Poucas bandas conseguiram expandir os limites do hardcore nos últimos anos como o Turnstile. Formado em 2010, na cidade americana de Baltimore, o grupo mistura a visceralidade típica do gênero, o apreço por melodias característico de algumas ramificações e um teor de experimentação sonora raro nesse segmento. Não à toa, seus integrantes sequer enxergam o grupo encaixado em um estilo específico.

Como consequência, o alcance da banda se ampliou — em especial a partir de seu terceiro álbum “Glow On” (2021), responsável por incorporar elementos de dream pop e música eletrônica. Desde então, o quinteto hoje composto por Brendan Yates (voz), Pat McCrory (guitarra), Meg Mills (guitarra a partir de 2023), Franz Lyons (baixo) e Daniel Fang (bateria) passou a figurar nos lineups dos maiores festivais do mundo — incluindo o Lollapalooza Brasil, onde já haviam tocado em 2022 numa posição menos valorizada de lineup.

O reconhecimento também veio da crítica, com direito a sete indicações ao Grammy (e duas vitórias) em tempos recentes, e da indústria, com elogios de Elton John, Olivia Rodrigo e Charli XCX. Esta, inclusive, cravou que o Turnstile viveria o ano de sua vida em 2025, muito devido a “Never Enough” (2025), álbum que continua a progressão de “Glow On”.

Neste contexto, o quinteto realizou um dos shows mais aguardados do domingo (22), terceiro e último dia de Lolla. O nível de entrega dos músicos, bem como da plateia, trouxe como resultado uma das melhores apresentações do festival em 2026.

O público ainda se mostrava tímido com a abertura “Never Enough”, em consonância com o próprio andamento da canção. Ainda assim, durante ela, acenderam-se os primeiros sinalizadores na plateia. A partir de “T.L.C. (Turnstile Love Connection)”, a intensidade veio de vez e consolidou mosh pits mantidos até o fim do set. Tudo isso em meio a um palco de visual chamativo, com muitas cores projetadas no telão ao fundo.

Como esperado, “Glow On” e “Never Enough” formaram praticamente toda a base do repertório, com 13 das 14 faixas vindo desses discos — seis de um, sete do outro. “Real Thing”, ao meio do setlist e oriunda do disco “Time & Space” (2018), foi a única que fugiu à regra. Do trabalho de 2021, destacaram-se a enérgica “Holiday”, a agressiva “Don’t Play” e a melódica “Mystery”, que compôs o bis junto de “Blackout” e “Birds”, vindas do registro mais recente. Na canção derradeira, um pandemônio com ainda mais sinalizadores.

Independentemente do álbum ou andamento, cada som era recebido com participação massiva dos fãs. E mesmo sem tantos momentos de comunicação direta, Brendan Yates mostrou-se carismático e diretamente conectado aos presentes, a ponto de, no minuto conclusivo, ter se jogado na galera em um mergulho para além da beira da grade. Uma catarse do início ao fim, de um jeito que, segundo relatos, foi percebido até mesmo na transmissão da TV — pois, influências diversas à parte, ainda é hardcore.

Turnstile — repertório no Lollapalooza Brasil 2026
- Never Enough
- T.L.C. (Turnstile Love Connection)
- Endless
- I Care / Dull
- Don’t Play
- Real Thing
- Sole
- Seein’ Stars
- Holiday
- Look Out for Me
Bis: - Mystery
- Blackout
- Birds

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