Em setembro de 1978, o Kiss disponibilizou simultaneamente quatro álbuns solo, um para cada integrante da banda. Por consequência, surgiu uma certa “disputa” em torno de qual dos músicos teria o melhor desempenho nas paradas: Gene Simmons, Paul Stanley, Ace Frehley ou Peter Criss.
Na Billboard 200, que contabiliza a venda de discos, o Demon conseguiu o destaque no lançamento, figurando no 22º lugar com o projeto. Já na Billboard Hot 100, voltada aos singles, o saudoso Spaceman levou a melhor, com a releitura de “New York Groove” aparecendo na 13º posição.
Fato é que Gene já atribuiu para si próprio o mérito de maior sucesso comercial. Na autobiografia “Por Trás da Maquiagem” (2001), o baixista e vocalista escreveu:
“Todos os discos fizeram sucesso: começaram vendendo bem e continuam até hoje. Após uns vinte anos de vendas, estou em primeiro lugar, um pouco à frente de Ace, que está um pouco à frente de Paul. O disco do Peter foi o que menos vendeu.”
Ace, porém, alegava que o ex-companheiro de banda estava mentindo. Durante entrevista ao canal Professor of Rock concedida pouco antes de sua morte em outubro do ano passado, o guitarrista afirmou que o antigo colega “nunca admitiria” a verdade. Conforme transcrição da Ultimate Guitar, disse:
“Gene nunca admitiria. Gene sempre diria que o disco dele vendeu mais. Era difícil para aqueles caras me elogiarem. Não sei por que eles eram assim. Eles nunca quiseram me dar o crédito que eu merecia. Eles sempre tentaram roubar a cena quando estávamos tocando ao vivo.”
No livro “Não me Arrependo – Memórias do Rock’n’roll” (2011), o guitarrista já havia destacado que os membros do Kiss não confiavam no potencial de seu disco. Não só, como acreditavam que ele não seria capaz de fazê-lo:
“Eu me senti bem com o meu projeto solo desde o início, principalmente porque sabia que teria a parceria de Eddie Kramer […]. No entanto, aparentemente, ninguém mais compartilhava da minha confiança. Ainda me lembro de Gene e Paul dizendo para mim, na frente de pelo menos uma dúzia de pessoas: ‘Ei, Ace, se você precisar de alguma ajuda em seu disco, não hesite em ligar’ […]. Para lembrar: Gene e Paul dominavam todos os álbuns do Kiss. Eles compuseram e cantaram a maioria das músicas. Eram as personalidades dominantes. Tenho certeza de que acharam que meu álbum seria um fiasco, ou que talvez eu nem conseguisse fazer um disco […]. A surpresa, para quase todo mundo, foi que Ace Frehley também acabou sendo o mais bem-sucedido comercialmente entre os álbuns solo, superando as vendas dos outros três e ainda rendendo um single no Top 20, ‘New York Groove’.”
Sobre Ace Frehley
Nascido no Bronx, em Nova York, Paul Daniel Frehley começou a tocar guitarra ainda na infância, incentivado pela família. Participou de uma série de bandas amadoras entre o final dos anos 1960 e início dos 1970s.
A consagração veio quando se juntou ao Kiss. Esteve presente em dois momentos, entre 1972 e 1982, regressando em 1996 e ficando até 2002. Criou o personagem Space Ace, além de ter desenhado o logotipo da banda. É até hoje o membro preferido de uma parte considerável dos fãs.
Na segunda metade dos anos 1980 comandou o Frehley’s Comet, que lançou dois discos de estúdio e teve repercussão mediana junto ao público. Deixou oito álbuns solo, incluindo o lançado em 1978, quando ainda estava na banda que o tornou famoso. O mais recente, “10,000 Volts”, saiu no início de 2024.
Faleceu no dia 16 de outubro, aos 74 anos, semanas após ter sofrido uma queda em casa.
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