The Cold Stares aprimora veia heavy blues com pegada pessoal em “Heavy Shoes”

Motivados por história de vida difícil e cheia de tragédias, músicos lançam 5º disco de estúdio

O duo americano The Cold Stares, formado por Chris Tapp (voz e guitarra) e Brian Mullins (bateria), acaba de lançar um novo álbum de estúdio. Intitulado “Heavy Shoes”, o trabalho chega a público pela gravadora Mascot Records.

Sucessor de “Ways” (2020), o novo disco volta a apostar em uma sonoridade que mistura a melancolia do blues com uma boa dose de peso. Entretanto, desta vez, a promessa é de temáticas mais fortes exploradas nas letras.

Ouça a seguir, via Spotify, ou clique para conferir em outras plataformas.

“Heavy Shoes” está diretamente ligado aos acontecimentos na vida de Chris Tapp, cuja história daria um álbum conceitual por si só. O parceiro de Brian Mullins descobriu aos 10 anos que era adotado. Seu avô cometeu suicídio pouco tempo depois disso e foi encontrado morto pelo músico.

Algum tempo depois, ao pesquisar sobre as origens da família, ele descobriu um antepassado com problemas com a lei, que era frequentemente perseguido pelo xerife e pelo delegado da região onde a família vivia, até acabar matando ambos.

Como se nada disso fosse o bastante, já adulto, em 2009, Tapp foi diagnosticado com um câncer terminal. Os médicos lhe deram 6 meses de vida – um prognóstico que, felizmente, não se provou real.

Embora os detalhes pareçam aleatórios, eles ajudam a explicar o peso que não só o som, mas as letras do The Cold Stares trazem. É possível pegar até mesmo algumas influências góticas em meio ao blues pesado, carregado de melancolia.

Tudo isso oferece um diferencial ao som da dupla, que, com “Heavy Shoes”, se consolida em um momento onde as variações do chamado garage rock parecem não atrair mais tanta atenção como em outros tempos. Mais que isso: a aura heavy desse disco tem potencial para gerar identificação e aproximação com o público.

Como se trata de um álbum gravado por um duo, “Heavy Shoes” não é o tipo de trabalho que oferece grandes mudanças, sejam rítmicas ou melódicas. Ainda que seja possível ouvir um baixo discreto ao fundo de algumas faixas, todo o material foi produzido para ser tocado ao vivo por um guitarrista e um baterista.

Mesmo assim, a audição não é enjoativa. Fora a qualidade individual das músicas, há uma preocupação em encaixar cada faixa no momento certo. A pesada “40 Dead Men”, com riffs tipicamente Black Sabbath, é sucedida pela ligeiramente arrastada “Take This Body From Me” não por acaso. Mesmo caso da sequência que traz a climática e retrô “In the Night Time” abrindo alas para as linhas de guitarra intensas de “Strange Light” – aliás, os riffs são o grande destaque do trabalho como um todo.

Com “Heavy Shoes”, o The Cold Stares encerra qualquer dúvida a respeito de sua relevância. É uma grande banda naquele que é, provavelmente, o auge de sua carreira, já que entregou seu melhor álbum até agora.

O álbum está em minha playlist de lançamentos, atualizada semanalmente. Siga e dê o play:

The Cold Stares – “Heavy Shoes”

  1. Heavy Shoes
  2. 40 Dead Men
  3. Take This Body From Me
  4. Hard Times
  5. In The Night Time
  6. Strange Light
  7. Prosecution Blues
  8. It’s A Game
  9. Save You From You
  10. You Wanted Love
  11. Election Blues
  12. Dust In My Hands
  13. Hard Times

* Texto desenvolvido em parceria por Igor Miranda e André Luiz Fernandes. Pauta, edição geral e redação do conteúdo opinativo (resenha) por Igor Miranda; redação e apuração do conteúdo informativo por André Luiz Fernandes.

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