Opinião

Está na hora de parar, Lemmy


Desde 2012, até onde constam meus registros, a saúde de Lemmy Kilmister é um problema para a sequência do Motörhead. Segue lista de shows afetados por cancelamento ou reduzidos após Lemmy passar mal:
  • Metal Fest, Chile (28 e 29 abril de 2012 – cancelado);
  • Kempten, Alemanha (11 de dezembro de 2012 – cancelado);
  • Festival See-Rock, Áustria (29 de junho de 2013 – cancelado);
  • Toda a turnê europeia que seria feita no verão do Hemisfério Norte (2013 – cancelado);
  • Wacken Open Air, Alemanha (show reduzido a 30 minutos);
  • Festivais Welcome To Rockville, Carolina Rebellion, Rock On The Range e Rocklahoma (entre abril e maio de 2014 – cancelados);
  • Monsters Of Rock, Brasil (25 de abril de 2015 – cancelados);
  • Salt Lake City, Estados Unidos (27 de agosto de 2015 – show reduzido a quatro músicas);
  • Denver, Estados Unidos (28 de agosto de 2015 – cancelado);
  • Austin, Estados Unidos (1° de setembro de 2015 – show reduzido a três músicas);
  • San Antonio, Estados Unidos (2 de setembro de 2015 – cancelado);
  • Dallas, Estados Unidos (4 de setembro de 2015 – cancelado);
  • Houston, Estados Unidos (5 de setembro de 2015 – cancelado).
 
Não há registros se todos esses shows foram feitos posteriormente. Mas a apresentação no Monsters Of Rock, em São Paulo (SP), por exemplo, não foi reagendada. A turnê europeia em 2013 foi remarcada e cancelada por três vezes. As performances interrompidas no início do repertório também não aconteceram em outras datas.
 
Preferi abrir esse texto com dados porque tenho consciência da dificuldade que existe quando se lida com a paixão. Tanto a dos fãs, que veem Lemmy Kilmister como um deus (apesar de ser uma imagem construída de forma bem marqueteira), quanto a do próprio Lemmy, que não larga o osso porque foi com esse osso que ele passou a vida. O frontman do Motörhead não é casado, tem apenas um filho – com o qual tem pouco contato – e dedicou sua vida à banda.
 
Só que não dá mais. Ninguém pode mandar no destino de Lemmy Kilmister, mas a situação é tão preocupante que muitos já devem estar comprando ingressos para shows do Motörhead na expectativa de ver Lemmy morrer.
 
Não é só imprudente continuar a fazer shows – chega a ser egoísta. Cancelar apresentações ou interrompê-las antes do fim do repertório com tanta frequência, em função dos problemas de saúde já conhecidos, é deixar o fã na mão. Lemmy não abandonou ainda os palcos porque não vive sem sua banda. Não é por causa de seus admiradores. O valor do ingresso, com certeza, não é devolvido após uma performance cortada na quarta música.
 
Em entrevista à Classic Rock Magazine, em 2013, Lemmy Kilmister cogitou deixar de fazer shows se a sua condição o impedisse. “Vamos seguir em frente. Talvez façamos como os Beatles após 1966 e continuemos apenas gravando discos”, afirmou, à época. Parece ter desistido da ideia. Não só porque o Motörhead sempre foi uma banda de palco, mas também porque foi ali que Lemmy sempre esteve.
 
O caso de Lemmy é mais sério do que se pensa. O músico pode estar com algum tipo de depressão que simplesmente o impede de deixar de fazer shows. Algo semelhante com o que alguns jogadores de futebol sofrem quando precisam abandonar os gramados. Não se trata apenas de bradar o peito e dizer que Lemmy decide o que fazer. Preservar a vida e evitar um fim precoce ou decadente é prioridade.

Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Apaixonado por rock desde a pré-adolescência, começou a escrever sobre música na internet em 2007. Anos depois, co-fundou o site Van do Halen e trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia. Atualmente, é redator-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia sites como o Cifras, Ei Nerd e outros. Também é redator do Whiplash.Net, o maior site de rock e heavy metal do Brasil.
http://igormiranda.com.br

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