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Como a saída de Vince Neil inspirou a evolução do Mötley Crüe



A saída do vocalista Vince Neil do Mötley Crüe é uma das mais emblemáticas das bandas de hard rock dos anos 1980. O cantor deixou a formação em 1992, em uma situação que até hoje não foi explicada direito: ele abandonou o barco ou foi demitido? Nem o filme biográfico ‘The Dirt’, lançado em 2019, revelou uma resposta contundente.

John Corabi, então integrante do The Scream, assumiu a vaga e ficou até 1997, gravando o álbum autointitulado ‘Mötley Crüe‘ em 1994. Embora não tenha conquistado boa repercussão comercial, o trabalho é considerado, por muitos, como um dos melhores da banda, por trazer uma sonoridade mais complexa e bem arranjada – bem diferente dos registros anteriores, que apostava em uma pegada mais básica do hard rock, com influências do heavy metal tradicional.

Em entrevista ao canal da Gibson no YouTube, com transcrição do Ultimate Guitar, o produtor Bob Rock relembrou do contexto em que o álbum autointitulado foi registrado. Rock trabalhou no disco anterior, ‘Dr. Feelgood’ (1989), que marcou o auge de popularidade do Crüe, e também foi convocado para a estreia de Corabi.

Antes de aceitar trabalhar em ‘Dr. Feelgood’, Bob Rock mostrou uma fita demo do álbum para sua esposa, que “aprovou” o material. “Tive uma reunião com eles, que acabavam de ficar sóbrios, com a carreira nos trilhos e com muita ‘fome’. Era a melhor situação. ‘Dr. Feelgood’ é um trabalho fantástico. Eles eram muito divertidos e talentosos. Para mim, era mais um trabalho, mas você acaba ficando amigo dos caras”, afirmou.

Como o resultado obtido em ‘Dr. Feelgood’ foi satisfatório, Bob Rock foi chamado para produzir o álbum seguinte. “Eu estava em Londres quando Tommy (Lee, baterista) e Nikki (Sixx, baixista) me ligaram, contando que haviam demitido Vince Neil. Daí, conheci John (Corabi) e ele é um cantor excepcional”, disse Bob.

O talento de John Corabi fez com que o Mötley Crüe buscasse evolução, segundo Bob Rock. “Acho que, com Corabi, eles ficaram inspirados. Isso é mostrado no álbum. Acho qeu ficaria ainda melhor se Vince cantasse ali, mas não há dúvidas que Corabi inspirou os outros caras a chegarem em um nível diferente. Ficaram melhores. Não tinham Vince, mas a banda estava inspirada”, afirmou.

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O produtor apontou até todo aquele avanço provocou Nikki Sixx a pegar aulas de baixo. “Ele era um bom baixista, mas quando ele começou a tocar, eu percebi e perguntei o que havia acontecido. Ele estava tocando com os dedos ao invés da palheta, com uma boa noção de tempo”, disse.

John Corabi e o fracasso comercial do Crüe

Em entrevista ao podcast “The Rock Brigade”, no ano de 2017, John Corabi refletiu sobre as razões pelas quais seu álbum com o Mötley Crüe não prosperou em termos comerciais. O trabalho chegou a conquistar disco de ouro nos Estados Unidos, pelas 500 mil cópias vendidas de início, mas logo despencou nas paradas e não repetiu os feitos dos anteriores.

“Era 1994 e eu amava essas bandas grunge. O problema é que o nosso disco não soava como Mötley. Chamava-se ‘Mötley’, mas nós queríamos mudar o nome da banda. Os empresários não deixaram, tipo, ‘você assina um contrato de US$ 40 milhões e vocês ganham US$ 300 mil por show; se mudar o nome, perde o valor'”, comentou.

Ele complementa: “Lutávamos contra as bandas da época que eram anti-Mötley. O presidente da gravadora gostou muito do disco. Então, ele não estreou em 1° lugar e o dono demitiu todo mundo. E o ingrediente final é que – desculpe, eu amo esses caras – Nikki, Tommy e Mick (Mars, guitarrista) não ficavam calados. Cutucavam Vince a todo momento e isso fez os fãs se dividirem. Foi uma combinação de tudo isso”.

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Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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