Resenhas

Com novo disco “Better Days Comin'”, o Winger está finalmente de volta



Winger: “Better Days Comin'” (2014)

Cinco anos sem um álbum de inéditas, o Winger acabou até surpreendendo demais quando anunciou que lançaria um novo disco. A banda está encostada. Reb Beach é quem conquista mais notoriedade com os projetos paralelos, especialmente por um: é guitarrista do Whitesnake, apesar de ser basicamente o base, enquanto Doug Aldrich assume grande parte dos solos.
O pesado “Karma”, de 2009, não agradou completamente os fãs. Aliás, desde a reunião, o grupo não mostra um trabalho sólido de inéditas. “IV”, de 2006, também é questionado. Gosto dos dois, especialmente do até então mais recente. Mas a partir de “Better Days Comin'”, o consenso deve ser de que, enfim, o Winger acordou e retomou sua essência.
A abertura climática com “Midnight Driver Of A Love Machine” começa com um bom preparativo para os ouvidos. A canção cresce de acordo com a performance de Kip Winger. O refrão é ótimo e, para variar, Reb Beach tem boas aparições. “Queen Babylon” adiciona uma significativa dose de peso. Os teclados se fazem presentes, diferentemente do antecessor, “Karma”.
“Rat Race” dá sequência com a manutenção do peso, mas com aceleração em complemento. Um digno hard n’ heavy com um excelente riff principal. A faixa título é um típico classic hard rock. Batida básica e refrão em coro, simplesmente irresistível. Kip Winger deixa um pouco de lado a voz aguda nos versos e explora um pouco mais os graves. Um grande cantor, sem dúvidas. “Tin Soldier” é mais contemporânea. No entanto, a semi-balada não foge da essência do grupo. O trabalho de guitarras é otimo aqui.
A balada “Ever Wonder” dá sequência com um pouco de exagero: os quase sete minutos de duração deixaram a canção repetitiva e um pouco enfadonha, mesmo com o refrão de melodia gostosa. “So Long China” começa com um riff pop rock interessante, mas depois apresenta o “peso melódico” característico do Winger. Seria uma música melhor se a performance vocal de Kip fosse um pouco mais inspirada.
“Storm In Me” mergulha ainda mais em vertentes contemporâneas do heavy metal. Arrastada e um pouco soturna no arranjo melódico, a canção não atrai muito. A balada “Be Who You Are, Now” é sonolenta e ainda mais arrastada do que a faixa anterior. A faixa bônus da edição deluxe, “Another Beautiful Day”, volta a ter Reb Beach na linha de frente. Kip Winger volta a fazer uma boa performance vocal. “Out Of This World” encerra o trabalho com um pé no freio: mais uma power ballad. No entanto, melhor que as anteriores. O solo de Beach ao final é bastante inspirado em “Headed For A Heartbreak”.
“Better Days Comin'” é o melhor trabalho do Winger desde o retorno da banda com “IV”. Finalmente, o grupo voltou a unir peso e melodia como deveria. Soube se reinventar, também, para a demanda musical dos dias atuais. Composições (líricas e melódicas) mais maduras, bom trabalho instrumental (com destaque natural a Reb Beach) e inspiração nos vocais de Kip Winger dão a tônica do disco. A banda está próxima do ideal, mesmo com alguns pontos fracos. Vale a pena escutar.

Nota 8

Kip Winger (vocal, baixo, teclados)
Reb Beach (guitarra)
John Roth (guitarra, teclados)
Rod Morgenstein (bateria)

01. Midnight Driver of a Love Machine
02. Queen Babylon
03. Rat Race
04. Better Days Comin’
05. Tin Soldier
06. Ever Wonder
07. So Long China
08. Storm in Me
09. Be Who You Are, Now
10. Another Beautiful Day
11. Out of This World


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Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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