Há divergências a respeito da composição de um dos maiores sucessos do Kiss. Em tese, “Beth”, lançada como parte do álbum “Destroyer” (1976), não só é cantada por Peter Criss, como também é coassinada pelo baterista, em parceria com Stan Penridge e o produtor Bob Ezrin. Porém, Gene Simmons, até hoje, contesta os créditos.
Durante recente entrevista ao canal Professor of Rock, o baixista e vocalista argumentou que foi Penridge quem criou a canção, mas que “por politicagem” cedeu parte dos créditos para Criss. Ainda, que foi ele, Simmons, quem sugeriu a mudança de título da faixa, originalmente chamada “Beck”, e que “Peter não consegue compor uma música, porque Peter não toca nenhum instrumento”. Ainda disse que “bateria não é instrumento musical por definição, mas instrumento de percussão”.
Agora, Criss respondeu as declarações em pronunciamento para a Billboard (via Blabbermouth) e rebateu o antigo companheiro de grupo. Segundo o Catman original, Simmons “não tem conhecimento” sobre a origem da faixa, visto que não estava presente na concepção ou finalização de “Beth”, e portanto não deveria opinar:
“Gene não tem como saber como a música foi originalmente composta porque Gene não estava lá desde a concepção da canção, no fim dos anos 1960, nem esteve presente na finalização da música com Bob Ezrin. As declarações de Gene são ridículas e totalmente descabidas. Ele fala sobre coisas das quais não tem conhecimento.”
Criss garante ter idealizado tanto a melodia, quanto a forma de cantar, enquanto que Penridge, que era seu parceiro na antiga banda Chelsea, cuidou da letra. Ele relembrou:
“Fui em quem compus a melodia e criou a forma de cantar a música que está na demo original chamada ‘Beck’, com Stan Penridge. Da versão criada no pequeno caderno preto de Stan, o que permaneceu na versão retrabalhada de ‘Beth’ foram o verso e o refrão originais dele. A minha melodia central continua presente na composição refeita. Essa melodia central foi expandida com a orquestração sinfônica e a genialidade musical de Bob. Bob e eu sentamos ao piano no estúdio Record Plant para trabalhar na música. Bob Ezrin mudou o andamento e o deixou mais lento, e eu trabalhei em mudanças no segundo verso e na forma de cantar, para acompanhar o andamento mais lento.”
Por fim, o baterista destacou que foi Bob quem alterou o nome da canção, não o baixista, como alegado, concluindo:
“Bob Ezrin mudou o título de ‘Beck’ para ‘Beth’. Não foi Gene nem outra pessoa. Foi Bob Ezrin. Ele me perguntou: ‘Peter, você se importa se mudarmos o título?’ E eu aceitei porque ‘Beth’ é muito melhor.’ Bob levou a música para casa e acertou o restante da letra e a estrutura da canção. Ele acrescentou piano, algumas mudanças de tempo e a incrível composição orquestral, que elevou a música. Foi algo de tirar o fôlego.”
Bob Ezrin corrobora relato do baterista
Também à Billboard, Bob Ezrin concordou com o relato de Peter Criss. O produtor disse:
“[O relato de Gene Simmons] não é exatamente como eu me lembro. Acredito, pelo que me disseram, que a música original foi escrita por Criss e Penridge e se chamava ‘Beck’. Era um pouco mais roqueira e machista. Achei que tinha potencial, então pedi para levá-la para casa e mexer um pouco nela. Eu a desacelerei, como Gene diz, e criei aquela parte de piano, mas também a tornei mais vulnerável e sensível… Tornou-se mais uma tragédia, onde ambos estavam com o coração partido. A parte no meio de ‘Great Expectations’, outra música do mesmo álbum, era de domínio público, mas o meio de ‘Beth’ é minha composição.”
Peter Criss comenta em livro
Em sua autobiografia “Makeup to Breakup. Minha Vida Dentro e Fora do Kiss”, Peter Criss já havia detalhado o processo de composição de “Beth”. No livro, relatou:
“Nos tempos do Chelsea, Stan e eu compusemos uma canção anedótica para zoar com Becky, mulher de Mike Brand, nosso companheiro de banda. Durante os ensaios, ela sempre ligava para ele querendo saber a que horas Mike ia voltar para casa […]. Queria colocar uma música minha no álbum ‘Destroyer’. Assim, certo dia, Gene e eu estávamos numa limusine e comecei a cantar ‘Beck’ para ele. Sabia que ele e Paul não gostavam muito de baladas e, dessa maneira, cantei para ele uma versão mais rápida; ele pareceu gostar, e sugeriu que eu a tocasse para Ezrin. Quando toquei para Ezrin, ele imediatamente entendeu o sentido da coisa. […]. No entanto, ele quis que eu fizesse uma mudança na letra. Achava que devíamos mudar o nome de Beck para Beth. Não vi problema nenhum.”
Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.
