Atualmente em turnê pelo Reino Unido, Espanha e Portugal, Michale Graves teve três shows cancelados em virtude dos posicionamentos políticos alinhados à direita — o cantor ex-Misfits já se declarou favorável ao Proud Boys, grupo definido como “extrema direita” e “neofascista” por fontes distintas. Uma das apresentações seria nesta quarta-feira (18), em Londres, e acabou suspensa devido à pressão popular.
Outras datas comprimetidas foram as de 21 e 28 de fevereiro. O vocalista tocaria em Sheffield e Stockport, também na Inglaterra, mas não irá mais. Há relatos de mobilizações, inclusive de políticos locais, para que mais performances de Graves e sua American Monster Band deixem de ocorrer.
Diante disso, o artista se manifestou em post no Instagram. Michale afirmou respeitar opiniões que divergem das dele e pediu para que os proprietários e funcionários das casas de shows, bem como todos os outros profissionais envolvidos, não fossem ameaçados.
A nota diz o seguinte:
“Nos últimos dias, tomei conhecimento de uma campanha online agressiva, orquestrada por organizações e indivíduos, direcionada aos meus próximos shows na Europa. Respeito que as pessoas possam ter opiniões diferentes ou optar por não comparecer a esses shows. Estou muito preocupado com o fato de que casas de shows, funcionários e pessoas que simplesmente estão exercendo suas funções estejam sendo submetidos a uma pressão e angústia significativas e, em alguns casos, sendo ameaçados para que simplesmente compareçam ao trabalho.
Quero deixar bem claro: meus shows são sobre música, comunidade e paixão compartilhada. Não promovo violência, ódio ou danos, e aqueles que já compareceram às minhas apresentações sabem que meu foco sempre foi unir as pessoas através da música. Todos são bem-vindos.
O cenário da música ao vivo deve permanecer um espaço seguro e inclusivo para todos — artistas, fãs, funcionários das casas de shows e comunidades locais. Ninguém deve se sentir inseguro ou intimidado por participar ou apoiar eventos de música ao vivo. Se minha música não lhe agrada, respeito totalmente sua escolha de não comparecer. No entanto, peço respeitosamente que as divergências sejam mantidas pacificamente e que as pessoas que trabalham arduamente nesses locais sejam tratadas com respeito.
Aguardo com expectativa a oportunidade de me apresentar para aqueles que desejam estar presentes e compartilhar música em um ambiente positivo, seguro e respeitoso.”
As posições políticas de Michale Graves
Vocalista do Misfits entre 1995 e 2000, Michale Graves já se definiu como “libertário” ao ser perguntado, mas ainda no início dos anos 2000, era um dos colaboradores do site “Conservative Punk”, que difundia na internet ideias conservadoras na cena punk.
Em 2020, Graves demonstrou apoio público à organização Proud Boys, em postagem hoje apagada das redes sociais. O artista também se mostrou favorável às ações de 6 de janeiro de 2021, nas quais apoiadores do então ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, invadiram o Capitólio, em Washington, em protesto contra a eleição de Joe Biden.
Tais ações são usadas como argumentos de boicote a Michael Graves desde 2025, quando shows nos Estados Unidos foram cancelados. O mesmo ocorreu no País de Gales, antes de começar a acontecer na Inglaterra no momento atual.
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