Resenhas

Aerosmith: 40 anos de “Rocks”




Aerosmith – “Rocks”
Lançado em 3 de maio de 1976

“Rocks” eleva tudo o que há de mais tóxico no hard rock à enésima potência. Lançado há 40 anos, completos nesta terça-feira (3), o álbum continua soando como um dos títulos definitivos do gênero.

Vários elementos convergiram até o resultado chegar em “Rocks”. O principal, a meu ver, foi a colaboração mais assídua de Brad Whitford e Tom Hamilton nas composições. Os músicos se infiltraram no processo autoral, geralmente capitaneado por Steven Tyler e Joe Perry, e trouxeram um pouco mais de peso às músicas – sem nenhuma dispensa, é claro, ao groove característico do grupo.

Na produção de um disco do Aerosmith pelo terceiro disco seguido, Jack Douglas começava a entender como trabalhava o grupo. Além das peculiaridades que toda banda tem, era necessário compreender que, naquele momento, os músicos precisavam trabalhar sob influência de drogas. O quinteto não funcionava sóbrio.

A decadência pessoal se refletiu em um disco cru, direto e um pouco mais pesado que os anteriores. “Rocks” é um dos poucos trabalhos do Aerosmith sem um grande single. Isso guarda outro diferencial: o quinteto trabalhou nas músicas como um todo. Trata-se de um álbum, não de um catado de faixas.

“Back In The Saddle” e “Last Child”, faixas que abrem o álbum, entraram nas paradas dos Estados Unidos. Não à toa: apesar de não terem apelo comercial, tornaram-se dois legítimos clássicos do grupo. A primeira, com um peso legítimo e berros incríveis de Steven Tyler. A segunda, graças a um swing irresistível e uma sintonia rara entre cozinha e guitarras.

As demais faixas também têm muito valor. A acelerada “Rats In The Cellar” e a densa “Combination”, por exemplo, completam o lado A mais cru da história do grupo. São duas das minhas músicas favoritas da banda.

Enquanto há unidade nas quatro faixas que abrem “Rocks”, as cinco finais se complementam a partir de suas diferenças. Enquanto “Sick As A Dog” é meio hard, meio melódica e tem as digitais do Aerosmith, “Nobody’s Fault” é provavelmente a canção mais pesada da discografia da banda. “Get The Lead Out” tem um groove característico, “Lick And A Promise” é um rock n’ roll dançante e “Home Tonight”, que encerra o álbum, é a única balada da lista.

Mesmo sem um single em potencial, “Rocks” emplacou e fez o Aerosmith explodir antes de implodir, em função dos abusos, anos depois. Nos anos 1970, a banda era uma bomba-relógio que, por sorte, deixou discos lendários antes dos problemas.

Steven Tyler (vocal, teclados em 6 e 9, baixo em 5, gaita em 3 e 7)
Joe Perry (guitarra, baixo de seis cordas em 1, baixo em 5)
Brad Whitford (guitarra)
Tom Hamilton (baixo, guitarra em 5)
Joey Kramer (bateria)

Músico adicional:
Paul Prestopino (banjo em 2)

01. Back In The Saddle
02. Last Child
03. Rats In The Cellar
04. Combination
05. Sick As A Dog
06. Nobody’s Fault
07. Get The Lead Out
08. Lick And A Promise
09. Home Tonight


Igor Miranda
Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Escreve sobre música desde 2007. Atualmente, é redator do Whiplash.Net, o maior site sobre rock e heavy metal do Brasil. Também é editor-chefe da revista e site Guitarload, para guitarristas, e redator do site Revista Cifras, a página editorial do portal Cifras.

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