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O processo movido pela viúva de Jeff Porcaro que pôs fim ao Toto



O Toto teve um dos encerramentos de carreira mais emblemáticos e surpreendentes dos últimos tempos. As atividades da banda foram interrompidas – ao que tudo indica, de forma permanente – em decorrência de uma ação judicial movida por Susan Porcaro-Goings, viúva do baterista Jeff Porcaro, falecido em 1992.

Em 2018, Susan Porcaro-Goings moveu uma ação contra dois integrantes do Toto: o guitarrista Steve Lukather e o tecladista/vocalista David Paich. Ela acusa a dupla de promover uma conspiração para reduzir a parte dela nos lucros em direitos autorais da banda, por meio de manobras contábeis que estariam forjando a real arrecadação do grupo.

Em seu processo, a viúva de Jeff Porcaro pediu para que o Toto revelasse sua arrecadação e solicitou liminar para impedir que a banda tenha “atos futuros e competição desleal”. Toda a situação fez com que o grupo, por diversas razões, encerrasse suas atividades após concluir uma turnê em 2019, com um show final na Filadélfia, Estados Unidos.

Vale destacar que o Toto teve, em sua formação, três dos irmãos Porcaro. Jeff e Steve, tecladista, participaram da fundação do projeto, em 1976. Mike, baixista, passou a integrar em 1982. O baterista esteve na banda até sua morte, em 1992, enquanto que Mike ficou até 2007 e faleceu em 2015. Steve saiu em 1987, voltou para a reunião em 2010 e seguiu até o fim do grupo.

O fim do Toto é anunciado, justamente, em um dos melhores momentos da carreira da banda. O interesse no som dos caras reapareceu após o Weezer fazer dois covers de suas músicas: ‘Rosanna’ e ‘Africa’. A segunda versão chegou às primeiras posições das paradas especializadas em rock dos Estados Unidos e renovou o Toto para públicos mais jovens – a exemplo do que o Journey vivenciou, anos antes, com ‘Don’t Stop Believin” ganhando versão na série ‘Glee’ e virando meme na internet.

– Arnel Pineda, o vocalista contratado pelo Journey graças ao YouTube

Em entrevista recente à revista ‘Guitar Player’, Steve Lukather preferiu não entrar nos detalhes que fizeram o Toto encerrar suas atividades de forma tão abrupta. Porém, ele confirmou a motivação e reforçou que o Toto vivia um grande momento nos palcos.

“Vários garotos estavam vindo nos ver (por causa do Weezer). Acredite, não queria parar desta forma. Estávamos fazendo shows incríveis, então, é triste e revoltante parar dessa forma por causa de uma questão legal. Temos uma grande dívida para pagar. O processo nos fez quebrar financeiramente, chegando ao ponto que precisamos fazer um acordo que não nos favorecia”, explicou Lukather.

Como o guitarrista indicou, a situação foi resolvida com um acordo na Justiça. É provável que os termos tenham incluído uma espécie de negociação para que o Toto pague uma fatia maior de seus lucros, mesmo que vindos de shows, para a viúva de Jeff Porcaro.

“Daqui para frente, vamos ver. Não há forma de continuar. Essa ação enfiou uma faca em nós e é muito para aguentar. O show final foi ‘agridoce’, para dizer o mínimo”, afirmou.


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Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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