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Por que Bruce Kulick prefere Tommy Thayer, e não ele próprio, no Kiss atual


Bruce Kulick foi o guitarrista do Kiss entre 1984 e 1996. Ele só saiu para dar vaga a Ace Frehley, que retomou seu posto na reunião da formação original da banda, entre 1996 e 2001.

Frehley foi o primeiro a abandonar o barco quando a reunião acabou em treta. Kulick, então, seria o substituto original para a vaga, correto?

Errado: o Kiss preferiu convocar Tommy Thayer, músico com passagem pelo Black ‘N Blue que trabalhava nos bastidores da banda há alguns anos. Thayer foi, inclusive, o responsável por fazer com que Ace Frehley reaprendesse algumas músicas que o próprio veterano havia composto na década de 70.

Pouco tempo depois, quando Peter Criss também deixou o Kiss, o substituto convocado foi Eric Singer, que tocou com Bruce Kulick na banda entre 1991 e 1996. Singer, inclusive, retornou utilizando a maquiagem e os trajes de Catman, que notabilizaram Criss no passado – assim como Tommy Thayer, que adotou a persona de Spaceman, original de Ace Frehley.

Por que Bruce Kulick foi deixado para escanteio? Não seria ele a escolha natural para reintegrar o Kiss naquele período? Em entrevista ao site Sleaze Roxx, o músico disse que, na verdade, sentiu alívio por não ser convidado para voltar à banda.

O motivo é simples: Kulick declarou que não gostaria de ter que usar a maquiagem e os trajes de Spaceman, tão ligados a Ace Frehley.

De início, o guitarrista contextualizou: “Quando tive que sair em 1996 após o sucesso do ‘MTV Unplugged’, as pessoas estavam cientes da musicalidade entre Eric Singer e eu, mas após 20 anos das pessoas ouvindo falar do Kiss com maquiagem, era tipo um reboot de ‘Star Wars’. As pessoas queriam ver aquilo. Chegou num ponto em que Gene e Paul tiveram que chamar Eric Singer, que é um tremendo baterista. Fico feliz por ele”.

Bruce, então, elogiou o trabalho de Tommy Thayer e explicou por que não encaixaria na formação atual do Kiss. “Ace saiu e foi fácil para eles seguirem com Tommy Thayer, que é fantástico como Spaceman. Se me chamassem, seria estranho. Muitas pessoas perguntam por que não estou lá. Acho que Tommy assumir essa vaga é mais natural do que eu me tornar o Spaceman, atirando foguetes da minha guitarra”, afirmou.

O músico pontuou que se sentiu “aliviado” por não ter sido convidado para voltar ao Kiss em 2001, para substituir Ace Frehley. “Fiquei aliviado. Acho que se me chamassem e eu aceitasse, ficaria chateado. Sei que Tommy e Eric evitam ler comentários na internet. Sou mais próximo de Eric. O remédio deles é fazer um grande trabalho e não ler comentários. Fico chocado quando leio algum comentário ruim sobre mim. Não gosto de nada negativo na internet”, disse.

Apesar disso, ele reconhece que, se fosse chamado, ficaria pensando no assunto – especialmente porque já estava trabalhando com o Grand Funk Railroad. “Quando chamaram Tommy, eu já estava com o Grand Funk Railroad e estou feliz com isso. Claro, não é o Kiss, mas é um ótimo trabalho. Agora, pense: e se eu fosse chamado, aceitasse e eles quisessem Ace de volta novamente? Eu ficaria sem o Kiss e sem o Grand Funk”, afirmou.

Bruce Kulick, Tommy Thayer e Ace Frehley

Ainda durante o bate-papo, Bruce Kulick destacou que, caso retornasse ao Kiss, teria que tocar os solos de Ace Frehley com exatidão. E isso era algo que ele não fazia em sua passagem pela banda, entre 1984 e 1996. Por outro lado, Tommy Thayer desempenha essa função com maestria – ele, inclusive, fez parte de uma banda cover de Kiss no passado.

“Não acho que eu ficaria feliz com isso. Tommy faz isso perfeitamente. Nunca me pediram para eu aprender as músicas iguaizinhas, nota por nota, mas se você vai ser o Spaceman, deve tocar igual ao que Ace criou. Não quer dizer que eu não toque as músicas clássicas com respeito. Toco as canções do Grand Funk Railroad respeitosamente, colocando meu estilo, assim como fiz no Kiss. Porém, perderia minhas liberdades como Spaceman”, disse.

Como era de se esperar, Bruce Kulick e Tommy Thayer são amigos. Além disso, Kulick seguiu colaborando esporadicamente com o Kiss, seja participando do cruzeiro ‘Kiss Kruise’ ou em trabalhos solo dos integrantes.

“Fiquei mais próximo de Tommy depois dos ‘Kiss Kruise’ que participei. Conversamos muito. Ele me disse que nunca havia usado a alavanca Floyd Rose direito, perguntou como eu tocava ‘Crazy, Crazy Nights’. Eu disse para ele não se preocupar e sugeri que ele tocasse da forma que fosse melhor para ele, pois não me ofenderia se ele não copiasse o que eu gravei”, afirmou.

Por fim, Kulick reconheceu que o estilo de Thayer é mais próximo ao de Ace Frehley. “Eu tenho minha abordagem própria, em músicas como ‘Tears Are Falling’, ‘Who Wants To Be Lonely’, ‘Unholy’ e até no solo acústico de ‘Forever’. Tenho orgulho do que fiz com o Kiss”, disse.


Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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