Curiosidades

Gravadoras rejeitaram Lenny Kravitz por sua música não ser negra o bastante



O músico Lenny Kravitz falou, em entrevista à Variety, sobre os primeiros passos de sua carreira musical, ainda na década de 1980. Kravitz contou, por exemplo, que as gravadoras rejeitavam suas canções porque não soavam “negras o bastante”.

Lenny começou a falar sobre o assunto após ter sido questionado se, no início, ele pressentia como suas músicas seriam recebidas pelas pessoas do meio. “Não sabia. Só sabia que estava cantando e mostrando minha verdade. Isso foi em uma época logo após todos na indústria musical terem me dito que eu não poderia fazer esse tipo de coisa. Eu levava minhas músicas e diziam que ‘não era negra o bastante'”, afirmou.

A história da parceria entre Lenny Kravitz e Slash em “Always On The Run”

Kravitz disse que, na época, existiam artistas negros de R&B e artistas pop, que eram, basicamente, brancos. “As pessoas do R&B não podiam lidar com o lado pop e vice-versa. Então, as pessoas não gostavam do meu tipo de música, ou não sabiam como fazer para vendê-la ou promovê-la”, pontuou.

O músico contou que recebeu ofertas que só seriam válidas caso ele mudasse seu tipo de música, mas nunca aceitou. “Eu queria fazer meu trabalho. Estava morando no meu carro, não tinha dinheiro, era jovem… quem não aceitaria o dinheiro? Mas havia algo dentro de mim que não me permitia fazer isso”, afirmou.

A sorte de Lenny só mudou depois de ter lançado seu primeiro disco, “Let Love Rule”, em 1989. No entanto, o álbum foi gravado de forma independente, já que as gravadoras recusaram as demos.
“Pedi dinheiro emprestado e fui para os estúdios mais baratos possíveis. Estava em uma fase psicodélica. ‘Let Love Rule’ tinha uma qualidade old-school e new-school ao mesmo tempo. Gravei o álbum e comecei a levá-lo por aí. Naquela época, todas as gravadoras, exceto a Virgin, já tinham ouvido. Tive cinco minutos com eles em uma tarde de sexta-feira, antes das pessoas irem embora para casa. Quando saí do prédio, eu tinha um contrato. Eles admitiram que não sabiam como promover o álbum, mas acreditávamos na música e foi por isso que as coisas aconteceram”, disse.


Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *