Opinião

Ao lado de Ozzy, Sharon foi mais importante do que você pensa


O casamento de Ozzy e Sharon Osbourne chegou ao fim. Um relacionamento com altos e baixos não suportou a mais um problema – desta vez, uma suposta traição.

Não é fácil de compreender, mas essa união foi, provavelmente, a de maior impacto da história do rock. Vai muito além dos mitos envolvendo John Lennon e Yoko Ono. Com o impulso de Sharon, Ozzy Osbourne revolucionou um estilo musical pela segunda vez – a primeira foi ao lado do Black Sabbath.

É de conhecimento geral que Ozzy Osbourne estava na lama quando foi demitido do Black Sabbath em 1979. O vocalista já havia saído voluntariamente em 1978, quando tentou dar o pontapé inicial em um projeto solo, chamado Blizzard Of Ozz. No entanto, Osbourne voltou meses depois. Não durou muito: os excessos e as tensões com os demais integrantes fizeram que o Madman fosse despedido da banda.

Fora do Black Sabbath, o primeiro investimento que Ozzy Osbourne recebeu foi do pai de Sharon Osbourne, Don Arden, da gravadora Jet Records. Ele também empresariava o Sabbath. Sharon foi enviada a Los Angeles para “cuidar” de Ozzy e não demorou muito para que eles começassem a se relacionar.

Com uma superbanda formada por Bob Daisley e Don Airey (ambos ex-Rainbow), Lee Kerslake (Uriah Heep) e o prodígio Randy Rhoads (Quiet Riot), Ozzy Osbourne tinha tudo para despontar. O problema era a sua personalidade autodestrutiva. Viciado e sem confiança, Ozzy quase fez o projeto ir por água abaixo, tanto antes quanto depois de dar certo.

Sharon empresária

A partir de 1980, Sharon Osbourne passou a ser decisiva na carreira de Ozzy. A empresária comprou os direitos sobre a carreira de Osbourne e acompanhou cada passo do cantor, especialmente a partir do momento em que Randy Rhoads faleceu. Ela chegou a sugerir Gary Moore para a vaga – nome que já havia sido indicado por ela antes de Rhoads entrar para a banda.

O que era negócio, virou compromisso também no âmbito pessoal: Sharon e Ozzy se casaram em julho de 1982. Apesar disso, o Madman complicou o início do enlace: cada vez mais afundado em drogas, o cantor fez da vida de Sharon um inferno. Ele chegou a ser preso por tentar assassiná-la em algum momento da década.

Os reflexos da decadência pessoal também vinham em seu trabalho musical: Ozzy Osbourne parecia ter perdido o controle artístico de seus discos. A estabilidade em ambos os aspectos só vieram a partir da década de 1990, com bons discos e alguma sobriedade em suas ações.

Ozzfest

Em 1996, o casal criou o Ozzfest, um dos festivais mais importantes do rock. Quem comandava mesmo o projeto era Sharon Osbourne, com o auxílio esporádico de um de seus filhos, Jack Osbourne.

O evento anual foi importante não só comercialmente, como também em termos de legado: enquanto o metal estava em frangalhos na segunda metade da década de 1990, o Ozzfest segurava as pontas, fazia o mercado segmentado girar e lançava novas bandas.

Comemorar?

Curiosamente, com o anúncio do divórcio, vi dezenas de comentários infelizes nas redes sociais que comemoravam a situação. Há quem atribua uma imagem de controladora a Sharon, mas ninguém pode negar sua importância para a vida e a carreira de Ozzy. Celebrar um fato complicado para o casal e para toda a sua família é um ato de ignorância com relação à história de um ídolo.

Ozzy Osbourne nunca escondeu a importância de Sharon em sua vida. Tudo isso se tornou ainda mais evidente na autobiografia do cantor, “Eu sou Ozzy”. Há mais declarações de amor à (até então) esposa do que detalhes sobre a trajetória musical do vocalista em sua carreira solo.

Sabe-se do machismo acentuado na “comunidade metal”, na anterior superexposição do casal na imprensa e em um reality show e de alguns posicionamentos infelizes de Sharon Osbourne, como o “caso Iron Maiden”. Ainda assim, celebrar um divórcio – supostamente causado por uma traição de Ozzy – é demais.

A autobiografia de Ozzy Osbourne está aí. As entrevistas do casal e de pessoas relacionadas a Ozzy também estão disponíveis. Ignorar a indireta importância de Sharon para o heavy metal é deixar uma parte da história de lado.


Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Apaixonado por rock desde a pré-adolescência, começou a escrever sobre música na internet em 2007. Anos depois, co-fundou o site Van do Halen e trabalhou como repórter do jornal Correio de Uberlândia. Atualmente, é redator-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia sites como o Cifras, Ei Nerd e outros. Também é redator do Whiplash.Net, o maior site de rock e heavy metal do Brasil.
http://igormiranda.com.br

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