Em “Quantumania”, Homem-Formiga ganha uma enorme bagunça para chamar de sua

Novo capítulo do universo cinematográfico da Marvel parece pensar apenas no futuro e ignorar a sua própria existência enquanto filme

Nos dias de hoje, quando a polarizada mesa de bar dos fãs nerds lança o clássico assunto Marvel x DC, é inevitável que o papo acabe indo para as adaptações dos cinemas. E uma das críticas frequentes dos fãs do estúdio liderado por Kevin Feige aos coleguinhas que amam a Distinta Concorrência diz respeito à bagunça e correria que foi a tentativa de criar o seu universo coeso nas telonas e telinhas. Enquanto a Marvel construiu tudo com calma, em diferentes filmes, até chegar aos seus Vingadores, a dona Warner correu com todas as forças pra chegar rapidinho na Liga da Justiça e recuperar o tempo perdido.

O resultado, sob a batuta de Zack Snyder, a gente sabe muito bem qual foi.

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Pois depois de uma criticada fase 4, que trabalhou com diversas obras autocentradas mas cujo objetivo, no fim, era apenas apresentar o conceito de multiverso — aquele das diferentes linhas temporais possíveis com suas diferentes versões de cada herói clássico —, a Marvel parece ter pisado no acelerador pra mostrar a que veio na fase 5. E com “Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania”, abre os trabalhos de forma bastante atrapalhada, colocando o conquistador Kang no papel de novo lobo mau cósmico em um filme que é, na melhor definição, uma verdadeira bagunça.

Casos de Família

Na primeira meia-hora de “Quantumania”, tudo tem um sabor parecido com o que vimos nos dois primeiros filmes do Formigão. Uma história centrada em um pai de família, cujo núcleo familiar aumentou consideravelmente, aliás. Paul Rudd faz o que Paul Rudd melhor sabe fazer, que é ser um lindo, carismático, doce, leve, ser o protagonista perfeito de uma sitcom. O seu Scott Lang faz a gente sorrir e se sentir em casa, seja como aspirante a escritor inspirado em suas aventuras como membro dos Vingadores, seja como pai confuso de uma adolescente de espírito rebelde.

Até este ponto, o filme se conecta perfeitamente com os dois anteriores e parece construir uma história própria, só sua. Mas quando somos arrastados para dentro do Reino Quântico por conta dos segredos ocultos de Janet Van Dyne, a Vespa original vivida por Michelle Pfeiffer, a história ganha outros ares e se torna não um filme do Homem-Formiga, mas sim um capítulo do universo integrado da Marvel Studios nos cinemas e na televisão. Algo grande, exagerado, pretensioso. Aí, o diretor Peyton Reed parece sair de cena e quem assume as rédeas é o próprio Feige. Vira filme de produtor. E isso raramente é uma boa notícia.

Paul Rudd, tadinho, definitivamente não convence como o grande herói diante de uma ameaça épica.

“Ultimato” Wannabe

O resultado não é de todo ruim. Tem seus momentos. A começar, claro, por Jonathan Majors, ator excepcional que assume o papel de Kang com força total, depois de ter uma variante apresentada na primeira temporada da série do Loki. O filme basicamente existe para ele. Para apresentá-lo, para colocá-lo no tabuleiro, para mostrar que temos um novo Thanos para valer. O intérprete é de fato incrível, sendo ao mesmo tempo caricato como um vilão de quadrinhos precisaria ser e ameaçador, seja em olhares silenciosos, seja em explosões ameaçadoras de fúria.

O grande ponto é justamente o fato de que o seu Kang é tão grande, tão forte, tão potente, que nada no universo diminuto do Homem-Formiga parece ser capaz de detê-lo. Na cena final, inclusive, está mais do que claro que Scott Lang sair no soco sozinho com este homem chega a ser risível. Para que ele possa ser minimamente “enfrentável”, a trama que vai se construindo a partir daí joga tantos e tantos elementos em cena que passa a tornar tudo apenas confuso.

Somos apresentados a um Bill Murray totalmente dispensável, a um bando de rebeldes quase alienígenas de diferentes formas e tamanhos liderado pela interessante badass Jentorra (Katy M. O’Brian), a um telepata (William Jackson Harper, de “The Good Place”) que se fosse tirado da história não faria a menor falta… Tudo culminando em uma épica sequência final que tenta claramente emular a portentosa batalha de encerramento de Vingadores: Ultimato. Mas que está num filme do Homem-Formiga. E repleta de personagens em CGI que, pela velocidade, mal dá pra reconhecer em tela.

Deus Ex Machina

Estamos falando de um filme inspirado em gibis pop de super-heróis. É claro que, muitas vezes, vamos ser apresentados a soluções fáceis, tiradas do mais proverbial nada com coisa nenhuma. E tá tudo bem, na maior parte dos casos, elas são total e absolutamente aceitáveis. Mas aqui, em especial nos últimos 20 minutos, a coisa ganha uma proporção que chega a te desligar um tanto da narrativa.

Tudo porque é preciso chegar naquela conclusão. Aquela mesma, que vai desenhar os próximos passos da Marvel nos cinemas. Temos um novo antagonista global, que promete ainda ser mais interessante do que o próprio Thanos. Mas ele entra em cena de maneira tão abestalhada, em meio a um filme que não consegue decidir se é Sessão da Tarde do John Hughes ou Star Wars, que chega a ser um desperdício.

“Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania” vai te divertir, até certo ponto. Se você é fã dos quadrinhos originais, a presença de um vilão B como o M.O.D.O.K. é pra dar pulos na poltrona do cinema em pleno regozijo. Mas não vai além disso. A obra não passa de um capítulo 1 da Dinastia Kang, da tal Saga do Multiverso, e promete ser rapidamente esquecida ao final do primeiro saco de pipoca.

* “Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania” estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16).

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Gabriela Franco
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Gabriela Franco é criadora do Minas Nerds, jornalista, cineasta, podcaster, mãe de gente, pet e planta. Ex-HBO, MTV, Folha de S.Paulo, Globo… Atualmente, escreve pro Gibizilla e também apresenta os podcasts Imagina Se Pega no Olho e Imagina Se Pega no Ouvido. É marvete, mas até tem amigos DCnautas.

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