Dirty Honey e Jayler, as duas atrações mais jovens do Monsters of Rock 2026, se apresentaram em show à parte do festival na última quinta-feira (2), na Audio, em São Paulo. Tanto a primeira banda, americana e de certo modo atração principal da noite, quanto a segunda, britânica e responsável por uma abertura de tempo similar ao headliner, provaram seu valor em apresentações envolventes para fãs de rock clássico e hard rock à moda setentista.
Jayler
Diante de um público que, no olhômetro, ocupava não mais do que a metade da pista, o jornalista Eddie Trunk, também americano e trazido para ser um dos apresentadores oficiais do Monsters, introduziu o Jayler meia hora após o horário anunciado. Não precisou de meia música para James Bartholomew (voz e guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo) e Ed Evans (bateria) convencerem a plateia de que valia a pena prestar atenção em sua performance.

Conforme noticiado primeiro pelo site IgorMiranda.com.br, o grupo formado em 2022 viralizou nas redes sociais, no meio do ano passado, após vídeos indicando enorme similaridade com o Led Zeppelin — especialmente por parte de Bartholomew, seja vocal ou visualmente, a ponto de reproduzir trejeitos e roupas de Robert Plant. Pastiche à parte, o som e as postagens cativaram o público local: em entrevista a este que vos escreve a ser publicada na Rolling Stone Brasil, James e seus colegas contam que praticamente metade de seus seguidores online vêm de nosso país. Sobre as comparações, o cantor declarou: “Não somos tributo ao Led Zeppelin, apenas pegamos o que esses caras representavam no início da década de 1970 e levando para a nossa geração.”
O “fator Zeppelin” aparece, de fato, em uma parte considerável do repertório. Faixas como “Alectrona”, a groovada “Riverboat Queen” e a ligeiramente pesada “Over the Mountain” confirmam essa impressão. Felizmente, porém, o grupo não se limita a isso, pois também há referências a AC/DC na ardida “No Woman”, uma abordagem palatável em “Need Your Love”, contornos épicos no longo encerramento “The Rinsk” e mergulhos mais notórios às raízes do blues na abertura “Down Below” e na versão eletrificada para “I Believe to My Soul” (Ray Charles).

Mas o que chama atenção, mesmo, é a entrega do quarteto. Os garotos de 20 e poucos anos tocaram como se a vida dependesse disso. Bartholomew, em especial, explorou vários campos de sua voz, assumiu guitarra e gaita em solos performáticos e percorreu cada centímetro não apenas do palco, como também do pit (área que separa público do palco) e até das caixas de som laterais. Fã brasileiro tende a valorizar quem dá o sangue ao vivo, portanto, não é difícil cravar que o Jayler deve fortalecer sua base de admiradores por aqui. A quem possa interessar, seu álbum de estreia, “Voices Unheard”, chega no próximo dia 29 de maio.

Repertório — Jayler:
- Down Below
- The Getaway
- No Woman
- Alectrona
- Riverboat Queen
- Lovemaker
- I Believe to My Soul (original de Ray Charles)
- Need Your Love
- Over the Mountain
- The Rinsk (com trecho de “Voodoo Child”, de Jimi Hendrix Experience)
Dirty Honey
Em comparação ao Jayler, o Dirty Honey tem uma performance bem mais calculada. Não à toa, o grupo de Marc LaBelle (voz), John Notto (guitarra) e Justin Smolian (baixo) — que veio ao Brasil com um baterista diferente e não apresentado — está na estrada há quase dez anos e vê sua popularidade em uma crescente. O ano de 2025, aliás, tem se destacado, visto que sua música de 2019, “When I’m Gone”, atingiu públicos mais variados ao entrar na trilha sonora do recente e bem-sucedido “Um Filme Minecraft”. “Muitos jovens estão nos conhecendo graças a esse filme”, contou LaBelle a este repórter, em entrevista à Rolling Stone Brasil.

Marc, aliás, é o tipo de frontman magnético que captura a atenção da plateia mesmo sem — aparentemente — pouco esforço. Sua movimentação de palco, assim como a sonoridade de boa parte das canções do Dirty Honey, remete a Steven Tyler e Aerosmith. Já a voz, curiosamente, rende comparações com Axl Rose em seus tempos de glória, mas numa versão robusta, melhor definida e maior alcance. Servem de prova “Lights Out”, um som à la AC/DC executado pela primeira vez ao vivo justamente na Audio, e a já popular “California Dreamin’”.
A dinâmica coletiva do instrumental não fica atrás. Os riffs de John Notto são responsáveis por ditar tudo, ainda que, na noite de quinta (2), sua guitarra tenha estado em volume um pouco mais baixo que o esperado. Já o baixo de Justin Smolian obtém espaço acima da média para uma banda de hard rock, talvez pelo uso de distorção em momentos distintos.

Entre os destaques do repertório, estiveram:
- “Get a Little High”, talvez a mais Aerosmith do repertório;
- “Tied Up”, canção de molejo fortíssimo;
- “Another Last Time”, basicamente a única balada da noite;
- “Don’t Put Out the Fire”, cujo final ficou marcado por LaBelle ter feito uma cadeira passar pela pista, descer no meio do povo e cantar em cima do móvel;
- e a dobradinha composta pela insana “Won’t Take Me Alive” e a já citada “When I’m Gone”, trazendo, entre elas, um solo de guitarra tocado em meio a doses de destilado ingeridas por Marc, John e Justin em pleno palco.
Bandas inovadoras são bem-vindas dentro do rock, mas também existe espaço para aqueles que, tomados por bom gosto e critério, não procuram reinventar a roda. Neste segmento específico, o Dirty Honey é imbatível.

Repertório — Dirty Honey:
- Gypsy
- California Dreamin’
- Heartbreaker
- Scars
- Get a Little High
- Tied Up
- Don’t Put Out the Fire
- The Wire
- Another Last Time
- Won’t Take Me Alive
- When I’m Gone
Bis: - Lights Out
- Rolling 7s
*O Monsters of Rock 2026 acontece neste sábado (4), no Allianz Parque, em São Paulo. Ainda há ingressos à venda no site Eventim. Apresentam-se Guns N’ Roses, Lynyrd Skynyrd, Extreme, Halestorm, Yngwie Malmsteen, Dirty Honey e Jayler.
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