Quando o Beyond the Black surgiu no mundo do heavy metal com “Songs of Love and Death” (2015), a vocalista Jennifer Haben já era uma cantora experiente, apesar da tenra idade. Aos 15 anos, ela integrou durante cerca de um ano, entre 2010 e 2011, o grupo pop alemão Saphir — algo que lhe trouxe uma série de ensinamentos a respeito da indústria musical.
Saphir foi um projeto infanto-juvenil composto por garotas de 13 a 15 anos que venceram, ao longo de anos, o concurso de talentos KI.KA. Live — Beste Stimme Gesucht, do canal de TV infantil KI.KA. “Isso definitivamente me ajudou a entender um pouco mais sobre o próprio negócio da música”, conta a artista de 31 anos ao site IgorMiranda.com.br, antes de se aprofundar:
“Acho que estávamos super atarefadas para garotas de 15 anos. Fizemos tantas entrevistas, passei a me ouvir com um sotaque de interior que soava mal. Aprendi a falar um pouco melhor na frente das pessoas. E o que mais aprendi nessa época foi como reunir ao meu redor pessoas que acreditam no que estou fazendo. Acabou ajudando o Beyond the Black no fim: encontrar alguém que quisesse manter a chama acesa.”
Este fogo chega a seu sexto álbum de estúdio, “Break the Silence”, lançado no início do mês pela Nuclear Blast Records. É o quinto disco do grupo completo por Chris Hermsdörfer (guitarra), Tobi Lodes (guitarra) e Kai Tschierschky (bateria) a atingir o top 10 da parada alemã, também conquistando resultados expressivos na Áustria (4º) e Suíça (8º).
Conceitual, “Break the Silence” aborda um tema pouco comum no power metal e suas ramificações, incluindo a sinfônica, na qual a banda se enquadra: política e sociedade, em especial no âmbito da comunicação. Jennifer reflete sobre a ideia:
“As pessoas estão mais divididas do que nunca. Todos têm opiniões apenas para dizer aos outros, mas pouquíssimas pessoas realmente escutam outras opiniões e tentam de fato entender o que o outro diz. Estamos perdendo cada vez mais a abertura para uma comunicação profunda. Por isso queremos ‘quebrar o silêncio’ (‘break the silence’) e conversar mais — e em diferentes línguas, como você pode ouvir no álbum.”
Um dos idiomas é, claro, o alemão, contemplado com uma música inteira no idioma — a faixa final “Weltschmerz” (em tradução livre, “dor do mundo”). Apesar de os integrantes terem ficado contentes com o resultado, não há a intenção de mais músicas ou álbuns em sua língua natal.
Além de inglês e alemão, há faixas com trechos em francês, japonês e búlgaro.
Participações especiais
“Break the Silence” traz algumas participações especiais, a mais notória sendo a de Chris Harms, vocalista do Lord of the Lost, na faixa “The Art of Being Alone”. A contribuição do colega recebeu elogios de Jennifer Haben:
“Eles [Lord of the Lost] estavam trabalhando no estúdio onde também estamos produzindo. Havia duas canções nas quais eu conseguia imaginar a voz do Chris. E ele ficou muito feliz em gravar ‘The Art of Being Alone’. Acho que foi uma das poucas músicas em que um feat realmente acabou ficando muito melhor do que antes, porque trouxe uma nova variedade para que não tínhamos.”
Há ainda a colaboração da cantora Gergana Dimitrova, integrante do The Mystery of the Bulgarian Voices, em “Let There Be Rain”. O grupo de coral feminino búlgaro esteve presente em trilhas sonoras famosas de filmes e programas de TV — como a do seriado “Xena, a Princesa Guerreira” (1995-2001). Sobre esta parceria, Haben disse:
“Sou uma grande fã de trilhas sonoras de filmes. E eu sei que elas trabalharam com algumas pessoas incríveis nessa área. Também fizeram algo com o Bring Me the Horizon — músicas realmente grandes. Fiquei surpresa com a quantidade de outras coisas que elas fizeram. Fiquei muito feliz por termos conexão com elas por meio dos nossos produtores, e elas estarem dispostas a fazer algo conosco e a criar algo novo.”
A menção ao Bring Me the Horizon não ocorre por acaso. Em meio a influências como Evanescence, Within Temptation e a obra de Floor Jansen, Jennifer se declara grande fã do grupo liderado por Oliver Sykes, a ponto de ter ouvido “Sempiternal” (2013) exaustivamente.
Vale lembrar que o disco também conta com a participação da vocalista Asami, da banda japonesa Lovebites. Ela emprestou sua voz a “Can You Hear Me”.
Estreia no Brasil e possível retorno
De forma simbólica, o Beyond the Black fez sua estreia no Brasil dez anos após o lançamento de seu primeiro álbum: na edição 2025 do festival paulistano Bangers Open Air. Jennifer Haben rasgou elogios aos fãs locais, empolgados mesmo com o show ocorrendo em horário mais cedo e sob sol escaldante.
“Foi incrível. As pessoas aí são simplesmente maravilhosas. São muito barulhentas, num bom sentido. Elas celebraram. Não conhecemos esse tipo de energia, para ser sincera. As pessoas ficam tão agradecidas por finalmentete ver. Acho isso imbatível.”
Está nos planos retornar para se apresentar novamente. Nada cravado, porém. “Estamos tentando descobrir como e quando. Não sabemos quando, mas iremos”, diz.
Clique para seguir IgorMiranda.com.br no: Instagram | Bluesky | Twitter | TikTok | Facebook | YouTube | Threads.
