

Entretanto, LePond não estará na formação que virá se apresentar com Ross the Boss no festival Setembro Negro.

“Não tenho notícias dele há algum tempo. Não tenho certeza do que isso significa ainda.”

O futuro do Symphony X

O Symphony X não lança um álbum de inéditas desde “Underworld” (2015) e, como lembra Michael Romeo, a banda está “apenas voltando ao ritmo das coisas” após a fase mais crítica da pandemia de covid-19.

O quinteto recentemente realizou uma turnê pelos Estados Unidos, o que inclusive ajudou os músicos a se reaproximarem. O guitarrista pontua:

“Como alguns de nós moram em diferentes partes do país, não nos vimos durante todo esse tempo. Então essa última turnê nos Estados Unidos foi muito boa para nós… reunindo-nos novamente, fazendo shows, saindo e tocando. Estamos conversando sobre algumas ideias agora para um novo álbum e continuaremos trabalhando nele no próximo ano.”

Quanto aos shows no Brasil, a banda está bem otimista com as apresentações por vir. Além de Rio de Janeiro, Limeira, São Paulo e Fortaleza, a turnê pela América Latina passará por Santiago (Chile), Cidade do México, Monterrey e Guadalajara (México).

No caso das apresentações brasileiras, tanto Romeo como LePond mostram-se bastante animados com a receptividade do púbico. A expectativa é que o setlist seja diversificado para cobrir os 25 anos de carreira. O guitarrista ressalta:

“Para o setlist, tentamos fazer um cover de cada álbum. É difícil com tantas músicas, e todos nós temos nossas favoritas também. Mas o mais importante, o setlist tem que ter um bom fluxo do começo ao fim. Nos ensaios, tentamos algumas sequências diferentes, músicas diferentes, etc… e eventualmente chegamos a esta. Tem um pouco de tudo lá.”

LePond mostra-se especialmente animado com as apresentações.

“Tocamos aí há mais de 20 anos e adoramos sempre. É a nossa segunda casa. Os fãs brasileiros são mais barulhentos e têm mais paixão do que qualquer país.”

Serviço – Symphony X no Brasil

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