Em 1968, os Beatles fundaram a própria empresa sob o nome Apple Corps. Menos de uma década mais tarde, em 1976, surgiu a companhia de tecnologia Apple Computer — hoje conhecida apenas como Apple – com a mesma alcunha, o que gerou uma grande confusão com a banda.
Não demorou para que o Fab Four resolvesse processar os “concorrentes”. Ao longo dos anos, o caso voltou várias vezes à Justiça.
Como compartilhado pela Far Out Magazine, a primeira ação movida pelos músicos aconteceu em 1978. Na época, o quarteto exigiu que a Apple pagasse US$ 80 mil por violação de marca registrada, além de concordar que não entraria na indústria musical.
Tudo parecia resolvido em 1981. Porém, em 1989, a Apple Corps tornou a entrar com um pedido judicial. Isso porque a Apple Computer havia introduzido pouco antes a possibilidade de reproduzir arquivos MIDI — formato de dados musicais que armazena instruções digitais sobre como uma música deve ser executada — em seus computadores, o que, em tese, descumpria o acordo.
De acordo com a Ultimate Classic Rock, os lados chegaram numa resolução que envolveu US$ 26,5 milhões. Mas não acabou por aí.
Em setembro de 2003, a Apple Corps processou novamente a Apple Computer, desta vez por causa do uso do logotipo da Apple na operação da iTunes Music Store, serviço de música. No julgamento, em 2006, a Apple conseguiu a melhor e, no ano seguinte, as empresas chegaram a um novo acordo que selou as pazes.
A visão de Paul McCartney sobre dilema com a Apple
O próprio Paul McCartney relembrou todo o conflito na biografia oficial “Paul McCartney: Many Years from Now”, escrita por Barry Miles e publicada em 1997. Em certo trecho, o músico explicou:
“A Apple hoje é uma empresa extremamente bem-sucedida, e uma das coisas mais bem-sucedidas que fizemos foi registrar o nome. Neil [Aspinall] e o pessoal da contabilidade registraram o nome Apple mundialmente porque suspeitávamos que alguém poderia se apropriar dele e lançar coisas usando esse nome. Anos depois, quando a Apple Computers surgiu, fomos até eles e dissemos: ‘com licença, o nome Apple é nosso, vocês não podem operar com esse nome’. Eles responderam: ‘somos muito grandes agora, vamos ser gigantes no mundo da computação’. Nós dissemos: ‘então vamos fazer um acordo’, e fizemos um acordo por uma quantia muito grande de dinheiro. Provavelmente, esse único acordo rendeu mais do que todo o custo da Apple Electronics.
Depois, a Apple colocou um chip de música em seus produtos, então voltamos a procurá-los, porque havia uma condição: eles poderiam usar o nome desde que não tivessem nada a ver com música; eles seriam a Apple Computers e nós, a Apple Music. Acabamos fazendo outro acordo por uma quantia ainda maior de dinheiro. Ou seja, o simples fato de termos registrado o nome Apple foi uma das coisas que mais nos rendeu dinheiro.”
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