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Como o Live Aid arruinou a vida pessoal de seu criador, Bob Geldof


O Live Aid é lembrado até hoje como um dos maiores festivais beneficentes da história. O evento foi promovido, em 13 de julho de 1985, pelos músicos Bob Geldof e Midge Ure, respectivamente da Irlanda e da Escócia, em busca de arrecadar fundos no combate à fome na Etiópia.

Para realizar um evento que aconteceu em dois continentes diferentes (Londres, Inglaterra, para 72 mil pessoas; e Filadélfia, nos Estados Unidos, para outras 89 mil) e ainda teve transmissão via satélite para quase duas bilhões de pessoas (40% da população na época), é necessário um trabalho intenso. Foram mais de 6 meses atuando, junto de diversos parceiros, para que o festival se tornasse concreto.

Curiosamente, o Live Aid, que beneficiou tanta gente com seus US$ 127 milhões arrecadados diretamente e sua visibilidade atraída de forma indireta, trouxe problemas para a vida pessoal de Bob Geldof. Em entrevista à Associated Press, o idealizador do evento, que também foi vocalista da banda Boomtown Rats, disse que tudo aquilo culminou, ainda que após uma década, em seu divórcio.

Geldof se casou com a jornalista Paula Yates em 1986, um ano após o Live Aid, e os dois se separaram em 1996. “Ficou impossível de trabalhar. Por um tempo, fiquei perplexo. Eu não tinha muito dinheiro na época. Afetou inteiramente a minha vida particular. Provavelmente, acabou me custando meu casamento”, afirmou.

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O organizador do Live Aid lembra que, apesar de ter criado um festival tão icônico, ele era um músico. E seu trabalho perdeu relevância diante do público depois do que foi conquistado com o festival.

“Eu não podia voltar ao trabalho. Sou um cantor pop. É, literalmente, como faço dinheiro. É meu trabalho. Eu levanto de manhã e tento compor, depois tento ensaiar. E não podia. Ninguém estava interessado. O Santo Bob, como chamavam, não podia fazer mais nada pois seria tudo tão mesquinho e sem significado de minha parte. Fiquei perdido”, disse.

Em seguida, Bob Geldof comentou que um evento como o Live Aid não poderia acontecer nos dias de hoje. “Aquilo ocorreu durante o fim daquele período político de cooperação, consenso e compromisso. Aconteceria hoje? Não. Apenas veja os palhaços que estão comandando o planeta para entender que nunca poderia acontecer de novo”, afirmou.

Em 2005, ele acabou liderando a organização do Live 8, outro festival histórico. Havia contexto: a ideia era preceder a conferência do G8 na Escócia e, novamente, o combate à miséria serviu como temática. Porém, hoje em dia, o músico acredita que um evento desse porte nem poderia rolar.

Brian May e um novo Live Aid?

No ano passado, em entrevista ao Daily Mirror, o guitarrista do Queen, Brian May, disse que gostaria que um festival nos moldes do Live Aid fosse promovido para alertar sobre o aquecimento global.

“Provavelmente, seria necessário que a geração mais jovem conduzisse essa situação desagradável. Podemos ajudar da forma que for possível, mas acho que isso seria necessário”, afirmou o guitarrista.

Todavia, Brian May reforçou que a ideia pode ser algo mais complicado que a proposta original, de erradicar a pobreza. “As pessoas já viram tantos shows desde o Live Aid que pretendiam resolver os problemas do mundo, então, não é fácil como parece”, disse.

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Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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