Desde 2021, diversas mulheres acusam Marilyn Manson de abuso sexual e violência doméstica. Diante das denúncias, o cantor — cujo nome verdadeiro é Brian Warner — vem passando por investigações, que resultaram no arquivamento de certos processos.
Um exemplo é o caso da modelo Ashley Morgan Smithline, que resolveu retirar a ação. Outra das supostas vítimas, cuja identidade não foi divulgada, chegou a um acordo com o artista em setembro de 2023. Já no início deste ano, a promotoria de Los Angeles informou que parte das denúncias estava prescrita e que outras não puderam ser comprovadas.
Agora, o processo movido pela ex-assistente pessoal de Manson, Ashley Walters, também foi arquivado pela segunda vez. A ação já havia sido encerrada em 2022, quando o juiz determinou que ela apresentou poucos fatos e entrou com a queixa tarde demais para manter o caso no tribunal, visto que os episódios teriam ocorrido entre 2010 e 2011. Ainda assim, Walters conseguiu reverter a decisão à época.
O mesmo argumento está sendo utilizado novamente. Como publicado pela Metal Hammer, o juiz Steve Cochran alegou que não é possível aplicar à situação a regra da descoberta tardia — que permite a abertura de um processo mesmo após o prazo legal, quando o dano ou a gravidade do ocorrido só são percebidos muito tempo depois. A autoridade explicou:
“Temos um caso em que a queixa foi apresentada cerca de dez anos após os fatos. Não vejo como aplicar a regra da descoberta tardia e não tenho autoridade para dizer que ela se encaixa nas circunstâncias deste processo.”
Kate McFarlane, advogada de Walters, mostrou-se insatisfeita com a conclusão. À Rolling Stone, declarou:
“Estamos decepcionadas. Acreditamos que esta é a decisão errada. A regra da descoberta tardia existe justamente para lidar com situações em que vítimas de abuso sexual devem ter o direito de buscar justiça quando o agressor usa táticas para impedi-las de denunciar. Isso é algo que vemos repetidamente, e parece que a lei ainda não acompanhou a ciência nem o que é correto para as vítimas. Mas não acredito que este seja o fim do caminho.”
Por sua vez, Howard King, defensor de Manson, descreveu o cenário como “gratificante” e divulgou o seguinte comunicado:
“É gratificante, depois de todos esses anos, que um juiz possa simplesmente analisar os fatos e ver que, mais uma vez, Brian Warner foi acusado injustamente. É bom que ele tenha algum senso de justiça, embora isso tenha tido um custo pessoal enorme. Agora ele pode seguir em frente.”
O caso de Ashley Walters
Atenção: há relatos de crimes sexuais a seguir.
A ação inicial alegava agressão sexual, assédio sexual e inflição intencional de sofrimento emocional, entre outras reivindicações. Em seu processo inicial, Ashley Walters afirmou que Manson se aproximou dela em março de 2010 para elogiar uma fotografia sua. Mais tarde, eles se encontraram quando o músico supostamente pediu que ela se despisse para fotos, eventualmente forçando a mão em sua roupa íntima, de acordo com o processo.
Ela declarou que em certo ponto, ele teria dito que “adorava quando as meninas pareciam ter acabado de ser estupradas”. O músico também é acusado de ter chicoteado e jogado Ashley contra a parede durante um ataque de raiva provocado pelo consumo de drogas.
Walters ainda alegou que Brian Warner agiu de forma ameaçadora para garantir o silêncio da ex-funcionária. Ele negou todas as acusações.
Denúncias contra Marilyn Manson
Em janeiro, a promotoria de Los Angeles, nos Estados Unidos, informou que não formalizará acusações criminais contra Marilyn Manson. Diversas mulheres, de identidade pública e privada, alegam que o cantor, alvo de investigação nos últimos 4 anos, cometeu abuso sexual e violência doméstica contra elas. Há, porém, outros processos em andamento.
As autoridades afirmam que uma parte das denúncias está prescrita. Outras acusações não tiveram comprovação. Promotoria é quem representa os interesses legais do Estado e do público em geral perante os tribunais, investigando crimes e apresentando denúncias.
Um comunicado (via Loudwire) afirma:
“Determinamos que as alegações de violência doméstica estão fora do estatuto de limitações e não podemos provar acusações de agressão sexual além de qualquer dúvida razoável. Reconhecemos e aplaudimos a coragem e a resiliência das mulheres que se apresentaram para fazer denúncias e compartilhar suas experiências, e agradecemos a elas por sua cooperação e paciência com a investigação.
Embora não possamos apresentar acusações neste assunto, reconhecemos que a forte defesa das mulheres envolvidas ajudou a trazer maior conscientização sobre os desafios enfrentados por sobreviventes de abuso doméstico e agressão sexual. Também as reconhecemos e elogiamos por fazer uma contribuição importante para estender o estatuto de limitações para o processo de abuso doméstico localmente e em todo o país. Devido aos seus esforços, as vítimas de violência doméstica têm uma voz maior em nosso sistema de justiça criminal e os escritórios do Ministério Público em todo o país melhoraram as ferramentas para responsabilizar os agressores de violência doméstica por suas ações.
Apesar da decisão necessária pelos fatos e evidências neste assunto, o Gabinete do Promotor Público do Condado de Los Angeles continua totalmente comprometido em buscar justiça para sobreviventes de violência doméstica e abuso sexual sempre que legalmente possível. Incentivamos qualquer pessoa que esteja sofrendo abuso a buscar apoio e fazer uma denúncia à polícia o mais rápido possível.”
Em nota (via USA Today), a defesa de Marilyn Manson declarou que o vocalista é inocente e destacou haver “muita satisfação que, após uma revisão completa e incrivelmente longa de todas as evidências reais, o promotor público concluiu o que sabíamos e expressamos desde o início”.
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