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A música de Dave Grohl que Ozzy Osbourne rejeitou e foi parar em projeto curioso

Líder do Foo Fighters havia composto instrumental "super pesado" para o Príncipe das Trevas: "um riff matador"

Dave Grohl já trabalhou com uma série de grandes nomes, de Paul McCartney a Tony Iommi. Ainda assim, nem todas as parcerias que o líder do Foo Fighters tentou concretizar deram certo. O músico já teve um pedido de colaboração negado por David Bowie como também — segundo revelação recente — recebeu uma negativa de Ozzy Osbourne.

Durante recente entrevista à Kerrang! Radio, o cantor explicou que o convite inicial partiu de Sharon Osbourne, empresária e esposa do Príncipe das Trevas, no início dos anos 2000. Como a ideia era que compusesse um instrumental para o Madman, o artista optou por uma criação “super pesada” que combinasse com a sua voz. Só que a música acabou rejeitada. 

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Conforme transcrição da Classic Rock, ele relembrou:

“Sharon estava meio que entrando em contato com diferentes pessoas para ver se queriam ajudar a compor músicas com Ozzy. Então eu compus esse instrumental que era quase como uma música do Melvins — super, super pesado — e pensei: isso poderia ficar muito legal se o Ozzy cantasse por cima. Mas eles nunca escolheram, nunca usaram.”

Grohl não queria desperdiçar a composição. Sendo assim, resolveu utilizá-la no projeto Probot (2004), no qual contou com a participação de diferentes vocalistas da música pesada. Especificamente para a faixa, chamou Eric Wagner, saudoso vocalista do Trouble, que compôs uma letra para o instrumental — transformando-a em “My Tortured Soul”:

“Acabei usando a faixa em um disco que eu fiz depois. Chamava-se ‘Probot’ e tinha vocalistas diferentes em cada música. O cantor de uma banda chamada Trouble [Eric Wagner], uma lendária banda de metal, cantou nessa faixa e ela até tem meio que uma vibe de Ozzy. Nunca se tornou uma música do Ozzy, mas tem um riff matador, cara.”

Dave Grohl foi o causador da volta do Trouble

Inclusive, Wagner atribuiu a Grohl o fato de ter se reunido novamente com o Trouble. Ao The Official Danko Jones Podcast, em 2016, de acordo com o Blabbermouth, ele contou que estava afastado da música quando recebeu a proposta para cantar no álbum “Probot”, o que o “forçou” a voltar a compor:

“Eu tinha uma família de cinco pessoas para sustentar, então saí e arrumei um emprego de verdade para tentar manter tudo. Não lembro exatamente quando foi, mas um dia cheguei em casa e havia uma mensagem na minha secretária eletrônica de Dave Grohl. Ele dizia tipo: ‘estou fazendo um projeto chamado Probot e queria que você compusesse a letra de uma das músicas.’ Ele estava chamando alguns de seus cantores favoritos, que ele ouvia quando crescia. Ele era um grande fã do álbum ‘The Skull’, do Trouble, quando era garoto na Virgínia. Eu achei que fosse uma brincadeira, então nem dei bola. Duas semanas depois, ele ligou de novo, e dessa vez eu atendi e era ele mesmo. No começo fiquei meio assustado, porque ele me mandou a faixa e eu não sabia se ainda conseguia fazer aquilo. Fiquei com uma folha de papel em branco na minha frente por umas duas semanas, e comecei a pensar algo como: ‘meu Deus, acho que não consigo mais escrever.’ De repente, consegui, fiz a letra, gravamos o disco e foi ótimo. Não sei se devo culpá-lo ou agradecê-lo, mas depois disso foi quando liguei para os caras, meio que fizemos as pazes, voltamos e gravamos um disco e saímos em turnê de novo. O projeto Probot me trouxe de volta.”

Vale destacar que os artistas chegaram a tocar “My Tortured Soul” ao vivo no “MTV’s Headbangers Ball” e que Grohl é um grande fã do Trouble. À Metal Hammer, o ex-baterista do Nirvana mencionou a importância dos discos “Psalm 9” (1984) e “The Skull” (1985) em sua vida e declarou: 

“Os dois primeiros discos do Trouble, ‘Psalm 9’ e ‘The Skull’, foram extremamente influentes para mim. Eric Wagner também tem uma voz incrível. As primeiras músicas do Trouble eram muito mais pesadas do que qualquer coisa que você tenha ouvido ultimamente. Os riffs eram intrincados e interessantes, e o baterista tinha um balanço — quase arrastado — que deixava a música duas vezes mais pesada. Uma banda incrível.”

Sobre o Probot

A mente inquieta de Dave Grohl entregou em 2004 um de seus projetos paralelos mais elogiados e queridos entre os fãs de som pesado. O ex-baterista do Nirvana e frontman do Foo Fighters reuniu um verdadeiro “dream team” do heavy metal no álbum homônimo do Probot, que chega a se aproximar bastante das vertentes mais extremas do gênero.

A ideia de Grohl era simples e representava o sonho de muitos fãs e artistas de heavy metal: e se você pudesse gravar um disco com alguns de seus heróis na música?

O tracklist é o seguinte:

  1. “Centuries of Sin” (com Cronos, do Venom)
  2. “Red War” (com Max Cavalera, do Sepultura e Soulfy)
  3. “Shake Your Blood” (com Lemmy, do Motörhead)
  4. “Access Babylon” (com Mike Dean, do Corrosion of Conformity)
  5. “Silent Spring” (com Kurt Brecht, do D.R.I.)
  6. “Ice Cold Man” (com Lee Dorrian, do Cathedral e Napalm Death)
  7. “The Emerald Law” (com Wino, do St. Vitus e The Obsessed)
  8. “Big Sky” (com Tom G. Warrior, do Celtic Frost)
  9. “Dictatosaurus” (com Snake, do Voivod)
  10. “My Tortured Soul” (com Eric Wagner, do Trouble)
  11. “Sweet Dreams” (com King Diamond)
  12. “I am the Warlock” (com Jack Black, do Tenacious D)

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Maria Eloisa Barbosa
Maria Eloisa Barbosahttps://igormiranda.com.br/
Maria Eloisa Barbosa é jornalista, 24 anos, formada pela Faculdade Cásper Líbero. Colabora com o site Keeping Track e trabalha como assistente de conteúdo na Rádio Alpha Fm, em São Paulo.

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