A revolta de Corey Taylor com os streamings de música

Vocalista do Slipknot também explicou o motivo de ter ficado ao lado de Lars Ulrich e do Metallica na briga contra o Napster

Não é segredo para ninguém que os serviços de streaming reduziram bastante o faturamento de artistas em comparação aos dias de glória da indústria musical e do material físico. Muitos podem achar um mero capricho, porém, há argumentos suficientemente convincentes da parte dos contrários, concordemos com eles ou não.

Um exemplo é Corey Taylor. Durante recente aparição no podcast Kidd Chris – Off Air (transcrita pelo Metal Injection), o cantor do Slipknot falou abertamente sobre sua insatisfação em relação ao retorno que recebe das plataformas. Para validar sua opinião, recordou a grande batalha no início do século, que acabou demarcando novas linhas no consumo da música em todo o mundo.

“Eu apoiei completamente Lars Ulrich contra o Napster, cara. Estamos vendo as consequências disso, para ser honesto. Quero dizer, obviamente, tenho que trabalhar com streaming, DSPs [Digital Streaming Platforms] e outros recursos semelhantes, mas isso não significa que eu goste. As probabilidades são tão contra o artista que cada vez menos pessoas conseguem ganhar a vida com isso, a menos que você ganhe na loteria. E mesmo quando acontece, você recebe amendoins como pagamento. É revoltante de várias maneiras. Ainda estou esperando a legislação entrar em vigor, mas ela foi apelada tantas vezes por todos os DSPs que talvez nunca vejamos o caminho certo.”

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Um exemplo muito claro está sendo visto na própria família Taylor. Afinal de contas, Corey tem acompanhado a carreira do Vended, banda que tem seu filho Griffin como frontman.

“As bandas mais jovens estão sucumbindo ao sistema. A única coisa a fazer é esperar e rezar para que algo surja. Por enquanto, é preciso alcançar bilhões de streams para ganhar qualquer dinheiro real. É ridículo. A conta não fecha. E estou cansado de falar com as pessoas sobre isso, porque a matemática não funciona. Todos recebem ainda menos do que a antiga estrutura do rádio. Pelo menos você podia ganhar a vida naquela época. Por isso recomendo a novatos que cortem a estrutura convencional de ter uma gravadora. Honestamente, é a única maneira de fazer os DSPs trabalharem a seu favor, é para onde está indo todo o dinheiro.”

Inevitavelmente, a realidade acaba atingindo a vida pessoal dos envolvidos.

“É difícil conseguir um mero seguro médico, algo que deveria ser básico. A menos que você tenha chegado ao escalão superior, possa pagar e fornecer não apenas para as pessoas que estão em uma banda com você e suas famílias, mas ao menos uma versão econômica para sua equipe. Ao mesmo tempo, como equipes são temporárias, é difícil fazer isso, porque eles não são tecnicamente funcionários.”

Corey Taylor critica quem se cala

Outro problema, de acordo com Taylor, é o fato de quem está por cima no momento simplesmente abraça a realidade sem se dar conta de que amanhã o cenário pode mudar.

“Muitas das pessoas que são super populares agora não dizem nada. Eles ficam tipo: ‘ah, estou fazendo o meu’. Mas o que acontece quando você não estiver mais lá em cima? O que acontece quando você for apenas a última tendência a ser colocada na prateleira novamente? O que acontece quando esse material não fizer mais nada por você?”

Slipknot e Corey Taylor atualmente

Atualmente o Slipknot excursiona pelos Estados Unidos em mais uma etapa da divulgação do disco “The End, So Far” (2022). Recentemente, a banda perdeu o tecladista e programador Craig Jones. Seu substituto já está participando dos shows, mas não teve a identidade revelada.

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Corey Taylor lança seu novo álbum solo no dia 15 de setembro. “CMFT 2” conta com 13 faixas. O trabalho foi produzido por Jay Ruston. A banda de apoio conta com os guitarristas Zach Throne e Christian Martucci, o baixista Eliot Lorango e o baterista Dustin Robert.

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João Renato Alves
João Renato Alveshttps://twitter.com/vandohalen
João Renato Alves é jornalista, 40 anos, graduado pela Universidade de Cruz Alta (RS) e pós-graduado em Comunicação e Mídias Digitais. Colabora com o Whiplash desde 2002 e administra as páginas da Van do Halen desde 2009. Começou a ouvir Rock na primeira metade dos anos 1990 e nunca mais parou.

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