Roger Waters se manifestou pela primeira vez a respeito de seus controversos comentários sobre Ozzy Osbourne, proferidos pouco após o cantor ter falecido. Na ocasião, o ex-Pink Floyd havia dito ao The Independent Ink que o colega “apareceu na TV por centenas de anos com sua idiotice e bobagens” e que está “pouco se f#dend* para a música” de Osbourne.
A fala despertou a ira de Sharon Osbourne, viúva do Madman, e de seus filhos. Diante disso, Waters teve a oportunidade de se explicar, agora em entrevista ao jornalista Piers Morgan (via Far Out).
Inicialmente, Roger afirmou:
“Não nego ter feito esses comentários, mas eles foram feitos no meio de uma longa entrevista. Preciso gostar de todas as bandas de rock que já existiram no mundo ou de pessoas que arrancam a cabeça de morcegos com os dentes?”
Morgan, então, exibiu um vídeo de Sharon definindo Waters como “insignificante” e demonstrando chateação por tais falas terem sido proferidas logo após Ozzy ter falecido. O apresentador, em seguida, solicita que o músico peça desculpas. Roger concorda: “Claro que peço. […] Sharon, eu me desculpo”.
Em seguida, porém, faz críticas à viúva e empresária de Ozzy:
“Não que eu tenha qualquer simpatia por Sharon Osbourne. Ela é uma sionista fanática. Ela me acusou de todo tipo de coisa. Porque ela faz parte do lobby israelense e quer me silenciar.”
O ex-Pink Floyd ainda reafirmou suas declarações sobre o cantor original do Black Sabbath — seja a respeito de sua música ou sobre o episódio em que o falecido artista mordeu a cabeça de um morcego pensando ser um brinquedo, em 1982. Ele disse:
“Fui sincero. Disse que não gostava do Black Sabbath. Ouvi algumas músicas deles depois e a música é perfeitamente aceitável; o problema era toda aquela histeria. Não gosto de gente que arranca a cabeça de morcegos com os dentes. Simplesmente não gosto, acho isso repugnante. Sei que ele está morto e não pode simplesmente pedir desculpas por ter feito — se é que fez isso, quem sabe se fez ou não.”
Embora tenha pedido desculpas para Sharon, Roger declarou não se arrepender de nada em sua vida. Há apenas uma lamentação.
“Não me arrependo de nada na vida, exceto por não ter tido mais sucesso em fazer com que as pessoas entendessem que nós, como raça humana, reconhecemos e nos solidarizamos com todos os nossos irmãos e irmãs em todo o mundo e garantimos que eles tenham direitos humanos iguais perante o direito internacional.”
Roger Waters critica Ozzy Osbourne — e família revida
Roger Waters fez seu comentário sobre Ozzy Osbourne já após a morte do vocalista. Foi durante recente entrevista ao canal The Independent Ink, na qual o músico mencionou o Madman como um artista “que apareceu na TV por centenas de anos com sua idiotice e bobagens”.
Na ocasião, ainda demonstrou pouco interesse na obra do Black Sabbath e se confundiu ao relembrar o episódio em que o Príncipe das Trevas mordeu acidentalmente a cabeça de um morcego em 1982. Ele declarou:
“Ozzy Osbourne, que acabou de falecer, Deus o abençoe em qualquer que seja o estado em que ele esteve durante toda a sua vida. Nunca saberemos. A música, não faço ideia. Estou pouco me f#dend* para a música [dele]. Não ligo para o Black Sabbath, nunca liguei, não tenho interesse nisso ou no fato de que ele arrancava cabeças de galinhas com os dentes ou seja lá o que eles fizessem. Estou pouco me lixando.”
Não só uma parcela do público ficou revoltada com a opinião, como Jack Osbourne, filho de Ozzy. Nos Stories do Instagram e no X/Twitter, o apresentador e produtor mencionou diretamente Waters e escreveu:
“Ei, Roger Waters, vá se f#d*r. Você se tornou patético e fora da realidade. A única maneira de chamar atenção hoje em dia parece ser vomitando besteiras na imprensa. Meu pai sempre achou que você era um babaca, obrigado por provar que ele estava certo.”
Já no podcast “The Osbournes”, Sharon complementou:
“Ele é provavelmente uma das pessoas mais doentias que conheci em anos. Ele não tem carisma. Parece o Frankenstein. Esse cara é perturbado da cabeça. Não tem relevância no mundo de hoje. Ninguém gosta dele. Não somos só nós, ninguém gosta desse homem, a menos que você seja um fascista. Não sei como aqueles caras do Pink Floyd aguentaram ele por tanto tempo. David [Gilmour] é uma das pessoas mais gentis e calorosas que alguém poderia conhecer. Ele [Roger] é um ser humano triste, irrelevante, velho e amargurado, um ser humano feio e miserável.”
Kelly Osbourne, sua filha, ainda disse:
“E ele acha que é superior a todo mundo. Esse complexo de superioridade dele é simplesmente repulsivo. Nem acho que os fascistas gostem dele.”
Semanas depois, a loja oficial de Ozzy lançou uma camiseta em que o saudoso cantor aparece urinando um arco-íris (alusão a “The Dark Side of the Moon”, álbum do Pink Floyd de 1973) em um muro branco, que remete à capa de “The Wall” (1979), outro clássico do grupo. A peça traz os escritos “Another Pr*ck in the Wall” (trocadilho com “Another Brick in the Wall”, significando “Outro imbecil na parede”) e “Ozzy Rules”.
Desapreço não surpreende
O desapreço de Roger Waters pelo Black Sabbath não é uma surpresa. Quando a banda disponibilizou como primeiro single da carreira uma versão para “Evil Woman”, originalmente do grupo Crow, em janeiro de 1970, o jornal Melody Maker pediu para que o integrante do Pink Floyd fizesse uma resenha da canção.
Conforme transcrição do Far Out Magazine, ele não poupou as críticas e escreveu:
“Bem, bem, bem… estou sem palavras – bem, quase. A música tem aquele tipo de Dragnet, Peter Gunn, como a abertura de uma série de detetives americanos. Você fica pensando que vai começar. Você pensa isso no primeiro minuto, mas depois, se for realmente perspicaz, percebe que não vai mudar, e isso é tudo que existe.”
A opinião não causou maiores danos, com o Sabbath alcançando sucesso logo na sequência. Mesmo assim, Tony Iommi admitiu ressentimento. Em 2017, confundindo o objeto do review, o guitarrista disse:
“Eu costumava ler as críticas que recebíamos e só pensava ‘Por quê?’. Houve um momento que doeu muito e que não veio da imprensa. Veio de Roger Waters, do Pink Floyd. Ele resenhou ‘Paranoid’ quando foi lançado como single para um jornal musical. Fez uma crítica tão terrível que reagi ‘Caramba!’ Ouvir isso de um colega músico pareceu muito duro.”
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