Até o momento, o álbum mais recente do Angra é “Cycles of Pain”. Lançado em novembro de 2023, o disco marca o último trabalho da banda com o vocalista Fabio Lione, que destacou frequentemente a participação de todos os integrantes no processo de composição.
Conversando com o Arrows Lords of Metal no ano passado, o cantor afirmou que criou “cerca de 80% das linhas” e ajudou o guitarrista Rafael Bittencourt “a compor as letras de cinco músicas”. Sendo assim, o italiano não gostou de uma recente declaração dada por Felipe Andreoli.
Durante entrevista ao Lado A Podcast, o baixista mencionou os bastidores por trás da faixa-título do projeto. Segundo o músico, o produtor Dennis Ward acreditava que a versão inicial da canção poderia ser aprimorada, o que o levou a buscar inspiração em “Another Day”, do Dream Theater, enquanto Rafael reformulou o refrão.
Lione, porém, não foi citado e resolveu “reivindicar” os créditos (via RockBizz). Na seção de comentários de uma postagem com vídeo da história, o cantor, que deixou a formação em novembro, escreveu:
“Sim, mas acho que seria legal também dizer que fiz praticamente 75% dessa música, como também boa parte das músicas do CD.”

Em outro comentário, respondendo a um fã que perguntou sobre a versão original da faixa, ele disse:
“Na verdade, a música original era uma b#sta! Mudou muto porque eu queria uma música f#da e fiz de tudo para mudar e os caras mudarem partes. Cantei a linha de guitarra da ponte, fiz o epsecial no meio, sugeri como fazer a parte final, escrevi as várias linhas vocais na música (com exceção do refrão) e parte das letras também… Sabe, talvez acontece que você pode cantar uma ideia de riff ou linha e o cara tocá-la depois de escutar a ideia. Claro!? Não precisa ser um gênio para entender.”
Oficialmente, o ex-vocalista está creditado como compositor das letras de “Dead Man on Display”, “Tide of Changes – Part I”, “Tide of Changes – Part II”, “Cycles of Pain” e “Here in the Now”. Apesar de não citar as contribuições diretamente, Rafael exaltou o trabalho do antigo companheiro no disco à Blabbermouth em 2023:
“Sinceramente, ficamos impressionados com o Fabio. Mesmo dez anos depois, tudo o que ele trouxe para o novo álbum — nas interpretações, melodias, ideias e no nível de envolvimento — é algo que surpreende. É muito bom perceber que, mesmo após tanto tempo, você ainda pode se impressionar com o talento de um companheiro de banda.”
Angra atualmente
O Angra confirmou o fim de seu hiato. A duração foi de aproximadamente sete meses, desde o último show da turnê que celebrou os 20 anos do álbum “Temple of Shadows” (2004), em 3 de agosto do ano passado.
Antes mesmo de anunciar seu retorno, o grupo já tinha cinco shows programados para 2026. Primeiramente, Edu Falaschi (voz), Kiko Loureiro (guitarra) e Aquiles Priester (bateria) se juntarão à formação atual para subir ao palco do festival Bangers Open Air, em São Paulo, no dia 26 de abril, que marcará a despedida do vocalista Fabio Lione e a estreia de Alírio Netto. Três dias mais tarde, em 29 de abril, os ex-membros tocam novamente com a banda no Espaço Unimed, também na capital paulista.
Há mais uma performance agendada em território nacional para o festival Porão do Rock, em Brasília, no dia 22 de maio, mas a ocasião terá apenas Loureiro com os membros atuais Alírio Netto (voz), Rafael Bittencourt (guitarra), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria).
Por fim, em setembro, a banda celebrará os 30 anos do disco “Holy Land” (1996) com compromissos em Paris, na França e, como mencionado, em Atenas, na Grécia. Ao que tudo indica, o material será prestigiado em mais apresentações.
O Angra encerra seu hiato com novo vocalista. Fabio Lione teve seu desligamento confirmado no fim do ano passado. A vaga agora é de Alírio Netto.
Em declaração ao TMDQA e ao podcast Amplifica, Rafael Bittencourt declarou que, a partir de agora, o grupo pode não ter mais uma formação fixa:
“Já tenho a mentalidade de fazer o Angra ser uma grande instituição e já havia criado há um tempo atrás o ‘Angra Family’, para que a imagem fosse muito mais ao redor da história, do que a gente representa, do que uma formação específica, de um determinado momento. Então para mim essa (reunião) também é uma vitória do ponto de vista estratégico, que eu já pensava anos atrás.”
Sobre “Cycles of Pain”
“Cycles of Pain” conta com 12 faixas em seu tracklist convencional. É o primeiro trabalho de inéditas a repetir uma formação desde “Aurora Consurgens” (2006) – com Fabio Lione (voz), Rafael Bittencourt (guitarra), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria), a mesma configuração responsável pelo antecessor, “Ømni” (2018).
Dennis Ward (Helloween, Magnum, Firewind) ficou a cargo da mixagem e masterização. A capa foi feita por Erick Pasqua com layout de Jonathan Canuto. Entre os convidados do trabalho, também estão a cantora americana Amanda Somerville (em “Tears of Blood”) e os brasileiros Lenine (cantando em “Vida Seca”), Vanessa Moreno (com vocais em “Tide of Changes – Part II” e “Here in the Now”), e Juliana D’Agostini (no piano também em “Tears of Blood”). Há ainda as colaborações do guitarrista Kiko Loureiro e de Fernanda Lira (Crypta) no que se descreve como uma faixa bônus japonesa e versão alternativa de uma das músicas do disco.
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